A troca de prefeitos em Paranhos trouxe preocupação ao presidente da Câmara de Vereadores, Claudenir Costa de Oliveira — o Chacal (PP). Recursos encaminhados pelo prefeito eleito no pleito suplementar estão entre as dúvidas do chefe do Legislativo do município, a 469 quilômetros de Campo Grande.
A reportagem do Jornal Midiamax esteve no município nesta semana e conversou com o chefe do Legislativo. Chacal destacou que a mudança foi rápida, sem rito de transição de gestões. “A ordem do STF veio para empossar Heliomar imediatamente. Ficamos um pouco, assim, surpresos. Não teve transição, não teve nada”, criticou.
Assim, afirmou que a cidade está ‘confusa’. “É um processo difícil de entender, porque foi muito rápido. As coisas que vinham andando no município, então a gente não sabe o rumo que vai tomar ainda”, disse Chacal.
Cenário político
“Com certeza deu uma bagunçada no nosso cenário político na cidade”, confirmou Chacal. Hélio Acosta (PSDB) assumiu como interino em janeiro de 2025, quando Heliomar Klabunde (MDB) não tomou posse por inelegibilidade. Então, pleito suplementar tornou Hélio prefeito eleito em Paranhos.
Porém, decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) colocou Heliomar na cadeira de prefeito. “O Hélio Acosta vinha fazendo um ótimo trabalho, teve novas eleições, ele saiu de interino e concorreu na eleição legítima. Então, agora, acontece essa reviravolta”, comentou o presidente da Câmara.
Para o vereador, a relação com o Executivo na gestão de Hélio era boa. Além disso, a expectativa é de manter o diálogo com o novo prefeito. “Nós tínhamos uma relação bem sólida entre o Executivo e Legislativo, uma parceria sólida. Esperamos também agora com Heliomar, que também é uma figura conhecida de longa data entre a cidade, tenho certeza que ele também vai fazer um ótimo mandato”, disse.
Recursos
Apesar da surpresa com a mudança de prefeitos, o que preocupa é a manutenção dos projetos em andamento. “Posto de saúde que está em andamento, já estava licitado. Estava saindo bastante moradia também, bem adiantados os projetos”, citou Chacal.
Outros recursos estaduais estavam previstos por meio do programa MS Ativo. Contudo, a negociação aconteceu na gestão de Hélio, o que deixa Chacal em alerta.
“A nossa preocupação agora é como que vai fazer para dar continuidade a esses recursos destinados ao município, como que vai funcionar agora? Então, a gente tem um pouco de preocupação. Tinha muitas obras em andamento”, expôs.
Câmara
Em relação às questões partidárias e de apoio na Câmara, o presidente não acredita em alterações. “Acho que não vai haver muita mudança, tem que pensar no melhor para o nosso município. Através do diálogo a gente consegue continuar com a gestão”, disse.
Já sobre a configuração entre os ocupantes de cadeira na Câmara — já que Hélio foi eleito vereador mais votado e presidente da Casa — Chacal disse que não há previsão de como ficará. “A gente não sabe se realmente ele teve que renunciar para concorrer à eleição, e essa eleição também, se foi cancelada com a decisão do STF. Cancelou a suplementar, como se não existisse. Talvez pode ser que ele tenha a chance de voltar, sim, como vereador”, supôs o vereador à reportagem.
Para Chacal, o clima é de, “com certeza, uma grande incerteza”. O vereador disse que não há nada concreto até o momento.
Chacal assumiu a presidência após Hélio tomar posse como interino. “Para mim foi uma surpresa, eu sou vereador de primeiro mandato. Os vereadores decidiram entre eles, falaram que o melhor presidente da Câmara seria Claudenir Chacal, e daí foi concretizada”, detalhou o vereador.
Só após eleição do tucano que Chacal se oficializou como presidente da Câmara. Por fim, o vereador, de primeiro mandato, diz que a presidência foi desafiadora no começo. “Com certeza, no início, sim. Mas, como a gente já tá aqui há muitos anos, os vereadores também foram eleitos há muitos anos, amigos de longa data, então se tornou um pouco mais leve”, garantiu. Fonte: Midiamax


