25 de setembro de 2026

Sistema bilionário de monitoramento da fronteira falha sem integrar segurança

O Brasil enfrenta um desafio colossal no combate ao crime organizado na extensa faixa de fronteira que compartilha com dez países sul-americanos, dos quais 1.490 quilômetros estão nos limites entre o Estado de Mato Grosso do Sul, o Paraguai e a Bolívia

Um dos pilares da estratégia nacional de defesa, o Sisfron (Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras) foi concebido para ampliar o controle sobre essas regiões e fortalecer a presença do Estado. Passados mais de 12 anos desde sua criação, o Sisfron ainda não cumpre suas promessas.

Autoridades da segurança pública relatam desconhecimento do sistema, ausência de uso integrado e apoio das FA (Forças Armadas) apenas pontual. Parlamentares questionam a efetividade do programa e a real disposição das FA em atuar no enfrentamento ao narcotráfico, comércio ilegal de armas e contrabando.

Anunciado como a grande ferramenta de defesa nacional e apoio às polícias, o Sisfron é caro, já ultrapassou em pelo menos cinco anos o cronograma de conclusão e não chegou à metade das etapas previstas. O mais preocupante é seu uso restrito ao EB (Exército Brasileiro) e o raro emprego em operações integradas, que deveriam ser permanentes na vigilância da fronteira, por onde passam drogas, armas e produtos contrabandeados.

Das nove fases de um projeto orçado em R$ 12 bilhões em 2010, apenas duas estão concluídas: a que atende aos pelotões de fronteira no Estado do Amazonas e à 4ª Brigada de Cavalaria Mecanizada, sediada em Dourados (MS), uma das áreas mais sensíveis ao tráfico pela infraestrutura rodoviária da região.

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), autor da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) anunciada na terça-feira, 17 de junho, declarou ao Campo Grande News que a investigação vai focar a atuação institucional na faixa de fronteira entre Mato Grosso do Sul, Paraguai e Bolívia, regiões reconhecidas como rotas do tráfico e zonas de atuação de facções brasileiras.

A CPI pretende avaliar o papel de cada instituição envolvida e o funcionamento do Sisfron. Segundo o parlamentar, que é delegado da PF (Polícia Federal), o enfrentamento ao crime organizado na fronteira exige reforço de pessoal e uma nova articulação entre os órgãos civis e militares.

Para ele, as ações em curso são insuficientes e a comissão vai identificar o que funciona e o que precisa ser reformulado, com foco na alocação adequada de recursos e na proposição de soluções efetivas. A CPI será instalada após o recesso parlamentar, com orçamento inicial de R$ 30 mil e prazo de quatro meses para produzir um diagnóstico completo sobre os gargalos no combate ao crime e apresentar propostas de reforma orçamentária e legislativa.

Mapa mostra quais os pontos de integração estabelecidos pelo Sisfron
O deputado estadual Carlos Alberto Davi dos Santos, o coronel Davi (PL), ex-comandante da PM (Polícia Militar) estadual, afirma que o Sisfron é praticamente desconhecido entre os operadores civis de segurança e inteligência na fronteira com o Paraguai e a Bolívia.

Segundo ele, autoridades federais e estaduais envolvidas diretamente no combate ao crime transfronteiriço não têm clareza sobre a utilização atual do sistema. Uma fonte da segurança pública do Estado reforça que o Exército Brasileiro atua apenas quando solicitado, e de forma pontual. A percepção geral é de que o sistema é caro, ineficaz e invisível.

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