8 de maio de 2026

Comparada a botijão de gás, Gabrielli não suportou ataques e fugiu da vida

Felicidade do dia da formatura se transformou em meme, ataques e suicídio 

Em uma noite, Grabrielli comemorava com festa e vestido de princesa a sensação incrível de concluir a faculdade de Medicina Veterinária. Dias depois, nesta quarta-feira (5), a alegria da família é sepultada. A jovem morreu vítima de overdose de medicamentos. O tempo que separa as duas cenas é marcado por ódio nas redes sociais, gordofobia e suicídio.

Recém-formada, a jovem que aparece sorridente na maioria das fotos não conseguiu experimentar a nova fase, como profissional. Desistiu antes de começar a carreira, escolhida pelo amor demostrado também em imagens aos “filhos” caninos Juma e Hope.

Na avaliação da mãe, Gabrielli se desesperou, vítima da pressão distribuída em frases, memes e xingamentos no Whatsapp. O bullying contra a colega, que nunca foi magra, voltou com força e foi fatal.

O vestido cor de rosa, com corte perfeito para o corpo de Gabrielli, era exatamente o que a menina sonhou para o grande baile de formatura. Mas, de repente, a beleza virou chacota. Fora do padrão magrelo das passarelas, a jovem virou meme, comparada a um botijão de gás.

Na sequência, além de muitas piadas, surgiram acusações de traição. “Briga por causa de homem”, traduzindo para o popular. Gabrielli então decidiu “sumir”.

“Infelizmente, essa foi a quarta vez que a Gabrielli tentou suicídio, todas as vezes foi por conta do bullying que sofria na escola e na faculdade. Minha filha sempre teve problemas por ser gordinha, as amigas sempre faziam piadas com ela, mas a gente conversava, sempre disse que o que realmente importa era o caráter”, conta a mãe da jovem, Daniella Gonçalves, de 46 anos.

Desta vez, a dose de maldade foi cavalar, iniciada na sexta-feira passada. “Eu estava no trabalho quando Gabrielli ligou e disse que não aguentava mais aquela situação das amigas ficarem falando que ela era gorda e falsa. No fim do dia, conversei com ela e fui dormir. Lá pelas 2h da madrugada, ela acordou passando mal e vomitando. Minha filha saiu daqui toda roxa, não parecia minha menina, ela chegou ao hospital em coma”, diz a mãe.

Por quatro dias os médicos tentaram reverter o quadro de intoxicação, mas ontem pela manhã a mãe recebeu a notícia que acabou com a esperança de milagre para a única filha.

“Minha Gabrielli morreu. Não merecia isso. Perdi minha melhor amiga. Onde ela chegava todos se encantavam com sua educação, ela tinha apenas 23 anos e já era médica veterinária, elas mataram minha princesa”, desabafou a mãe, falando das ex-amigas que costumavam jogar de forma on-line com Gabrielli e que teriam começado a onda de ataques contra a veterinária.

No velório, nesta manhã em Campo Grande, Daniella continuava visivelmente sem forças, dopada pela dor. Mas insiste que a filha não se matou, foi “assassinada” pelo bullying. “Vou procurar a polícia, quero que elas respondam por homicídio. A minha filha foi vítima. Uma delas dormia na minha casa, comia da minha comida e no final matou a minha única filha sem nenhum motivo”.

Mas por enquanto a mãe só tem tempo para a saudade. “Minha filha tinha sonhos, fez a faculdade que ela tanto sonhava, se formou esse ano, sempre muito dedicada aos estudos, era meu orgulho, era meu motivo para sempre voltar para casa”.

Foi da irmã paterna, Rebeca Lopes Miranda, de 29 anos, que partiu a decisão de pedir para o assunto se tornar público, como lição sobre empatia e sofrimento. “Ela pedia que parassem e não pararam. Ela tinha passado a lidar melhor com a gordofobia depois que já estava mais velha, não aceitava mais calada a discriminação, mas nesse caso ficou muito abalada, não conseguiu superar”. – CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

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