24 de setembro de 2026

Avó materna de Sophia não acredita na inocência da própria filha, diz delegada

Em coletiva de imprensa realizada na manhã desta segunda-feira (6), na Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), para atualizações do caso Sophia, polícia revela que avó materna acredita na culpa de sua própria filha em relação às agressões contra a menina.

As informações foram repassadas pela delegada Anne Karine Trevisan e pelo delegado Roberto Gurgel.

Conforme os delegados, o inquérito policial do homicídio de Sophia foi concluído nesta sexta-feira (3), 10 dias após a menina ter sido encaminhada ao UPA, após sua morte, no dia 26 de janeiro.

A partir da investigação, que incluiu o depoimento de 9 pessoas, entre médicos e familiares,
foi possível considerar o homicídio como qualificado por motivo fútil em flagrante, pela condição da vítima ser do sexo feminino e por ela ser menor de quatorze anos.

Além disso, o padrasto e a genitora também foram autuados em flagrante por estupro de vulnerável, após ser verificada que a vítima tinha algumas lesões em seus órgãos genitais.

“Na delegacia, o padrasto ficou em silêncio, não quis se manifestar. A mãe disse que a criança tinha passado mal, que ela estava com a barriga inchada, que ela já vinha desde noite anterior passando mal porque ela teria comido muito a maionese”, contou a delegada.

Ao falar sobre as agressões, na ocasião, a mãe afirmou que ocorreram para ações corretivas.

Entretanto, as desculpas não foram convincentes. Sobretudo, conforme apurado pela perícia, a menina estava morta desde as 10h, mas foi levada ao atendimento apenas às 17h, ou seja, 7 horas após já ter falecido.

Mais detalhes

Após perícia dos aparelhos celulares do padrasto e da genitora, foi confirmado que os dois planejavam desculpas para negar o crime.

“Olhando aparelho celular da mãe da Sofia, nós constatamos haver uma conversa com o padrasto em que eles combinavam o que falariam para a polícia”, disse a delegada.

A genitora levou a menina ao UPA utilizando transporte de aplicativo. O motorista foi ouvido pela polícia e conta que ele não escutou a criança chorando ou conversando.

Além disso, ele afirmou que, ao pegar a mãe e a criança, pôde ver o padrasto da vítima na casa.
Com relação a uma possível participação de outras pessoas no crime, ainda não se pode concluir algo.

“O que conseguimos verificar é que é um núcleo familiar muito reservado, pela própria conduta do Cristian, que não deixava com que a genitora, a Stefany, tivesse convívio com a família dela. Então assim, pouquíssimas pessoas entravam e saía da residência deles”, explicou a delegada.

Já avó materna, indicada com uma das testemunhas da genitora de Sophia, não acredita na inocência de Stefany ou que ela não soubesse o que acontecia.

Anteriormente

A menina já tinha 30 registros médicos em decorrência de possíveis agressões e lesões, mas os mesmos nunca foram encaminhados para a delegacia.

Além disso, o pai da menina, já havia buscado pela guarda da filha por desconfiar dos maus-tratos, tendo feito Boletim de Ocorrência há um ano e apresentado ao Conselho Tutelar.

Segundo o Conselho Tutelar, na busca pela guarda da filha, o pai da criança tentou ficar responsável por ela. Ele foi encaminhado à Defensoria Pública e ao Conselho Tutelar, que realizou visita técnica, mas, na ocasião, a criança não tinha nenhum indício de maus-tratos.

Nesta visita, foi constatada que a criança não tinha marcas e nem hematomas e, por ser muito pequena, não falava.

“Naquela situação que ele vivenciava, ele não tinha elementos tão concretos para realmente afirmar que a criança estava passando por violência. Então ele não solicitou medidas protetivas por não parecer necessário”, disse a delegada.

Saiba mais

Após o encerramento do inquérito, a polícia ainda aguarda o resultado de alguns laudos da perícia em relação a material genético encontrado na menina, bem como de aparelhos eletrônicos apreendidos.

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