Os crimes de grande porte, como o roubo de três aeronaves e de uma agência bancária em Aquidauana no ano passado, podem passar a ser mais frequentes em Mato Grosso do Sul.
Isso porque, segundo o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antonio Carlos Videira, crimes como esses são tentativas de sanar dívidas, após o aumento nas apreensões de entorpecentes.
“O roubo de aviões é um reflexo do tráfico de drogas: o que acontece é que estamos com fortes atuações na apreensão de entorpecentes. Os traficantes que ficaram descapitalizados buscam recuperar o dinheiro perdido em roubos de grande porte, como os de caminhões e aviões, não só de caminhonetes, como era de costume”, explica Videira.
“Quando a droga é apreendida, ela tem um valor agregado muito alto, o que faz o traficante dever muito. Por essa razão, ele acaba se aventurando nesses outros tipos de crime, para sanar a dívida com o crime organizado e não morrer”, complementa Videira.
No ano passado, mais que dobrou a quantidade de cocaína apreendida em Mato Grosso do Sul, em comparação com o período de janeiro a novembro de 2020.
A droga tem o maior valor de revenda e é com o que as quadrilhas de narcotraficantes conseguem manter seus esquemas criminosos.
De acordo com dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), em todo Mato Grosso do Sul, foram retirados de circulação 2.374,6 quilos de cocaína em 2020, ou seja, 2,3 toneladas, enquanto em 2021 foram 5.875 quilos – 5,8 toneladas.
Na Capital, o comparativo mostra que, enquanto em 2020 houve apreensão de 1.097,8 kg de cocaína, no ano passado as apreensões dessa substância totalizaran 2.568,6 kg – 2,5 toneladas.
Em valores, pode-se dizer que as polícias do Estado deram um golpe no bolso dos traficantes que pode ir de R$ 176.250.000 a R$ 705.000.000, a depender do mercado para onde seriam destinados esses carregamentos de cocaína. Esses valores são referentes ao total da droga apreendida em todo Mato Grosso do Sul.
Essa diferença seria porque, segundo especialistas, internamente a cocaína costuma ser vendida a R$ 30 mil o quilo, porém, apenas 20% do total produzido e transportado fica no Brasil, o restante é encaminhado para a Europa, principal consumidor da droga, onde o quilo chega a custar R$ 120 mil.
AVIÕES
Na madrugada do dia 6 de setembro do ano passado, cerca de 18 homens encapuzados invadiram o Aeroclube de Aquidauana e roubaram três aviões no local. Segundo o boletim de ocorrência, eles estavam fortemente armados.
Os criminosos entraram pela cerca do aeroclube e, durante a ação, renderam o caseiro do local e seus dois filhos menores de idade. Ninguém se machucou.
Conforme as vítimas, os homens foram até a residência da família e os renderam.
Em seguida, conduziram eles até hangar, onde os deixaram presos na grade de proteção do tanque de combustível. Os assaltantes abasteceram três aviões e levantaram voo.
No local foram encontradas ferramentas utilizadas pelos ladrões. Ainda de acordo com as vítimas, os ladrões tinham sotaque espanhol, mas um era brasileiro.
Segundo o vigia, a ação durou cerca de uma hora. Os criminosos levaram um avião Bonanza modelo V35B (matrícula PT-ING) e dois Cessna modelo 182 (matrículas PT-KDI e PT-DST).
Conforme apurado pelo Correio do Estado na consulta de Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), um dos aviões é do pecuarista Zelito Ribeiro, irmão do prefeito de Aquidauana, Odilon Ribeiro, o outro é da empresária Liliane Paschoaletto Trindade e o terceiro é do cantor Almir Sater.
De acordo com a delegada de polícia titular do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (Dracco), Ana Cláudia Medina, responsável pelas investigações, até o momento, cinco integrantes da organização envolvida no roubo das aeronaves foram presos.
“Prendemos o gerente operacional, que é o que mantinha residência para o apoio logístico dos criminosos onde estavam sendo alojados os bolivianos. Ele acabou sendo preso na Bolívia e o trouxemos para Mao Grosso do Sul. Até o momento, prendemos cinco integrantes”, disse Ana Cláudia.
Questionada sobre um possível aumento de grandes roubos no Estado, a delegada afirmou que medidas de segurança devem ser tomadas. Segundo ela, isso não ocorreu no Aeroclube de Aquidauana, o que facilitou a ação dos criminosos.
“Os cuidados devem ser redobrados nos espaços que mantêm aeronaves, ou seja, cuidados com circuito interno de monitoramento, travas nas aeronaves. Em Aquidauana, eles acabaram deixando de lado o monitoramento do circuito interno, o que dificultou bastante até o trabalho da polícia para verificar as imagens, e as aeronaves não tinham trava de hélice, então, a gente sempre pede que esses lugares com aeronaves adotem medidas de segurança”, destacou.
Ainda conforme a titular do caso, as aeronaves não foram encontradas, mas a investigação continua.
“As aeronaves estão em solo estrangeiro, temos diligências em andamento e estamos apurando o caso, tanto para prisão dos demais envolvidos como para a localização das aeronaves”.
BANCO
Além do roubo das aeronaves, a pacata cidade foi também alvo de bandidos que invadiram a Caixa Econômica na região central do município e levaram R$ 700 mil.
O furto ocorreu em um fim de semana, e os criminosos entraram sem ser flagrados pelas câmeras de segurança. O alarme não foi acionado.
Câmeras do circuito interno teriam sido reorientadas, de modo que não registrassem a movimentação dos ladrões durante o furto, com isso, a polícia trabalhou com a suspeita de que os criminosos teriam recebido ajuda de algum funcionário.
Segundo a Polícia Militar, os bandidos entraram pelos fundos da agência e fizeram uma perfuração na parede, na lateral do cofre. O crime é apurado pela Polícia Federal, que não divulgou novas informações.
Saiba
Investigação
A investigação do Dracco apontou que Laudelino Ferreira Vieira, o Lino, de 42 anos, é um dos mentores do roubo das aeronaves em Aquidauana. Em maio de 2021, ele fugiu do presídio de segurança máxima da Capital e não foi achado.
fonte: correio do estado

