8 de fevereiro de 2026

Presidente do Paraguai retoma em junho licitação de ponte em Murtinho

Após a suspensão da licitação de construção da ponte que unirá as cidades Carmelo Peralta e Porto Murtinho, o presidente do Paraguai retomará o processo licitatório no próximo mês.

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, explicou que a retomada da obra já tem uma data, após o Estado entrar em contato com o Itamaraty requisitando um novo cronograma.

“A partir de primeiro de junho, o processo licitatório será reaberto, o Paraguai confirmou ao Ministério das Relações Exteriores e ao governo de Mato Grosso do Sul, a ponte vai sair, até porque ela é a essência da Rota Bioceânica, e com esse novo prazo teremos a empresa responsável pela obra no fim de agosto”, informou ao Correio do Estado.

Verruck destacou que a expectativa era de que a obra fosse concluída até julho de 2024, mas, em razão do atraso no processo licitatório, o cronograma deve ser estendido.

“Teremos um atraso no cronograma da obra, por conta da suspensão do processo licitatório, porém, ele continua. Durante esse período de retomada de licitação, o Paraguai terá um prazo para repor os recursos utilizados, afinal, o dinheiro que seria usado na construção da ponte foi destinado para outras finalidades”, ressaltou.

SUSPENSÃO

Em abril, o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, anunciou a suspensão da licitação da ponte que será construída em Carmelo Peralta.

O adiamento ocorreu para que o dinheiro – cerca de US$ 30 milhões – que estava sendo usado para a construção da ponte fosse redirecionado à compra de remédios e insumos em função da crise de saúde instaurada por conta da pandemia da Covid-19.

O presidente alegou que o dinheiro era de extrema necessidade para o País, que está passando por um de seus piores momentos da pandemia.

“Estou levando em conta as possíveis necessidades do nosso sistema de saúde. Damos prioridade ao que hoje é mais importante e por isso a instrução de postergar a licitação para a construção da ponte”, destacou Benítez em entrevista coletiva.

O acordo previsto entre Brasil e Paraguai definiu que a travessia será construída com recursos da usina hidrelétrica Itaipu Binacional Paraguay.

Verruck reitera que a medida precisava ser decidida em comum acordo, visto que o dinheiro era direcionado para a execução do projeto.

“O dinheiro é para a construção, existe um acordo internacional entre os dois países, eles suspenderam o processo licitatório e agora será reaberto”, destacou o titular da Semagro.

Com o agravamento da pandemia, o Paraguai está sob pressão máxima por conta do colapso no sistema de saúde. O país já registrou 310 mil infecções pela doença e 7.482 mortes foram confirmadas desde o início da crise sanitária.

PONTE

Considerado o principal projeto para efetivar a rota bioceânica, a ponte sobre o Rio Paraguai, que ligará as cidades Porto Murtinho e Carmelo Peralta, terá um investimento previsto de US$ 82 milhões.

De acordo com o projeto, a ponte vai dispor de 680 metros de comprimento, com 380 metros de luz livre, 22 metros de altura, duas torres com 100 metros de altura e viadutos de 150 metros em ambos os lados, o que vai permitir a navegabilidade do Rio Paraguai.

A estrutura terá duas pistas de rolagem de veículos de passeio e caminhões, com 12,5 m de largura, além de duas passagens nas laterais, com 2,5 m cada, para o trânsito de pedestres e ciclistas.

Um dos objetivos da construção dessa ponte é o desenvolvimento das áreas que há muito tempo vêm sendo esquecidas pelas autoridades.

A ponte vai interligar Mato Grosso do Sul aos portos chilenos e poderá encurtar a distância para a exportação de produtos para a Ásia, principalmente a China.

ROTA BIOCEÂNICA

A Rota Bioceânica integra Chile, Argentina, Paraguai e Brasil, liga o Oceano Pacífico ao Oceano Atlântico e também passa por Mato Grosso do Sul, no trecho Porto Murtinho – Campo Grande, seguindo até o porto de Antofagasta, no Chile.

O projeto promete trazer alta circulação de mercadorias com valor agregado ao Estado e desenvolvimento.

“A implantação da Rota Bioceânica é um projeto estratégico nacional, que envolve quatro países, pela primeira vez na história fazendo a integração latino-americana entre outros países”, destacou Verruck.

Levantamento realizado pela Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems) aponta que o Corredor Bioceânico terá potencial para movimentar US$ 1,5 bilhão por ano em exportações de carnes, açúcar, farelo de soja e couros para os outros países por onde passará.

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