Surpresa nas urnas, Tiago Henrique Vargas foi de policial civil demitido a vereador recordista em votos em 2020. O candidato, que fez sua base eleitoral no Los Angeles, bairro da periferia de Campo Grande, onde nasceu e vive até hoje, conquistou 6.202 eleitores em Campo Grande – teve 1.366 votos a mais que o segundo lugar, vereador “de carreira”, Carlos Augusto Borges (PSD), que vai para seu quarto mandato.
Polêmico nas redes sociais e crítico ferrenho a nomes consolidados na política sul-mato-grossense, Tiago Vargas já havia tentado ser vereador pelo Pros em 2016 e depois, se candidatou a deputado federal em 2018, pelo PDT. Migrou pela terceira vez de partido e neste ano, fez a campanha apenas com os R$ 10 mil doados pelo Diretório Municipal do PSD, conforme declarou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Estreante na carreira política como o candidato mais votado para a Câmara da Capital, portanto, Tiago diz ter se surpreendido com o resultado. Não imaginava que atingiria tantos eleitores com a propaganda feita basicamente pela internet e entregando panfletos nos semáforos de Campo Grande. “Me surpreendi por conta da própria campanha, que foi muito humilde. Foi eu e minha mãe [Mercedes Vargas, empregada doméstica] pros semáforos, durante 45 dias”, afirma.
Longe de ser ingênuo, o ex-policial admite que toda a comoção gerada pela última polêmica que se envolveu, a demissão da Polícia Civil após virar alvo da Corregedoria da corporação por 9 vezes, de certa forma, lhe beneficiou. O vídeo gravado por ele chorando após receber a notícia da exoneração, em julho, pouco antes de a campanha eleitoral pegar impulso, portanto, teve ao menos 5 milhões de visualização à época.
Fiscal da lei – Tiago Vargas promete ser “a pedra do sapato” do “sistema”. Diz que tem como principal bandeira “o combate à corrupção sistêmica” e que quer rever os contratos da Prefeitura de Campo Grande com o Consórcio Guaicurus e Águas Guariroba, por exemplo, mesmo que outros vereadores, como Vinicius Siqueira (PSL), já tenham usado da estratégia como forma de divulgar o mandato. “Acredito que existam pormenores que podemos focar, fazer uma investigação mais profunda, atacar na raiz mesmo, enxergar as entrelinhas dos contratos, revisar ponto a ponto”.
Eleito pelo partido do prefeito Marquinhos Trad (PSD), o eleito não acredita que isso será um problema.
Projetos – Ele destaca duas promessas de campanha como seus projetos iniciais e principais: cobrar a realização de concurso para a Guarda Civil Metropolitana e viabilizar criação do CTP (Cursinho Preparatório Popular).
Egresso da área da segurança, o ex-policial entende como dever do Estado combater a criminalidade, mas diz que o município pode e deve contribuir. O aparelhamento da Guarda Municipal é o primeiro passo, acredita. “Temos nossos guardas civis e temos colocar cada vez mais eles nas ruas. Tem um concurso que já foi anunciado, vou cobrar a abertura desse edital. E mais viatura, armamento, o que for necessário”.
O segundo projeto é para a Educação. “O que mudou minha vida foram os estudos, os concursos públicos e precisamos dar oportunidade para quem não tem condições financeiras”.
Perguntado sobre como pretendia viabilizar as propostas, uma vez que as duas dependem de articulação e os possíveis conflitos com outros políticos podem freá-lo, o eleito não acha que terá grandes dificuldades. “Não vai ser difícil, tivemos a renovação muito grande na Câmara. Tenho certeza que muitos dos 17 novos eleitos, pensam como eu”.
Lugar ao sol – Como o mais votado, Tiago Vargas diz que vai tentar um lugar de destaque no Legislativo de Campo Grande. Não se atreve a dizer de cara que se candidatará à Presidência da Casa de Leis, mas conta que nesta semana mesmo, começa a articular com os novatos.
A polêmica demissão – Na Polícia Civil desde 1º de agosto de 2014, Tiago Henrique Vargas foi demitido do cargo de investigador por cometer nove infrações, conforme publicado no Diário Oficial do Estado do dia 17 de julho deste ano.
Ele alega ter sofrido perseguição política por veicular “denúncias” nas redes sociais. No mesmo dia, após a repercussão do vídeo, a Polícia Civil, “face às acusações infundadas e inverídicas disparadas nas redes sociais em desfavor do trabalho sério, transparente e idôneo da Corregedoria-Geral”, publicou nota de esclarecimento.
A demissão foi resultado de processo administrativo disciplinar, segundo a Polícia Civil, aberto depois de fato que desabonou a conduta do policial. Tudo aconteceu durante exame em junta médica na Capital, no dia 31 de abril de 2019. De acordo com a apuração, Tiago Vargas “passou a ofender com xingamentos os profissionais da perícia médica, oportunidade em que passou a esmurrar uma mesa, culminando com chutes que vieram a quebrar citado bem público”.
“O ato demissionário foi proferido nos autos do Processo Administrativo Disciplinar nº 012/2019/CGPC/MS, onde a autoridade julgadora, acolhendo a sugestão da Comissão Processante e o parecer favorável do Corregedor-Geral da Polícia Civil, entendeu ter restado caracterizada 09 (nove) infrações disciplinares previstas na Lei Complementar nº 114/2005 que rege os deveres do Policial Civil tanto na vida pública, quanto na vida privada, de modo a dignificar a imagem da Polícia Civil perante a Sociedade, cuja conduta combinada com o artigo 172, incisos IV e XVII, prevê pena de demissão”, esclarece a nota. – CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

