26 de setembro de 2026

“Muito usado para gado”, diz Mandetta sobre ivermectina

Ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, demonstrou preocupação com uso de diferentes tipos de remédios para o tratamento e prevenção do coronavírus, mas sem eficácia comprovada cientificamente. Ele participou de audiência pública na Câmara Municipal de Campo Grande nesta quarta-feira (8), sobre a pandemia.

“Deve se ter muito cuidado. Tem muitos que defendem a cloroquina, tem muitos que defendem a ivermectina, que é um remédio aqui no nosso Estado muito conhecido porque entrou pelo uso veterinário, depois foi para uso humano, então ele é muito usado para gado. Tem os que defendem o Anitta, tem outros que defendem a heparina, tem outros que defendem o corticoide”, disse Mandetta.

Ele afirmou ainda que essa gama de remédios não garantem resultado contra a Covid-19, porque estão no mercado com resultados comprovados para outras doenças.

Nos últimos dias, o anúncio da prefeitura sobre a adoção de um protocolo do chamado kit prevenção, com uma série de medicamentos para uso em casos suspeitos de Covid, gerou uma corrida nas farmácias e a ivermectina já está em falta na Capital.

“O fato é que a ciência não tem ainda uma resposta absoluta, não existe uma substância que tenha sido desenvolvida para esta doença. Então ficam tentando pelo erro e tentativa”, disse o ex-ministro, sobre os vários tipos de remédios que são testados.

Médico ortopedista, Mandetta foi Ministro da Saúde no governo de Jair Bolsonaro entre janeiro de 2019 e abril deste ano. Uma das motivações para que ele deixasse a pasta foi a discordância com o presidente sobre o uso da hidroxicloroquina para tratamento de pacientes.

De lá para cá, o medicamento esteve no centro de uma série de discussões, com pessoas contra e a favor do uso, gerando também uma politização. Sobre esta questão, Mandetta afirma que não é o momento de trazer a pandemia para uma questão política, mas focar na saúde.

“Hoje, a cura está em lavar as mãos, no distanciamento, na cidadania, no cuidado. Vamos nos apoiar no que temos de melhor. Fazendo um trabalho sério, temos chance de passar por isso sem danos. A politização dessa doença já passou de qualquer limite do razoável. Não é inteligente”, analisou.

Boletim epidemiológico divulgado hoje pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) aponta que Campo Grande tem 3.473 casos confirmados e 28 óbitos por Covid-19. Do total, 118 pacientes estão internados e outros 896 em isolamento domiciliar.

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