7 de maio de 2026

Covid avança nas aldeias e MPF cobra providências

A Covid-19 continua avançando nas aldeias sul-mato-grossenses e somente em Dourados, epicentro da doença no Estado, existem pelo menos 183 infectados, dos quais dois morreram. As informações constam em uma recomendação do Ministério Público Federal para que a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) ajude a rede de saúde daquele município a melhorar a assistência para os pacientes acometidos pelo novo coronavírus.

Nos vilarejos onde vive a população tradicional há grande adensamento de pessoas, o que favorece a transmissão.

Além disso, a rede de assistência em Dourados é considerada insatisfatória, especialmente pela dificuldade na implantação de novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva principalmente no Hospital Universitário, que alega falta de recursos humanos.

Na opinião do MPF, a Sesai deveria firmar convênio que possibilitasse a disponibilização imediata de médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas com as habilitações necessárias para o atendimento de casos críticos, possibilitando o funcionamento imediato de 15 leitos de UTI, cinco dos quais já estão montados, receberam verbas do Ministério da Saúde e estão parados.

Além disso, o órgão deveria ajudar a encontrar profissionais para atendimento de alta complexidade voltado aos povos indígenas, prevendo aumento de casos entre os aldeados da cidade.

Essas duas determinações foram colocadas em recomendação enviada semana passada aos dirigentes, que têm dez dias para responder a demanda.

MEDIDAS
O MPF está tentando resolver os problemas relacionados ao HU da UFGD, conforme já noticiou o Correio do Estado.

Em reunião, dirigentes da unidade de saúde sugeriram dar 15 dias de treinamento a médicos que não têm especialização em medicina intensiva para coloca-los nas escalas de plantão. Pela lei, são dez leitos para cada profissional, com assistência 24 horas por dia mediante revezamento.

Contudo, oncologistas, endoscopistas, reumatologistas foram surpreendidos com os nomes nos plantões das ilhas de UTI.

As atividades ligadas a pacientes críticos são extremamente específicas. São pessoas que correm riscos constantes de alterações nos quadros clínicos, como entrar em parada cardiorrespiratória. As manobras têm que ser rápidas e certeiras, incluindo administração de certos medicamentos, em doses corretas dependendo de cada caso. Também existem procedimentos que só são realizados em leitos desse tipo e profissionais de outros setores muitas vezes não têm prática para fazê-los.

Diante disso, eles se recusaram a atender a determinação da chefia, que em documento enviado ao MPF os culpou pela inativação dos leitos já pactuados.

A Procuradoria da República pediu nome, CPF e matrícula dos servidores que estavam contribuindo para o descumprimento da medida. Fontes que pediram para não serem identificadas disseram ao Correio do Estado que houve ameaças até de acionar a Polícia Federal para obrigá-los a trabalhar em setor alheio à formação.

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