Alambrado, mato na altura da canela, um buraco no chão, a poucos centímetros da estrutura de pedra que serve de parede externa do presídio de Pedro Juan Caballero, a pouco de 320 quilômetros de Campo Grande. Em volta, pelo menos 20 agentes de forças de segurança paraguaia. Os homens são parte do reforço enviado ao local, de onde 73 presos ligados à facção criminosa brasileira PCC (Primeiro Comando da Capital) escaparam no domingo (19), tudo indica pelos portões da frente.
Esse é o cenário encontrado nesta segunda-feira na penitenciária, que fica na cidade fronteiriça ao Brasil, separada apenas por uma avenida de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. O presídio está localizado na Rua Nações Unidas, em região afastada da área comercial de Pedro Juan, a mais conhecida pelos brasileiros acostumados a fazer compras nas lojas paraguaias, incentivados pelos preços menores de produtos importados.
No entorno, sem asfaltamento, é possível ver pequenas vendas, além de sedes de igrejas. Para ilustrar, é um cenário semelhante ao Jardim Noroeste, onde fica o complexo penal de Campo Grande, na saída para Três Lagoas.
No estabelecimento penal paraguaio, cumpriam pena até ontem 1050 homens. Suspeito de facilitar a fuga, o diretor Cristian Gonzales foi afastado e preso, junto a outras 29 funcionários da segurança pública. O vice-ministro de Política Criminal, Hugo Volpe, renunciou ao cargo, depois de afirmar que só a conivência de funcionários do sistema prisional poderia ter permitido a fuga em massa, segundo divulgou o jornal de Assunção ABC Collor nesta manhã.
Pelo que foi descoberto e divulgado até agora, os presos fizeram o túnel mas nem se utilizaram dele. Saíram andando normalmente. No fim passagem subterrânea, o buraco visível do lado de fora do presídio, tem cerca de 80 centímetros. A parte de dentro está fechada. O lugar é mal iluminado durante a noite.
A reportagem do Campo Grande News está em Ponta Porã e foi até o presídio. Tentou falar com o novo diretor, mas não foi possível. A justificativa é de que estava em reunião. De acordo com o que foi apurado, o reforço policial veio das regiões de Ciudad del Leste, Concepcion e Assunção, a capital administrativa do Paraguai.

