25 de setembro de 2026

No rastro das palavras, “algoritmos da UFMS” identificam fake news

Fake news. Esta expressão em inglês para “notícias falsas” é, talvez, uma das expressões do século. Por elas acabam se informando muitas pessoas, especialmente com a consolidação de redes sociais e por conta delas, muito estrago acontece. A verdade da informação em tempos de avalanche de conteúdo motiva pesquisa inovadora na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul): pesquisadores treinaram algoritmos e desenvolveram sistema que, lendo palavras, consegue identificar as fake news.

“São os algoritmos” é outra frase que a maioria das pessoas ouve ao utilizar as redes sociais e perceber que cada um de nós recebe conteúdo diferente. Na tradução livre para os não falantes de nova língua mundial, a linguagem da programação, os algoritmos são como uma receita com passo a passo para executar ou resolver uma tarefa.

A definição de quem fala essa linguagem é “sequência lógica, finita e definida de instruções, regras e operações” que devem ser seguidas para resolver um problema ou executar uma tarefa.

Por trás dessa pesquisa tão útil para nossa época está o professor e pesquisador da Facom (Faculdade de Computação) Bruno Magalhães Nogueira, 34 anos, professor da UFMS há 5 anos e meio. Bruno é doutor pela USP (Universidade de São Paulo) e pela Universidade do Porto, em Portugal. Estuda inteligência artificial e a aplicação de algoritmos de aprendizado de máquinas (machine learning, em inglês) que analisam textos.

Análise de sentimentos – Este professor explica que a ideia para a pesquisa surgiu em meio à outra: analisava, junto com equipe, os “sentimentos” em publicações do twitter. “Nessa pesquisa, trabalhávamos com o que chamamos de análise de sentimentos, que é tentar detectar, automaticamente, o sentimento (positivo, negativo ou neutro) expresso pelo autor de uma publicação a respeito de uma pessoa ou um produto, por exemplo”, disse.

“Nesses documentos, sempre encontrávamos publicações que compartilhavam notícias e opiniões acerca de publicações de veracidade duvidosa. Isso chamou a nossa atenção e resolvemos investigar, com um pouco mais de profundidade, estas publicações”, emendou.

O projeto é desenvolvido no LIA (Laboratório de Inteligência Artificial) da Facom e envolve alunos da graduação e pós-graduação.

Corredor que dá acesso ao prédio da Facom, ao fundo (Foto: Divulgação/Facebook)Corredor que dá acesso ao prédio da Facom, ao fundo (Foto: Divulgação/Facebook)Clique na imagem para ampliar

O caminho da palavra – É pelos padrões deixados nas palavras que os algoritmos conseguem identificar as notícias falsas e, até agora, acertaram em até 90% dos casos. “Nós apresentamos aos algoritmos de Aprendizado de Máquina conjuntos de notícias checadas por portais especializados e classificadas como verdadeiras ou falsas. Os algoritmos, então, analisam as palavras contidas nessas publicações e tentam encontrar padrões que caracterizem as notícias verdadeiras e falsas. Quando uma nova notícia chega, os algoritmos procuram, no conteúdo dela, pelos padrões que aprenderam e dão o veredito”, explica.

“O objetivo da nossa pesquisa é o desenvolvimento de uma ferramenta capaz de dizer se uma determinada notícia em língua portuguesa é verdadeira ou potencialmente falsa. Para isso, nós utilizamos algoritmos de Inteligência Artificial conhecidos como algoritmos de Aprendizado de Máquina. Estes algoritmos conseguem aprender padrões a partir de uma coleção de dados do passado”, complementa Bruno.

A ideia é produzir um sistema que todos possam acessar, inserir o link das notícias e esperar o veredito da inteligência artificial. “Estamos, inclusive, trabalhando em um protótipo de uma ferramenta que auxilie neste processo”, disse.

O professor afirma que o uso das fake news é parte da história da comunicação humana e cita, por exemplo, a disseminação durante as duas guerras mundiais.

“A propagação de notícias falsas com intuito de desinformação é algo que acontece há vários séculos na história. Por exemplo, notícias falsas eram bastante comuns nas duas guerras mundiais, para tentar enganar os adversários. O que acontece hoje é que esses conteúdos se tornaram mais conhecidos e propagados devido à facilidade de criação e divulgação”, comenta.

Bruno acredita que a internet e as redes sociais representam melhora social, especialmente, lembra, ao terem democratizado o acesso à informação. O desafio, diz, é lidar com tanto conteúdo.

“Os usuários estão cada vez mais tendo acesso a uma gama maior de informações, sobre os mais diversos temas e das mais diferentes regiões do mundo. Basta abrir um aplicativo para termos acesso a uma verdadeira avalanche de informações. Hoje, o acesso a notícias e informações é bem mais democrático do que há alguns anos, mas demanda uma análise crítica dos conteúdos para filtrar o que é verdadeiro e útil ao leitor”.

O humano importa mais – O pesquisador faz questão de enfatizar, as máquinas e a inteligência artificial surgiram para auxiliar e aperfeiçoar o ser humano, mas não para substitui-lo. “Creio que sistemas inteligentes, aqueles que possuem alguma inteligência artificial por trás, vão assumir, cada vez mais, papéis importantes no auxílio ao ser humano para a realização das mais diferentes tarefas – desde as relações interpessoais, por meio de redes sociais e ferramentas de comunicação, até as suas atividades profissionais”.

“Como professor e pesquisador, sou bastante otimista quanto ao futuro dessas tecnologias, creio que teremos cada vez mais ferramentas melhores e mais eficientes para criação e compartilhamento de conhecimento. Entretanto, o protagonista é, e sempre será, o ser humano. Por mais poderosas e eficientes que sejam essas ferramentas inteligentes, estas são apenas para o apoio ao ser humano em suas tarefas, cabendo sempre aos usuários e aos desenvolvedores a sua utilização correta e ética”, finaliza.

Fonte: Campo Grande News

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