O grupo que bloqueia a fronteira do Brasil com a Bolívia em Corumbá só vai encerrar o protesto quando a renúncia do presidente Evo Morales, anunciada domingo (10), estiver formalizada “preto no branco”. Marcelito Moreira Silva, presidente do Comité Cívico de Puerto Quijarro y Provincia de Germán Busch, disse ao Correio do Estado que a carta em que o socialista comunica a saída do poder vai ser analisada pela Cámara Alta e só então será validada.
“Será, então, uma nova república. Nós, população cruceña (referência à região onde Puerto Quijarro está localizada), estávamos esquecidos pelo governo. Quanto aos protestos, vamos continuar mantendo a ordem e prosseguindo de forma pacífica”, afirma.
A fronteira completa 20 dias de bloqueio nesta segunda. Para ir de um país ao outro, somente a pé. A situação afetou diretamente o comércio no lado brasileiro, já que grande parte do movimento é de estrangeiros.
VÁCUO DE PODER
O protesto começou quando Evo Morales foi declarado vencedor das eleições sem segundo turno. A apuração gerou desconfiança quando a contagem dos votos foi interrompida por um dia. Quando ela foi retomada, mostrava o atual presidente em vias de ser eleito.
A manifestação pedia a realização de segundo turno ou a saída de Morales. A Organização dos Estados Americanos (OEA) foi chamada para fazer uma auditoria no pleito para confirmar se houve trapaça no processo que elegeu Morales.
Conforme o relatório disponível no site da entidade, a apuração contou com 36 especialistas de 18 países diferentes (advogados, estatísticos, peritos em informática, especialistas em caligrafia de documentos).
Foram identificadas falhas na segurança e alterações nas atas dos centros de votação. Esse relatório levou à prisão da ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral da Bolívia, Maria Eugenia Choque, e o ex-vice-presidente da Corte, Antonio Costas.
Junto com Morales renunciaram o vice Álvaro García, a chefe do Senado, Adriana Salvatierra; e o chefe do Senado, Victor Borda. Os três compunham a linha de sucessão da presidência. Com todas essas cadeiras vagas, a Bolívia vive um “vácuo de poder”.
Fonte: Correio do Estado

