Até em área promissora, pessoas com deficiência não arrumam emprego

Mesmo trabalhando com tecnologia, uma área promissora do mercado de trabalho, o estudante Brian Nissao da Vera, de 25 anos, nunca conseguiu um emprego com carteira assinada. Cego, o jovem conta que só consegue trabalhar como autônomo.

Na busca pelo emprego formal, Brian procurou o atendimento exclusivo as pessoas com deficiência durante Dia D da Funtrab (Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul) nesta quarta-feira (30). A ação, que cumpre a legislação vigente sobre a cota de contratação de PcD (Pessoas com Deficiência), oferece 200 vagas.

Brian é cego nunca conseguiu um emprego com a carteira assinada (Foto: Henrique Kawaminami)
Brian é cego nunca conseguiu um emprego com a carteira assinada (Foto: Henrique Kawaminami)

Brian conta que aprendeu o ofício sozinho, começou a se especializar com cursos e agora faz análise de sistema. Como autônomo, ele relata que já conseguiu criar uma clientela fixa. Segundo ele, os clientes já sabem da capacidade de trabalho independente da deficiência.

Apesar de conseguir trabalhar por conta, ele aponta o preconceito ainda presente no mercado formal. “É realmente complicado conseguir emprego, apensar de estar em uma área promissora, porque as pessoas não acreditam que pessoas com deficiência não vão conseguir fazer o serviço com qualidade”, afirma.

Bem resolvido com a limitação física, Brian afirma que o problema está no outro. “O que complica mais é o trato da sociedade, que espera que a gente fique no assistencialismo e nos trata como coitadinhos”, completa.

A mesma dificuldade é sentida por Cindi Narrie Jacoboski Felini, de 30 anos. Surda, ela já trabalhou em setor de recursos humanos e conta que na disputa por uma vaga as empresas dão preferência por pessoas surdas que usam aparelho e tenham parte da audição. Em busca de emprego, ela aproveitou o dia D na Fundação e ainda hoje vai fazer duas entrevistas.

Cindi é surda e procurou o atendimento durante Dia D da Funtrab (Foto: Henrique Kawaminami)
Cindi é surda e procurou o atendimento durante Dia D da Funtrab (Foto: Henrique Kawaminami)
Devido a procura, a Fundação abriu as portas 15 minutos mais cedo hoje (Foto: Henrique Kawaminami)
Devido a procura, a Fundação abriu as portas 15 minutos mais cedo hoje (Foto: Henrique Kawaminami)

Dia D – Com atendimento exclusivo para deficientes, a movimentação na Funtrab começou cedo. Com o início da formação de filas, a Fundação abriu as portas 15 minutos mais cedo nesta quarta-feira (30).

O diretor-presidente da Funtrab, Enelvo Felini, afirmou que este ano a Fundação decidiu fazer um movimento fortalecido. Segundo ele, ao todo são 30 empresas oferecendo 200 vagas que vão de porteiro a advogado. A expectativa é atender 1 mil pessoas durante todo o dia.

Para a ação a Funtrab ainda disponibilizou interprete de libra e preparou o espaço para circulação de cadeirante. A Fundação ainda está equipada com piso tátil e elevador para o público. Já o elevador interno, para uso dos funcionários, está quebrado. O diretor-presidente do órgão apontou que não há funcionários que necessitam do equipamento e a expectativa é que o problema seja resolvido no ano que vem.

Os atendimentos convencionais ao público foram transferidos para a Funsat (Fundação Social do Trabalho de Campo Grande). As Pessoas com Deficiência e reabilitados do INSS devem comparecer na Rua 13 de maio, 2.773, das 7h30 às 17h30, com laudo médico atualizado, documentos pessoais e Carteira de Trabalho.

Fonte: Campo Grande News

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