28 de setembro de 2026

Transtorno mental relacionado ao trabalho cresce em MS, sobretudo entre mulheres

Os casos de transtorno mental relacionados ao trabalho têm crescido em Mato Grosso do Sul e seguem tendências também observadas no Brasil. As mulheres são as mais afetadas e sofrem, sobretudo, por “episódios depressivos” e “reações ao ‘estresse’ grave e transtornos de adaptação”, conforme Boletim Informativo em Saúde do Trabalhador 2019, divulgado nesta segunda-feira (7) pela Secretaria de Estado de Saúde.

A referência é a pesquisa “Transtornos Mentais Relacionados ao Trabalho no Brasil”, que utilizou dados do Sinam (Sistema de Informação de Agravos de Notificação) entre os anos de 2006 e 2017 e é considerado “um importante dispositivo de coleta de dados existentes no Sistema Único de Saúde” porque os transtornos mentais associados ao trabalho são de notificação compulsória.

Nesse período, foi apurado que a maior parte das notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho no país era do sexo feminino, 59,7% dos 8.474 totais.

Entre os principais fatores presentes no ambiente de trabalho que contribuem para os transtornos mentais, são citadas demandas conflitantes em casa e trabalho, maus relacionamentos interpessoais, desigualdade, tarefas monótonas ou desagradáveis, falta de participação e controle no local de trabalho, falta de comunicação, falta de condições de trabalho, falta de reconhecimento no trabalho, ambiguidade ou conflito de papéis, carga de trabalho (trabalho excessivo e insuficiente).

“Em análise ao SINAN no período de 2006 a 2018 o estado do Mato Grosso do Sul segue o perfil nacional de notificação, o qual a maior incidência é do sexo feminino (66,1%) e apresentando uma crescente na notificação de transtorno mental relacionado ao trabalho”, detalha o Boletim Informativo em Saúde do Trabalhador 2019.

Ainda segundo esse levantamento, “o diagnóstico mais comum tanto em nível nacional como no estado de Mato Grosso do Sul são: reações ao estresse grave e transtornos e episódios depressivos”. Entre sul-mato-grossenses, essas duas descrições respondem, cada, por 20% do total. E ainda há 13% relacionados a “outros transtornos ansiosos”.

“Entretanto, no Estado existe uma grande ocorrência de falta de preenchimento no campo diagnóstico (25%) o que evidência falha na notificação”, pontua o boletim elaborado pela Coordenadoria Estadual de Vigilância em Saúde do Trabalhador e pelo Centro Estadual de Referência em Saúde do Trabalhador.

Nas considerações finais, destaca ainda que “o desemprego é um fator de risco no adoecimento mental”. “Contudo um ambiente de trabalho o qual esteja presente uma excessiva carga de trabalho, assédio moral, falta de condições de trabalho e de comunicação, relações interpessoais conflitantes, entre outros fatores, pode levar ao transtorno mental e consequentemente aumenta o absenteísmo e perda de produtividade”, finaliza.

Fonte: Dourados News

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