A Justiça Federal aceitou denúncia contra 16 pessoas alvos da operação Trunk, realizada pela PF (Polícia Federal) para combater o contrabando de cigarro. O documento detalha que a organização criminosa se estrutura em cinco núcleos, sendo um destinado à corrupção de policiais, e traz indícios veementes de envolvimento de policiais militares. Na operação, realizada em 31 de julho, foram presos dois policiais rodoviários federas.
No recebimento da denúncia, a 3ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande, a pedido do MPF (Ministério Público Federal), autorizou o desmembramento e remessa à Justiça Militar Estadual.
“De fato, compulsando os autos, verifico que há indícios veementes da prática de delitos por agentes da Polícia Militar, tais como corrupção passiva, concussão e prevaricação. O processamento de tais crimes seria de competência do Juízo Especializado supramencionado, já que não se verifica, na conduta de tais policiais, crimes que justifiquem a competência ratione materiae [em razão da matéria] deste Juízo Federal”, informa a decisão.
A Justiça Militar vai receber cópia do processo e das interceptações telefônicas. A estreita relação entre o cigarro contrabandeado do Paraguai e policiais, crime visto como menos grave, já resultou em duas grandes operações contra a Máfia do Cigarro no ano passado.
Organograma – Na operação Trunk, a denúncia do MPF descreve a hierarquia da organização criminosa. Os setores são chefia, núcleo operacional e de apoio logístico, núcleo financeiro, núcleo responsável pela corrupção de policiais, e núcleo de agentes policiais responsáveis pela facilitação do contrabando.

