12 de maio de 2026

Piloto suspeito de forjar sequestro para resgatar membro do PCC deixa prisão

O piloto Edmur Guimara Bernardes, de 77 anos, e o vigia Idevan Silva Oliveira foram colocados em liberdade a meia noite deste domingo (7), depois de serem presos no dia 27 de junho, durante a deflagração da Operação Ícaro pela Deco (Delegacia Especializada de Combate ao Crime Organizado).

Durante a operação, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão em três residências, uma fazenda e três hangares do aeroporto de Paranaíba, a 407 quilômetros de Campo Grande. Segundo o advogado do piloto, José Roberto Rosa, Edmur sempre contou a mesma versão para o sequestro e afirmou que há não indícios concretos que possam dar suporte para a versão de que ele teria forjado o crime.

Segundo as investigações da Deco, Edmur teria forjado o sequestro da aeronave, que teria sido usada para resgatar um membro da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Ainda de acordo com a delegada Ana Cláudia Medina, o piloto mudou as versões sobre o sequestro várias vezes, além de fazer um retrato falado infundado sobre os sequestradores. Medina ainda disse que pericias feitas no telefone de Edmur demonstram que ele teria forjado o sequestro.

Falso sequestro

Edmur teria sido sequestrado no dia 18, em casa, e levado pelos suspeitos até o aeroporto de Paranaíba. Idevan relatou à polícia que os bandidos estavam armados e exigiram um determinado avião, que foi roubado e levado com o piloto, enquanto ele teria sido deixado amarrado.

Após mais de 30 horas o piloto foi encontrado em Cáceres, no Mato Grosso, e alegou que foi sequestrado e obrigado a seguir para a Bolívia e Paraguai, onde os supostos sequestradores resgatariam um membro do PCC. Ele ainda contou que fugiu com a aeronave em um descuido dos assaltantes.

Edmur já teve envolvimento em casos de tráfico de drogas e contrabando. Em um dos casos mais antigos, foi detido pela Polícia Federal em setembro de 2000. A prisão aconteceu após a PF apreender 138 quilos de cocaína em um hangar, em Paranaíba.

A droga pertencia a um pecuarista e seria transferida de um avião para o fundo falso de um caminhão. Na época, os suspeitos tentaram dizer que transportavam hormônios bovinos. Edmur era um dos responsáveis pelo descarregamento da droga em Paranaíba.

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