25 de setembro de 2026

Cientistas descobrem novo coronavírus em morcegos brasileiros com traço similar ao da Covid

Uma equipe de cientistas brasileiros e estrangeiros identificou um novo tipo de coronavírus em morcegos do Brasil com uma característica em sua proteína spike similar à encontrada no Sars-CoV-2, o vírus causador da covid-19. Esse atributo é um dos que permitem ao SARS-CoV-2 infectar de forma eficiente as células humanas.

A descoberta, no entanto, ainda é preliminar e não confirma que esse novo coronavírus seja capaz de contaminar humanos nem de provocar epidemias.

O achado foi detalhado em um artigo científico publicado na segunda-feira, 27, na forma de pre-print na plataforma bioRxiv, ou seja, ainda não foi revisado por outros cientistas. No entanto, ele levanta o alerta para a circulação de novos patógenos potencialmente capazes de causar surtos.

A pesquisa também joga um holofote na importância de monitoramento genético mais amplo de vírus na América do Sul – até agora, os coronavírus associados a surtos de importância para a saúde pública tinham sido identificados principalmente na Ásia.

O estudo, liderado por cientistas de instituições do Japão, Brasil e outros países, analisou amostras de tecido intestinal de diferentes espécies de morcegos encontrados em áreas rurais e de floresta do Maranhão e de São Paulo.

Ao sequenciar o material genético, os cientistas encontraram, em um morcego da espécie Pteronotus parnellii do município de Riachão (MA), um genoma viral com grande semelhança com coronavírus como o SARS-CoV-2, o da covid-19, e o MERS-CoV, causador de um surto de uma síndrome respiratória no Oriente Médio em 2012.

O achado mais significativo no genoma desse novo vírus, que teve como nome sugerido BRZ batCoV, foi a presença de uma sequência de aminoácidos que forma o chamado sítio de clivagem da furina, um ponto que é reconhecido por uma enzima humana (a furina) capaz de ativar a proteína spike do vírus, que funciona como uma espécie de chave usada pelo vírus para “abrir a fechadura” da célula humana e infectá-la.

Esse sítio funciona como ferramenta molecular que pode facilitar a entrada do vírus nas células. No caso do SARS-CoV-2, acredita-se que essa estrutura tenha contribuído para a alta capacidade de transmissão do vírus.

“Dado o papel crucial do sítio de clivagem da furina em determinar o alcance de hospedeiros, a infectividade e a capacidade de transmissão entre espécies, essa descoberta fornece informações importantes sobre o potencial evolutivo e o risco zoonótico do BRZ batCoV encontrado em morcegos”, escreveram os autores no artigo.

Os pesquisadores destacaram ainda que sítios de clivagem da furina já foram identificados nas proteínas de superfície de outros vírus de RNA altamente patogênicos, como vírus causadores da gripe aviária e o do Ebola.

“Esses exemplos reforçam que a aquisição de sítios de clivagem da furina é uma adaptação evolutiva que pode surgir de forma independente em diversas famílias de vírus de RNA – frequentemente associada a um aumento do potencial de patogenicidade”, dizem no artigo.

Apesar disso, eles destacam que não há ainda qualquer evidência de que o novo vírus infecte pessoas. O achado, segundo eles, reforça a importância da vigilância viral em animais silvestres, especialmente em regiões tropicais sub-amostradas, como a América do Sul, onde há grande diversidade de morcegos e de ecossistemas propícios à emergência de novos vírus.

Eles ressaltam ainda que os resultados sugerem que outros sítios de clivagem da furina “podem surgir naturalmente em morcegos por meio de eventos de recombinação ou mutações de inserção, reforçando o papel desses animais como possíveis reservatórios de inovações genéticas relevantes para a emergência de doenças zoonóticas”.

Os morcegos são reservatórios naturais conhecidos para vasta gama de vírus, incluindo os coronavírus que causaram a SARS, a MERS e a covid-19. No entanto, a maioria das pesquisas até agora está concentrada em populações de morcegos na Ásia, África e Oriente Médio.

Leia mais em: https://correiodoestado.com.br/cidades/cientistas-descobrem-novo-coronavirus-em-morcegos-brasileiros-com/456882/

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