7 de maio de 2026

Pantanal respira: queimadas diminuem 86% nos primeiros meses de 2025

Foram atingidos 10,9 mil hectares, uma queda de 70,4 mil hectares em relação ao mesmo período do ano passado

O Pantanal registrou uma expressiva redução de 86% nas áreas queimadas durante o primeiro trimestre de 2025, segundo o relatório trimestral do Monitor do Fogo, do projeto MapBiomas.

O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (16), apontou que foram atingidos 10,9 mil hectares, uma queda de 70,4 mil hectares em relação ao mesmo período do ano passado, quando o bioma já sofria com uma das piores temporadas de incêndios desde 2020.

Apesar da melhora, especialistas e autoridades alertam que o resultado ainda não pode ser atribuído integralmente às ações preventivas. Para o coordenador do Prevfogo/Ibama em Mato Grosso do Sul, Márcio Yule, a redução é influenciada, sobretudo, por fatores climáticos.

“Ainda não é resultado de ações preventivas pois ainda está muito cedo. Apesar de que a distribuição de chuvas esteja irregular, chovendo mais em alguma localidade e menos em outra, em 2025 as Instituições Públicas, Privadas e a Sociedade Civil Organizada estão discutindo fogo desde o mês de janeiro”, afirmou Yule.

Segundo ele, desde o início do ano, uma série de ações e eventos vêm sendo promovidos para preparar a região para a temporada seca que se aproxima. Entre as iniciativas destacadas estão o Seminário Internacional de Manejo Integrado do Fogo, dias de campo com fazendeiros da região da Nhecolândia, e reuniões com sindicatos rurais e governos estaduais.

“Já tivemos Seminário Internacional de Manejo Integrado do Fogo, Dia de Campo com os fazendeiros do Pantanal da Nhecolândia e Sindicato Rural de Corumbá onde trabalhamos com as queimas prescritas e o que podemos fazer preventivamente. Enfim, o MMA já reuniu com os Estados de MS e MT para discussão do fogo no Pantanal, além de um plano de ação em conjunto sobre o Manejo Integrado do Fogo”, explicou.

Yule destaca ainda que o ano passado foi marcante pela intensidade dos incêndios, que consumiram cerca de 17% do Pantanal – ainda menos do que em 2020, quando o fogo devastou mais de 4 milhões de hectares.

“É muito, mas em condições climáticas piores que 2020, que foi o pior incêndio de todos os tempos, queimou um milhão de hectares a menos. Ano passado trabalhamos no combate bem organizados, com todas as instituições atuando juntas. Todos os eventos de 2025 contaram com a presença de todas essas instituições.”

A expectativa é que esse trabalho articulado se intensifique com o aumento do efetivo de brigadistas. De acordo com o coordenador, o Prevfogo contou com 110 brigadistas em 2021. Em 2025, esse número subiu para 187 brigadistas apenas em Mato Grosso do Sul, reforçando a capacidade de resposta aos focos de incêndio.

Apesar do avanço, Yule faz um alerta sobre a necessidade de mudar a abordagem sobre o tema. “A sociedade também está mais alerta quanto a isso. Temos que falar mais da gestão do fogo e menos de incêndios florestais. E acredito que estamos no caminho certo”, concluiu.

Equipe do Prevfogo no combate aos incêndios no Pantanal, no ano passado (Foto: Augusto Dauster/Prevfogo/Ibama)

Desafios – O relatório do MapBiomas revela que, embora o Pantanal tenha registrado queda significativa nas queimadas, 78% da área total queimada no país entre janeiro e março corresponde a vegetação nativa. No bioma pantaneiro, as formações campestres seguem como as mais afetadas, ainda que em menor extensão neste trimestre.

Além do Pantanal, outros biomas também apresentaram melhora, como a Caatinga, com redução de 8% na área atingida. Já o Cerrado, ao contrário, teve aumento de 12% nas queimadas em relação a 2024, o que acende o alerta sobre a dinâmica regional do fogo no Brasil.

A diminuição das queimadas no Pantanal é, portanto, um sinal positivo, mas longe de significar o fim da preocupação. Com a seca se aproximando e o histórico recente ainda vivo na memória, o bioma continua demandando vigilância constante e estratégias articuladas entre governos, produtores rurais e sociedade civil.

“É importante entendermos que a estação seca de 2025, que se aproxima, possivelmente ainda será forte, o que pode reverter essa condição de redução”, alerta a diretora de Ciência do IPAM e coordenadora do MapBiomas Fogo. Fonte: Campo Grande News

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