7 de maio de 2026

Construindo o futuro, indústrias se transformam rumo à neutralidade de carbono em MS

Setor está em sintonia com a ousada meta de tornar MS carbono neutro até 2030

Texto: Maisse Cunha

No caminho em direção a um planeta mais sustentável, o setor industrial se destaca como peça-chave rumo à política global de neutralização do carbono.  Seu papel basilar nesse contexto não só determinará as diretrizes da política econômica, como também será crucial para selar as metas e acordos internacionais firmados por governos e instituições para redução dos gases de efeito estufa.

Mais “verdes” e conscientes, as indústrias têm se apresentado como grande aliadas na busca por soluções inovadoras para enfrentar os desafios da sustentabilidade, ao adotar práticas cada vez mais responsáveis para compensar os níveis de dióxido de carbono (CO2) emitidos em seus processos de produção.

Conhecido por gás carbônico, o dióxido de carbono (CO2) é um gás presente naturalmente na atmosfera, representando 0,036% de sua composição. Ele também é emitido durante a queima de combustíveis fósseis e biomassa, bem como em processos industriais, sendo o gás com maior contribuição para o aquecimento global.

Com essa convergência entre o setor industrial e as políticas de redução dos gases do efeito estufa, empresas que apostarem na inovação e na sustentabilidade, certamente darão um “salto” na avaliação dos consumidores e investidores conscientes, além de reduzirem custos operacionais através da eficiência energética e incentivos fiscais.

Em Mato Grosso do Sul, agenda verde é pauta séria

Primeiro Estado do Brasil a assumir o compromisso de neutralizar suas emissões de carbono, Mato Grosso do Sul adotou a pauta como uma estratégia de desenvolvimento sustentável, iniciada lá atrás, em 2014, com a Lei Estadual Nº 4.555, de autoria do deputado estadual Paulo Corrêa (PSDB), que instituiu a Política Estadual de Mudanças Climáticas e o Plano Estadual MS Carbono Neutro, regulamentado em 2021.

A norma estabelece um conjunto de ações coordenadas e medidas contundentes para o poder público, setor empresarial e sociedade civil para que, em território sul-mato-grossense, as emissões dos gases do efeito estufa sejam neutralizadas até 2030, antecipando em 20 anos a meta estabelecida no Acordo de Paris.

Esse ousado propósito, aliado ao ambiente favorável de negócios construído ao longo dos anos, com a mais moderna política de incentivo fiscal do país, atrai colossais investimentos privados que transformam a realidade dos municípios e geram emprego e renda para a população.

“Temos três biomas que são o Pantanal, Mata Atlântica e Cerrado, uma agropecuária muito forte, uma industrialização muito forte, baseada nessa matriz de produção. Com isso, vem toda a nossa responsabilidade e ações neste sentido, que envolve o setor público e o setor privado, como incentivo fiscal do setor produtivo, lastreado em boas práticas de produção, agenda da biodiversidade.  Juntos, estados que tem isso [agenda verde] como prioridade, podem fazer a diferença para o Brasil”, acredita o governador Eduardo Riedel.

Titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck explica que o Estado tem desenvolvido e adaptado tecnologias para redução dos gases do efeito estufa em vários setores da economia para obter o status de reconhecimento internacional como “carbono neutro’’.

“Dentro do projeto da economia de baixo carbono em Mato Grosso do Sul, estamos desenvolvendo e adaptando tecnologias para a redução e mitigação das emissões de gases de efeito estufa em vários setores da economia do estado, contribuindo para atingir os objetivos do Programa Estadual de Mudanças Climáticas, o Proclima”, afirma Verruck.

Em MS, indústrias já “nascem” carbono neutro

Planta da Eldorado em Três Lagoas sequestrou 16x mais carbono do que emitiu em suas operações.  Crédito: Divulgação/Eldorado

Instalada em Três Lagoas, a Eldorado Brasil tem a sustentabilidade como um de seus pilares desde sua fundação. A empresa é autossuficiente na geração de energia verde, em razão do uso de fontes renováveis na produção da celulose e na geração de energia, a partir da biomassa de eucalipto e resíduos orgânicos gerados durante o processo produtivo.

“A empresa foi estruturada, desde o início, com foco na gestão ambiental em todas as operações. Na concepção do projeto da fábrica de celulose em Três Lagoas, por exemplo, já implementamos as tecnologias mais modernas e os equipamentos mais robustos para a baixa emissão de carbono”, narra o gerente de Sustentabilidade da companhia, Fábio José de Paula.

Em 2022, a gigante da celulose colecionou um resultado impressionante. Ela sequestrou 16x mais carbono do que emitiu em suas operações, removendo 4,5 milhões de toneladas de carbono equivalente graças às suas florestas de eucalipto, conforme divulgado em seu Relatório de Sustentabilidade.

Com a entrada em operação da Usina Termoelétrica Onça Pintada (UTOP), em 2020, a empresa aumentou sua capacidade de geração de energia renovável em 50 MWH, o suficiente para abastecer uma cidade de 700 mil habitantes.

As boas práticas de ESG (ambiental, social e de governança) implementadas pela companhia também refletem em sua produção e faturamento.

Com 260 mil hectares de floresta de eucalipto plantada, além de florestas nativas, a empresa produziu, em 2022, 1,832 milhão de toneladas de celulose – 3,1% a mais que no ciclo anterior -, o que lhe garantiu receita líquida de R$ 7,5 bilhões e EBITDA [indicador financeiro que mostra o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização] ajustado a R$ 4,6 bilhões, faturamento 24,5% e 30% superior a 2021, respectivamente.

Para alcançar números tão expressivos, “a empresa se compromete com a conservação da biodiversidade nas suas áreas de atuação e os indicadores ambientais (energia, água e efluentes, emissões e resíduos) são monitorados sistematicamente para que a companhia se torne cada vez mais eficiente”, complementou o diretor de RH, Sustentabilidade e Comunicação, Elcio Trajano Junior.

Eficiência é palavra de ordem na indústria

Um dos setores mais visados da economia e um dos mais cobrados para adoção de princípios e práticas mais sustentáveis, a indústria têm apresentado soluções inovadoras e também demonstrado preocupação com questões como transparência, ética, diversidade, inclusão, entre outras.

“Temos um conjunto de soluções para atender nossas indústrias aqui em Mato Grosso do Sul, tanto na parte ambiental, com serviços de eficiência energética, gestão ambiental, logística reversa, entre muitas outras soluções, como também na parte social, com programas e serviços que buscam implementar uma cultura preventiva para garantir a saúde e a segurança do trabalhador, cursos de qualificação, em diferentes áreas, para preparar esse profissional para se inserir na indústria ou até mesmo para atualizar esse trabalhador que já está atuando no setor”, exemplifica a assessora do núcleo de ESG da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems), Cláudia Borges.

Para Cláudia Borges, chefe do núcleo de ESG da Fiems, práticas sustentáveis já não são diferencial, mas, sim, pré-requisitos para empresas. Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Além de auxiliar as indústrias para uma gestão mais sustentável, tais soluções, conforme Cláudia Borges, são pré-requisitos para empresas que queiram se posicionar positivamente no mercado global, cada vez mais exigente.

“Esse arcabouço de práticas já não é mais um diferencial, é algo que as empresas precisam fazer para demonstrar sua contribuição para os desafios que estamos enfrentando, como escassez de recursos, problemas sociais, ambientais. Se não fizer isso, ela vai ficar para trás. Não é só o cliente que não vai comprar dela, mas também os investidores, o governo e a própria sociedade. E isso já está acontecendo. O ESG não é uma moda, veio para ficar”, crava.

Limpa, energia renovável atrai investimento bilionário para MS

E nesse caminho rumo a um planeta mais sustentável, o uso de energia renovável, como a fotovoltaica, tem crescido mês a mês, em Mato Grosso do Sul, com a instalação de painéis solares em residências, comércios, indústrias, propriedades rurais e prédios públicos. Dados divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em agosto, revelam que o Estado já é o nono do país em geração de energia solar, com 113.955 unidades consumidoras instaladas.

E os investimentos no setor não param. O grupo espanhol Solatio anunciou, em abril, investimento de R$ 8,5 bilhões para construção daquela que se tornará a maior fazenda de energia solar do Estado, com 3,5 mil hectares de painéis solares com capacidade de geração de 2,5 gigawatts de energia elétrica.

“O investimento é fundamental para a nossa política de incentivo à geração de energia limpa e renovável em Mato Grosso do Sul”, destaca Jaime Verruck, anunciando que a instalação das placas solares inicia ainda em setembro, com previsão de geração de energia limpa em janeiro de 2025.

Conforme o titular da Semadesc, Mato Grosso do Sul já é um Estado superavitário na produção de energia elétrica e a maior parte dela (79,6%) provém de fontes renováveis. “Nossa matriz energética já é essencialmente renovável, mas queremos atingir a meta de 100% de nossa energia produzida no Estado de uma forma sustentável”, afirma.

Alívio para o meio ambiente e para o bolso

E não são apenas grandes indústrias que tem a preocupação com o meio ambiente como um norte em suas ações. As pequenas e médias empresas, além de fazerem sua parte pelo planeta e pelo futuro das próximas gerações, também enxergam no uso de energia renovável, como a energia solar, uma possibilidade de redução de custos em sua estrutura.

Dados do Sebrae, constantes no Plano Estadual de Incentivo ao Desenvolvimento das Fontes Renováveis de Energia (MS Renovável), revelam que a participação da energia elétrica nos custos das micro e pequenas empresas gira em torno de 10%, podendo chegar a 20%, o que tem estimulado cada vez mais o uso da energia fotovoltaica.

“Fica cada vez mais perceptível que a instalação de um sistema fotovoltaico é benéfica para qualquer segmento, seja ele residencial, comercial, em qualquer escala. Então, a gente tem um pequeno produtor, um pequeno negócio, um pequeno serviço, uma pequena casa, que são beneficiadas pelo uso da energia solar, assim como uma grande empresa, uma organização, uma indústria, um condomínio’, pontua o engenheiro eletricista e mestrando em Eficiência Energética e Sustentabilidade, Gabriel dos Santos Correia.

Proprietário da G.ON engenharia elétrica, Gabriel destaca que embora haja um investimento inicial para a instalação das placas solares numa residência ou num pequeno negócio, a transição para um sistema de energia fotovoltaica gera um retorno quase imediato para o consumidor.

“Essa redução já vai vir logo no primeiro instante, no momento da instalação da energia solar. Cada dia que passa, a gente tem mais incentivos, diminuição no preço dos equipamentos, no preço da instalação, o que torna o retorno sobre esse investimento cada vez mais rápido, então, a energia fotovoltaica é benéfica para qualquer segmento da sociedade”, esclarece.

Foi o caso do empresário Manassés Vieira da Silva, proprietário da SM Publicidade. Ele conta que a energia gerada pelas placas solares instaladas em sua casa, onde também funciona a empresa, gera um excedente suficiente para suprir o consumo de energia da casa da sua mãe, que, assim como ele, passou a pagar somente a taxa mínima pela distribuição.

“Existe um custo inicial, mas hoje em dia há várias formas de financiamento. Às vezes, com o valor que você paga de energia elétrica, você paga esse investimento. É um dos melhores investimentos que você pode fazer, sem sombra de dúvidas, porque o retorno é imediato. E aqui no meu caso, consigo suprir minha demanda e ainda ajudar minha mãe, então são duas famílias beneficiadas”, comemora.

Placas solares do projeto Ilumina Pantanal levaram energia elétrica a mais de 2,8 mil famílias pantaneiras. Crédito: Chico Ribeiro

 

Manassés pontua, ainda, os benefícios do uso de energia limpa para o meio ambiente. “[a transição] Gera um impacto muito grande a curto, médio e longo prazo e, com certeza, é uma forma de cada cidadão fazer sua parte. Faz bem para o meio ambiente e também para o nosso bolso”, avalia.

 

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