28 de setembro de 2026

Linhas de crédito são ampliadas, mas burocracia continua

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou medidas para injetar R$ 55 bilhões no sistema financeiro brasileiro, dos quais R$ 5 bilhões foram disponibilizados para o setor empresarial. Assim como o governo estadual liberou R$ 50 milhões do Fundo Constitucional do Centro-Oeste (FCO) para capital de giro das micro, pequenas e médias empresas. As condições de pagamento foram facilitadas, mas o acesso ao crédito continua burocrático.

O setor empresarial pede flexibilização também das garantias, que continuam as mesmas de um período em que não há crise.

As medidas foram anunciadas como facilitação para que o setor empresarial sofra menos os impactos da pandemia do novo coronavírus (Covid-19). O BNDES oferece para as micro, pequenas e médias empresas uma ampliação de crédito de R$ 10 milhões para R$ 70 milhões, a fim de aumentar o capital de giro. A taxa de juros é formada pela instituição financeira somando a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) com 1,25% mais a taxa do agente financeiro.

Ainda sobre o BNDES, as linhas disponibilizadas para os empresários financiarem seu capital de giro são operadas pelo Bradesco (micro, pequena e média empresa), pela Caixa (pequena empresa), pelo Santander (micro, pequena e média), Sicredi (micro e pequena) e Tribanco (pequena e média).

As taxas finais estimadas (depende de cada banco operador), conforme o BNDES, são de 11,88% (microempresa), 11,18% (pequena empresa) e 14,25% (média empresa).

A classificação das empresas é baseada na receita bruta anual. As micro têm um teto de faturamento de R$ 360 mil, as pequenas, entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões, e as médias, entre R$ 4,8 milhões e R$ 300 milhões.

Já a linha de crédito do FCO tem prazo de 24 meses para pagamento, incluindo o período de carência de seis meses. A taxa de juros varia entre 4,73% e 5,61% ao ano, dependendo do porte e da localização do empreendimento. O teto de contratação é de R$ 10 mil para microempreendedor individual (MEI), R$ 20 mil para microempresa, R$ 540 mil para pequena empresa e R$ 800 mil para pequena e média empresa.

ACESSO

As condições para pagamento foram facilitadas, mas o acesso continua burocrático. De acordo com o gerente de desenvolvimento de negócios do Sicredi, Benjamin Greco, cada instituição financeira tem suas condições para tomada de crédito.

“Os agentes financeiros, que são bancos e cooperativas, têm o padrão de formalística, de documentação, mas não mudou nada em relação ao que era anteriormente, só está existindo a disponibilização da linha. Então, a pessoa tem que ser correntista da instituição financeira que opera essas linhas”, explicou o gerente.

Os valores, prazos e garantias continuam em função da instituição financeira, ou seja, não houve relaxamento os critérios de análise. “Depende de cada instituição que a pessoa for tomar o crédito, mas é uma linha de juros muito baixos, que devem ficar próximos de 6% ao ano, então, é muito barato, mas depende de cada instituição”, informou Greco.

O economista da Agricon consultoria, Hugo Garcia da Silva, reforça que todo crédito é vinculado a uma instituição financeira. “Então, como que o empresário consegue crédito? É preciso contato com a instituição financeira para realmente você poder mandar as documentações necessárias. Pode ser por meio do aplicativo da instituição financeira ou ele vai ter que ligar no celular do gerente dele para que possa encaminhar a documentação necessária para fazer atualização do cadastro e aí gerar o limite de crédito”.

O economista reforça que a instituição precisa avaliar o risco dessa operação. Sem isso, ela não vai conceder capital de giro para nenhuma empresa. “As empresas com problemas de restrição vão ter dificuldades em acessar esses créditos governamentais. Apesar de ser um capital de giro, o banco avalia o risco e, quanto menor ele for, melhor a chance de conseguir esse financiamento”, reforçou Silva.

O primeiro secretário da Associação Comercial e Industrial de Campo Grande, Roberto Oshiro, lamentou as barreiras que os bancos impõem neste momento de crise. “As empresas não podem dar garantia a curto prazo. É preciso dar um voto de confiança nesse momento, até porque o dinheiro foi disponibilizado pelo Governo Federal em caráter de exceção e eles precisam chegar até a ponta”, afirma. “E o pior é que os bancos, mesmo nesse momento, empurram outros serviços, como seguro, capitalização. Uma venda casada, ainda que velada, complementa.

INSTITUIÇÕES

O Banco do Brasil informou ao Correio do Estado que, no caso das linhas com recursos de terceiros, tais como o FCO, “estamos desenvolvendo as soluções e aguardando adequações operacionais com os órgãos competentes”. Os recursos do FCO podem ser acessados por meio do Banco do Brasil, Sicredi e Sicoob.

A Caixa Econômica Federal informou que os clientes podem entrar em contato por meio do WhatsApp Caixa, (0800-726-8068) ou aplicativo.

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