26 de setembro de 2026

Queimada controlada evita desastres ambientais

O fim do mês de outubro e o começo de novembro não foram favoráveis para o Pantanal em razão da grande queimada que atingiu a região no período. Os 13 dias de grande incêndio no Parque Estadual do Rio Negro dizimaram cerca de 30% da área atingida.

Diferentemente deste tipo de evento, existe uma forma de queimada “benéfica”, que é autorizada pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul): a queimada controlada ou prescrita.

Um grupo de pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Pantanal afirma que este tipo de queimada consiste em reduzir a quantidade de material vegetal seco acumulado, que pode se tornar combustível para incêndios de grandes proporções, como o que ocorreu. A pedido da reportagem do Correio do Estado, os profissionais responderam a uma série de perguntas e o texto elaborado por eles foi posteriormente encaminhado pela Embrapa.

“As queimadas prescritas são utilizadas somente em áreas específicas, delimitadas previamente e com atenção especial a uma série de fatores que podem interferir nos objetivos desejados. Estes fatores são condições climáticas ideais (alta umidade relativa do ar, alta umidade do solo, baixa temperatura, força e direção do vento), quantidade e tipo de material combustível, tamanho da área, disponibilidade de pessoal e equipamento para controle do fogo e construção de aceiros”, diz resposta enviada ao Correio do Estado.

De acordo com eles, essa opção não serve somente para queimar material combustível, mas também é usada em áreas de serviço da agropecuária e agricultura. “A queima prescrita também serve como uma alternativa para o manejo de pastagens, controle de pragas, doenças e limpeza de áreas de plantio agrícolas, explicaram.

Vários fatores foram determinantes para a proporção do incêndio naquela região, que precisou da intervenção do governo do Estado. “[Aconteceram] em condições climáticas desfavoráveis de extrema seca, com baixa umidade relativa do ar, altas temperaturas e fortes ventos. Dessa maneira, o fogo se propagou de forma descontrolada e indiscriminada sobre campos e matas, consumindo a biomassa da vegetação e afetando a flora e a fauna de maneira imprevisível”.

Trabalho de combate ao fogo exigiu o empenho de cerca de 300 pessoas das unidades do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Distrito Federal, além do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Exército e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de funcionários das fazendas.

A área de atuação da operação foi de 572,2 mil hectares do Parque Estadual. Deste número, mais de 180,4 mil hectares foram atingidos pelo fogo – área equivalente a 262 campos de futebol de 7,1 mil metros quadrados. Porém, 68% (391,8 mil hectares) desta área dentro do parque permaneceu preservada após a tragédia ambiental. O trabalho de rescaldo na área foi encerrado no dia 14 de novembro, segundo o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros de MS, Fernando Carminati. A chuva, que não apareceu em outubro, surgiu no início de novembro e ajudou a controlar o fogo.

CONSEQUÊNCIAS 

Os prejuízos para a vegetação e os animais são incalculáveis e o futuro dessa área é incerto, segundo pesquisadores da Embrapa Pantanal. “Os reflexos dessa situação são difíceis de prever, talvez até impossíveis, dada a extensão das áreas afetadas e a falta de levantamentos do que foi perdido”, garante a instituição.

Em análise prévia dos pesquisadores, a vegetação pode se recuperar, mas em alguns casos ocorrerão transformações em sua estrutura. “Várias espécies de plantas que ocorrem no Pantanal são oriundas do Cerrado e apresentam características adaptativas ao fogo (troncos com casca mais grossa e capacidade de rebrota), pois queimadas naturais, em consequências de raios, tendem a ocorrer durante a estação chuvosa. Assim, essas áreas queimadas devem se recuperar, mas as queimadas que ocorrem durante o período seco, geralmente mais intensas, podem resultar em alterações na estrutura e na composição das espécies, principalmente nas matas onde as árvores são mais susceptíveis ao efeito do fogo”, avaliaram.

Já para a fauna, esta queimada terá reflexos catastróficos. Insetos e animais com baixa capacidade de locomoção podem ter sido extintos ou deixados à beira da extinção na área afetada pelo fogo. Porém, os especialistas indicam que isso não significa que essas espécies foram extintas do Pantanal, já que a maior parte do bioma foi mantido intacta. “É de se esperar que leve um longo tempo para que a recolonização dessas áreas ocorra e tudo volte ao que era antes. No entanto, é improvável que isso ocorra rapidamente”.

Fonte: Correio do Estado

Populares da Semana

Governo atende vereador Ney Portela e faz manutenção na estrada da Praia da Amizade

O governo do Estado, através da Agesul, atendeu solicitação...

Eduardo Riedel se reúne com mais três governadores em Porto Alegre

Governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel. (Foto:...

Tratorista mata ex-enteado com sanduíche de mortadela envenenado com chumbinho

João do Nascimento Batista, 62 anos, confessou o crime...

Prefeitura de Naviraí inicia entrega de 150 novos computadores para escolas da Rede Municipal

A atual gestão da Prefeitura de Naviraí segue investindo...

Aliados de Beto Pereira entregam 3.200 fraldas geriátricas no Lar São Francisco

O deputado federal Beto Pereira destinou verbas para a...

Vereador Neninha prestigia grande reunião de Paulo Corrêa na Capital

No maior evento da campanha até o momento, o...

Brasil promulga acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA

O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e...

Médico do HC da USP de Ribeirão Preto é afastado após ironizar paciente com sobrepeso

Guilherme Lourenço Monteiro, médico residente do Hospital das Clínicas...

Conselho do MPF tem 3 votos para manter Gonet à frente do caso Master

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) tem...

ASSENTAMENTO NOSSA SENHORA AUXILIADORA COMPLETA 27 ANOS DA SUA FUNDAÇÃO.

Hoje celebramos os 27 anos do Assentamento Nossa Senhora...

Informativo rampa náutica do Centro Náutico Marinas

O Município de Guaíra por intermédio da Secretaria Municipal...

Artigos Relacionados

Categorias Populares