6 de novembro de 2026

Gaeco aponta novo grupo de elite da polícia envolvido com o tráfico de drogas

O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), voltou às ruas para uma segunda fase da Operação Infiltrados depois de novos desdobramentos da investigação apontar diversos policiais ligados à Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron) envolvidos no esquema de desvio de drogas apreendidas. Essa é a segunda delegacia especializada, considerada de elite, a ter homens envolvidos com traficantes.

Conforme nota oficial divulgada pelo órgão, a Operação Infiltrados II cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão nos municípios de Dourados, Ponta Porã, Nova Andradina e Santa Terezinha de Itaipu (PR). Ao todo, nove policiais que, de junho de 2025 a maio deste ano, estavam lotados na Defron foram alvo de medidas cautelares ontem.

“O modus operandi adotado pela organização criminosa consistia no desvio de drogas apreendidas em ocorrências policiais, seja pela subtração de entorpecentes diretamente na diligência policial ou posteriormente do depósito da delegacia, como ainda quando era transportada para incineração, sendo entregue então para traficantes que ficavam responsáveis por reintroduzir o estupefaciente no mercado ilícito”, explica o MPMS.

Quanto à operação, o Ministério Público diz que, em uma das ações investigadas, ocorrida em setembro de 2025, foram desviados mais de 500 quilos de cocaína, que seriam levados à incineração, caminho natural das drogas apreendidas.

“Os policiais que integram a organização criminosa se valiam de suas funções públicas exercidas no combate à criminalidade para, em completa subversão de seus deveres funcionais, atuarem como verdadeiros fornecedores para o tráfico”, reforça.

À imprensa, a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul informou que os fatos investigados pelo Gaeco foram alvo de processos internos na instituição há quatro meses, por meio da Corregedoria-Geral, com Inquérito Policial e Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD).

“Desde o início das apurações, foram adotadas medidas administrativas e correcionais, incluindo adequações de procedimentos operacionais, remoções de servidores e realização de correição extraordinária na unidade policial, com o objetivo de identificar eventuais irregularidades, apurar responsabilidades e fortalecer os mecanismos de controle interno”, afirmou.

Por fim, a Polícia Civil disse achar “inadmissível qualquer utilização da função pública, da estrutura policial ou dos instrumentos destinados ao combate à criminalidade para a prática de ilícitos”. E acrescentou que as diligências internas terão continuidade, com a adoção de todas as medidas administrativas e disciplinares cabíveis.

INVESTIGADOS
Um dos investigados é o delegado Guilherme Scucuglia Cezar, que comandou a Defron durante o período citado pelo órgão. No dia 27 de maio deste ano, ele deixou o comando do departamento especializado e foi designado para a Delegacia Regional de Polícia Civil de Nova Andradina, onde ficou lotado até o dia 10 de setembro. Quatro dias depois, foi anunciado como delegado-adjunto na Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Roubos e Furtos (Derf).

De acordo com o portal de transparência do Estado, o delegado recebeu quase R$ 500 mil durante seu tempo à frente na Defron, média de R$ 34,9 mil por mês – incluindo 13º recebido no fim do ano passado. No último salário enquanto delegado, em setembro, Guilherme recebeu mais de R$ 60 mil.

Os outros policiais investigados na operação são: Rogério da Rocha Ferreira, Rodrigo Carpes da Silva, Anderson Mirandola, Cassiano Rodrigues Teixeira, Eumer Cordeiro Barbosa, Oseias Medeiros da Silva, Gustavo dos Santos Sayão e João Marcos Garcia.

Apuração do Correio do Estado identificou que Rogério saiu da Defron em novembro de 2025, transferido para uma Delegacia de Caarapó.

João Marcos Garcia deixou o departamento especializado no dia 22 de abril deste ano, com destino à Delegacia de Atendimento à Mulher de Dourados.

Quanto a Oseias, não foi encontrado com precisão quando ele deixou a Defron, mas publicações do Diário Oficial do Estado indicam que ele está em Dourados.

O restante saiu da Defron no mesmo dia do delegado Guilherme Scucuglia, sendo repassados para delegacias no interior do Estado.

A defesa do delegado confirmou que ele foi alvo de um mandado de busca e apreensão, porém, dará mais esclarecimentos sobre o fato em uma coletiva de imprensa hoje.

1ª FASE
No dia 24 de setembro, a Justiça expediu 24 mandados de prisão preventiva, dois de prisão temporária e 38 mandados de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos. Entre os investigados estavam policiais civis, policiais militares e um policial penal.

A investigação apontou que a cocaína seria o principal entorpecente desviado pelo grupo. Uma das suspeitas é de que a quantidade de droga encontrada em determinadas ocorrências fosse superior à registrada oficialmente. Dessa forma, parte do entorpecente ficaria fora dos documentos de apreensão e poderia ser desviada.

Outra linha investigada envolve a retirada de drogas que já estavam formalmente apreendidas e armazenadas em depósitos de delegacias. De acordo com o MPMS, os entorpecentes desviados seriam posteriormente entregues a traficantes ligados ao grupo.

A ação resultou na prisão do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, que foi do Grupo Armado de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros (Garras) e da Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar).

Leia mais em: https://correiodoestado.com.br/cidades/2026/11/06/gaeco-aponta-novo-grupo-de-elite-da-policia-envolvido-com-o-trafico-de-drogas.html

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