21 de outubro de 2026

Defesa de policiais denunciados por desvio de drogas na Denar tentará trancar ação na Justiça

A defesa dos policiais presos na Operação Infiltrados, deflagrada em setembro, e denunciados por desvio de drogas na Denar (Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico) — em esquema que seria chefiado pelo delegado Hoffman D’Ávila — vai tentar trancar a ação que corre na Justiça.

A defesa afirmou que vai entrar com pedido de habeas corpus para Augusto e Marcos André para tentar trancar a ação penal, por conta de ilegalidades e inconsistências apontadas, e também pedir a concessão da liberdade.

Isso porque, na visão dos advogados, a investigação teria usado acontecimentos distintos. “[…] o trecho inicial da denúncia retoma elementos de um depoimento prestado em Delegacia de Polícia que já foi objeto de ação penal na qual Augusto Torres Galvão Florindo foi absolvido por insuficiência de provas”, diz nota divulgada.

“A defesa demonstrará, pelas vias legais, que imputações de tamanha gravidade exigem provas consistentes, coerência narrativa e respeito às decisões judiciais”, finaliza o texto.

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial na Repressão ao Crime Organizado) pediu à Justiça a perda dos cargos do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, de outros oito policiais civis e um policial penal.

O pedido consta na denúncia oferecida no dia 9 de outubro, que também pede a condenação dos agentes públicos por crimes de integrar organização criminosa, corrupção, peculato, lavagem de capitais e tráfico de drogas, em alguns casos.

Os alvos do pedido de perda de cargo são:

  • Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa — delegado da Polícia Civil;
  • Douglas Tobias — policial civil;
  • Luiz Carlos de Souza — policial civil;
  • Marcos André Santos Chaves — policial civil;
  • Nelson Ricardo Barros de Oliveira — policial civil;
  • Neverson Vieira de Araújo — policial civil;
  • Nilton Cesar Sales dos Santos — policial civil;
  • Roberto Palmeira da Silva — policial civil;
  • Augusto Torres Galvão Florindo — policial civil;
  • Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos — policial penal.

Conforme a denúncia, a medida é necessária, “haja vista que as condutas criminosas por eles praticadas tornam incompatível a sua permanência nos quadros da Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul e da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário do Estado de Mato Grosso do Sul (AGEPEN/MS)”.

Por fim, o Gaeco pede o pagamento de R$ 10 milhões dos denunciados “a título de danos morais coletivos, bem como para a reparação dos danos causados pelas infrações perpetradas pelos denunciados”.

Defesa de delegado diz que denúncia é baseada em recortes

A defesa do delegado Hoffman, feita pelo advogado José Roberto Rosa, afirma que as provas apresentadas serão questionadas durante a instrução processual. Segundo o advogado, a análise dos elementos em seu contexto integral deve demonstrar que o delegado não participou dos ilícitos investigados.

O advogado também destacou que as provas serão contestadas durante o processo judicial e demonstrou confiança no resultado. “Temos certeza de que, ao final, a verdade vai prevalecer e vai ficar demonstrado que o delegado não teve qualquer participação nesses eventos”, declarou.

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