A Justiça Federal condenou três comerciantes de Mato Grosso do Sul por formarem uma organização criminosa especializada no descaminho de eletrônicos do Paraguai. O trio foi alvo da Operação Iscariotes, da PF (Polícia Federal).
Mesmo preso, Clenio ainda exercia influência na organização criminosa por meio dos dois filhos, Brendon e Bruno Natan Medeiros Tavares. Era Bruno o responsável por montar os compartimentos ocultos nos veículos para trazer os eletrônicos do país vizinho.
Participavam do esquema os policiais civis Edivaldo Quevedo e Célio Rodrigues Monteiro, o Manga Rosa; o policial militar da reserva Alécio Aparecido Lezo, o Grandão; o policial federal Miguel Freire; os policiais rodoviários federais aposentados Walter Nascimento Vieira e Antônia Lucilene Teixeira; e o bombeiro militar da reserva Ivanilton Oliveira da Silva. Dois lojistas de Minas Gerais também foram identificados como parte da organização criminosa.
Na decisão, o juiz federal Felipe Alves Tavares, da 2ª Vara Federal de Campo Grande, citou que a organização criminosa movimentou R$ 15,5 milhões em pouco mais de dois anos.
Ao avaliar o papel de cada um, o magistrado descartou a tese das defesas de que o trio atuava como comerciantes independentes, e não em família.
“A estabilidade e a permanência do vínculo associativo entre os réus e os demais integrantes identificados na denúncia estão amplamente documentadas nos autos, por meio de diálogos extraídos de aparelhos celulares ao longo de quase três anos e de sucessivas prisões em flagrante de integrantes transportando mercadorias do mesmo esquema”, pontuou.
Assim, Tavares condenou Clenio, Brendon e Bruno a 4 anos e 8 meses de reclusão em regime semiaberto. As prisões preventivas foram revogadas e eles poderão recorrer em liberdade.
Além disso, o juiz federal decretou o bloqueio de bens de pai e filho no valor de R$ 15,5 milhões, o que inclui dinheiro, uma mansão de Brendon em condomínio de luxo e outros imóveis, além de carros.
Em 18 de março de 2026, a PF e a Receita Federal realizaram a Operação Iscariotes para reprimir a atuação de uma organização criminosa que recrutava policiais para o contrabando de eletrônicos.
Entre os 90 mandados expedidos pela Justiça Federal, dois foram cumpridos em delegacias. Os investigadores da Polícia Civil Célio Rodrigues Monteiro, conhecido como “Manga Rosa”, e Edivaldo Quevedo da Fonseca, foram presos em casa, em Campo Grande.
O grupo era especializado na importação fraudulenta de grande quantidade de eletrônicos de alto valor agregado. Os eletrônicos eram importados sem documentação fiscal e sem a regularização dos órgãos de controle aduaneiro.
Os criminosos também contavam com a participação de agentes vinculados a órgãos de segurança pública, alguns aposentados e outros da ativa, que usavam de suas funções para favorecer a atuação do grupo.
Os agentes forneciam e monitoravam informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais e também atuavam no transporte das mercadorias. Durante as investigações, vários criminosos foram presos em flagrante, inclusive envolvendo a atuação direta de policiais.

