1 de outubro de 2026

Médico investigado por feminicídio é preso pela 2ª vez

O médico João Jazbik Neto, de 78 anos, foi preso nesta sexta-feira (14) em Campo Grande, investigado pela morte da esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos. O mandado de prisão preventiva foi expedido ainda ontem pela 2ª Vara do Tribunal do Júri, com tipificação relacionada à Lei do Feminicídio.

Fabíola foi encontrada morta em 18 de maio, na chácara onde vivia com o marido, no Jardim Veraneio. A ocorrência foi inicialmente tratada como morte suspeita, mas a Polícia Civil passou a investigar a hipótese de feminicídio após identificar inconsistências na dinâmica da morte

A prisão preventiva ocorre quase três meses após a morte da fisioterapeuta. A investigação é conduzida pela Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher).

Em 28 de julho, o Campo Grande News adiantou que o laudo necroscópico de Fabíola não encontrou sinais típicos de um disparo feito com a arma encostada ou a curta distância. O exame não identificou marcas de pólvora, fuligem, queimaduras ou outros vestígios esperados nesse tipo de disparo

A perícia, contudo, não apontou quem realizou o tiro nem concluiu se a morte foi homicídio ou suicídio. A causa da morte foi descrita como traumatismo cranioencefálico provocado por projétil de arma de fogo.

O documento também registrou três hematomas no corpo da fisioterapeuta: um de aproximadamente oito centímetros na região do peito, outro na mão direita e um terceiro na parte da frente da coxa direita. Para a família, os ferimentos e a conclusão sobre a distância do disparo fragilizam a versão de suicídio e reforçam a necessidade de investigação.

O irmão de Fabíola, José Flávio Marcotti, contou ao Campo Grande News que a fisioterapeuta teria passado os últimos anos sob controle e isolamento. Segundo ele, ela dizia que não podia sair sozinha, havia deixado de trabalhar e dependia financeiramente do marido

José Flávio também relatou que as conversas com a irmã passaram a ocorrer principalmente por videochamadas e que, em algumas ocasiões, ela interrompia os contatos ao perceber a chegada do marido.

No fim do ano passado, segundo o irmão, Fabíola chorou durante uma chamada e pediu ajuda para deixar o relacionamento. A família chegou a oferecer uma casa no litoral de São Paulo para que ela pudesse recomeçar a vida e voltar a trabalhar como fisioterapeuta.

Durante as diligências na época do ocorrido, a Polícia Civil também identificou indícios de possível fraude processual. Um armário com armas e munições teria sido retirado da casa principal após a morte da fisioterapeuta e levado para outro imóvel da propriedade

João Jazbik chegou a ser preso anteriormente por posse irregular de arma de fogo e fraude processual, mas conseguiu habeas corpus e passou a responder por esses crimes em liberdade, mediante medidas cautelares.

Se a morte de Fabíola for confirmada oficialmente como feminicídio, será o 12º caso registrado em Mato Grosso do Sul neste ano, elevando para 21 o número de mortes violentas de mulheres contabilizadas no Estado no período.

O médico passa por audiência de custódia na manhã deste sábado (15)

 

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