Uma comitiva de 37 prefeitos de Mato Grosso do Sul participou da 27ª Marcha em Defesa dos Municípios, em Brasília, para cobrar socorro financeiro às cidades e pressionar o Governo Federal por mudanças nos repasses públicos. O encontro reuniu mais de 15 mil participantes entre prefeitos, vereadores e secretários municipais.
Os gestores afirmam que a queda nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do ICMS, agravada pelos efeitos da Reforma Tributária, tem sufocado principalmente as cidades menores, que enfrentam dificuldades para manter investimentos e equilibrar as contas públicas.
Segundo o prefeito Tiago Carbonaro (PP), os municípios conseguem “sobreviver, mas não conseguem investir com recurso próprio”. Ele afirmou que a realidade fiscal atinge praticamente todas as cidades brasileiras.
“É uma pauta em que 90% ou 99% dos prefeitos estão segurando gastos, cortando despesas e freando investimentos”, declarou.
Em Fátima do Sul, o prefeito Wagner Roberto (PSDB) disse que a administração suspendeu novas contratações devido ao limite prudencial da folha salarial. Segundo ele, a prioridade é evitar novas dívidas e manter responsabilidade fiscal diante da redução mensal dos repasses estaduais e federais.
O gestor também chamou atenção para o peso da carga previdenciária herdada de administrações anteriores, problema que afeta principalmente municípios pequenos sem arrecadação própria.
Na mesma linha, o prefeito de Jardim, Juliano Guga Miranda (PSDB), afirmou que as prefeituras concentram a maior parte das demandas da população, mas recebem a menor parcela dos recursos públicos.
Já Marcelo Pé, prefeito de Antônio João, criticou os reflexos deixados por antigos gestores inadimplentes. Segundo ele, muitas cidades ficam impedidas de receber recursos e emendas parlamentares por conta de dívidas acumuladas em administrações passadas.
Durante a marcha, os prefeitos defenderam o aumento de 1,5% no Fundo de Participação dos Municípios, a redução para 8% da alíquota patronal do INSS e maior autonomia jurídica para a Confederação Nacional dos Municípios (CNM) atuar em demandas judiciais representando as cidades.
Cerca de 40 prefeitos de Mato Grosso do Sul participam da Marcha a Brasília para defender pautas sobre arrecadação, saúde, educação e finanças municipais – (Foto: Edson Ribeiro)
O presidente da Assomasul, Thales Tomazelli, prefeito de Iguatemi, destacou positivamente o compromisso do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, em barrar projetos de reajuste salarial sem previsão da fonte de recursos.
Outro ponto debatido foi a tentativa de derrubar vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2025. Os vetos impedem municípios inadimplentes de firmarem convênios e receberem transferências voluntárias, programas federais e emendas parlamentares.
Segundo dados da Agência Senado, mais de 3 mil municípios brasileiros possuem dívidas com a União.
Com o tema “O Brasil que dá certo nasce nos Municípios”, evento reúne mais de 15 mil gestores em Brasília – (Foto: Edson Ribeiro)
Além das pautas econômicas, a marcha também serviu como termômetro político para as eleições de 2026. A ausência de Lula foi criticada pelos prefeitos presentes, enquanto o vice-presidente Geraldo Alckmin foi alvo de vaias durante participação no evento.
Para os gestores, o episódio representou um recado político claro do municipalismo brasileiro aos futuros candidatos à Presidência da República.


