25 de maio de 2026

Arenavírus transmitido por roedores mata dois na Bolívia e preocupa fronteira

Duas mortes e pessoas internadas, entre elas, dois médicos. Esse é o número de bolivianos infectados na região de La Paz, capital da Bolívia, após exames clínicos apontarem a existência de um Arenavírus, um patógeno zoonótico transmitido por roedor silvestre.

O diagnóstico de febre hemorrágica, foi divulgado pela ministra de Saúde do país andino, Gabriela Montaño, durante entrevista coletiva para a imprensa da Bolívia, na quarta-feira, 03 de julho. “Tivemos um acompanhamento dos pacientes, seus sintomas e sinais, temos resultados laboratoriais que também contribuem e nos permitem chegar a essa conclusão”, explicou.

Ela ainda ressaltou que os exames laboratoriais foram realizados por Inlasa e Cenetrop, na própria Bolívia, além do centro de controle e prevenção de doenças em Atlanta, nos Estados Unidos, concluindo que se trata da doença transmitida ao homem por roedores encontrados em áreas de selva. “Em termos, o quadro clínico apresentado pelos pacientes infectados, é compatível com o vírus, sendo os principais sintomas: febre, dor muscular, dor abdominal e dor de cabeça”, alertou Gabriela Montaño.

O roedor responsável pela transmissão do vírus é um rato do campo, Calomys Callosus, e em humanos o contágio pode ocorrer por meio de espirros, saliva e até mesmo pelo sangue. No caso de dois médicos internados, eles foram expostos ao sangue de um dos dois pacientes que morreram.

A ministra ainda destacou que há uma evolução favorável de dois dos pacientes internados, e permanece com diagnóstico reservado para um dos médicos internados, motivo pelo qual continuará a aplicar medidas de segurança.

Embora o Ministério da Saúde assegure tais medidas para evitar novas infecções e que não seja necessário declarar alerta de saúde, o Colégio de Medicina de La Paz acredita que não há controle adequado e solicita três medidas urgentes a serem tomadas, para evitar uma possível propagação do vírus.

“Estamos em posição de informar à população que os resultados laboratoriais indicam que é um Arenavírus do Novo Mundo. A precisão no tipo desse vírus exige de 8 a 10 dias, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) de Atlanta (EUA) “, afirmou a ministra da Saúde, Gabriela Montaño.

A doença

Os antecedentes desta doença datam de 1959 a 1963, quando foi relatado que o vírus foi encontrado nos municípios de Magdalena, Baures e Huacaraje (província de Iténez), Puerto Siles, San Joaquín e San Ramón (Mamoré), de Beni.

Wilfredo Camargo, responsável pela Epidemiologia do hospital presidente Germán Busch, lembrou a presença, há mais de dez anos, do vírus Machupo I, transmitido pelo camundongo Calomys Callosus.

“É um vírus que descobri em 2007, quando trabalhava na sede, eu era o chefe da epidemiologia. Houve três casos da doença em pacientes que apresentaram os mesmos sintomas em Cochabamba e encontramos a doença na fronteira com Beni. O mal também é chamado de vírus Chapare, porque são os mesmos roedores, mas com outras características de aparência, responsáveis por transmitir”, explicou Wilfredo Camargo em entrevista ao jornal El Deber.

Fronteira de Corumbá

Devido ao reaparecimento do Arenavírus nas regiões montanhosas da Bolívia e por Corumbá estar situada em área de fronteira com cidades bolivianas, é necessário que haja uma atenção maior, principalmente de pessoas que estejam com viagens marcadas ou já estiveram nessa  região do país vizinho.

Conforme o médico infectologista da Secretaria Municipal de Saúde, Hilton Luiz Alves Filho, quem fez viagem recente à Bolívia, região de Santa Cruz a La Paz, ou teve contato com pessoas doentes ou roedores, devem ficar atentas aos sintomas e procurar atendimento médico de urgência.

“Não existe um tratamento específico eficaz, com antibióticos, por exemplo. Em alguns casos, são usados antivirais de uso restrito principalmente nos casos mais graves. A transmissão entre seres humanos é menos comum, mas pode ocorrer também por contato com as secreções das pessoas doentes. Ainda assim, uma pessoa infectada somente transmite o vírus a partir do momento em que ela já apresenta os sintomas da doença, que inicialmente parece um quadro de dengue com febre, dor no corpo e dor de cabeça, que pioram em 3 a 4 dias com prostração, sangramento e febre muito alta que não cede facilmente”, explicou Hilton ao Diário Corumbaense.

Infecções por vírus da família Arenavírus são raras e produzem um quadro febril com sangramento, geralmente com evolução rápida e grave, podendo levar a óbito de sete a dez dias após o aparecimento dos sintomas.

“Contudo, não há motivo para qualquer alarme, porque a transmissão não se dá pelo ar (como na gripe), ela ocorre por contato com secreções – urina, fezes, vômito e saliva – do doente ou de roedores”, concluiu o médico infectologista.

Fonte: Correio do Estado

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