26 de setembro de 2026

Com 11ª morte por chikungunya confirmada, Dourados concentra 64% dos óbitos em MS

Dourados confirmou mais uma morte por chikungunya e agora soma 11 óbitos pela doença em 2026. Epicentro da doença em Mato Grosso do Sul, o município concentra 64,71% das 17 mortes registradas no Estado e já igualou o total de óbitos contabilizados em todo o ano passado. Em comparação ao cenário nacional, MS reúne cerca de 70% das 24 mortes confirmadas no país.

Na última sexta-feira (8), um bebê indígena de apenas 48 dias também morreu em decorrência da chikungunya. Morador da Aldeia Bororó, ele estava internado no HU-UFGD desde o dia 3 de maio. A criança foi levada à unidade por equipes de saúde que atuam na Reserva Indígena de Dourados.

Dos 11 óbitos registrados no município, nove foram de indígenas. Entre as vítimas, estão três bebês — de 48 dias, 1 mês e 3 meses — e sete adultos, em sua maioria idosos, com idades de 29, 55, 60, 63, 69, 73 e 77 anos. As outras duas vítimas tinham 46 (branca) e 63 (negra) anos e residiam na zona urbana.

Outras três mortes seguem em investigação: a de uma criança indígena de 12 anos, que apresentou os primeiros sintomas em 28 de fevereiro, e a de dois homens não indígenas, de 84 e 50 anos, moradores da área urbana de Dourados.

 

Conforme os dados do boletim epidemiológico divulgado nesta segunda-feira (11) pela Prefeitura de Dourados, o município contabiliza 8.275 notificações da doença. Desse total, 5.410 são considerados casos prováveis, 3.374 foram confirmados e 2.010 seguem em investigação. Outros 2.865 registros estão descartados.

Somente entre a população indígena, que conta com mais de 20 mil habitantes, são 2.093 casos confirmados da doença nas aldeias Jaguapiru e Bororó. Além disso, os territórios indígenas somam 2.488 casos prováveis e 395 em investigação.

Atualmente, 28 pacientes seguem hospitalizados com suspeita ou confirmação de chikungunya. A taxa de positividade está em 54,1%, ou seja, mais da metade das pessoas testadas com sintomas tiveram diagnóstico confirmado para a doença. Ainda que haja leve redução, os valores permanecem muito acima dos parâmetros considerados adequados em vigilância epidemiológica, o que, conforme a prefeitura, mostra que a epidemia segue ativa.

 

MS concentra 70% das mortes registradas no Brasil

A situação também segue crítica no restante de Mato Grosso do Sul. Em 2026, o Estado já confirmou 17 mortes por chikungunya, o equivalente a 70,83% dos 24 óbitos registrados em todo o país.

As mortes estão distribuídas em quatro municípios sul-mato-grossenses. Dourados concentra a maior parte dos registros, com 11 óbitos, em seguida aparece Bonito com três, Jardim com dois e Fátima do Sul, com uma morte confirmada. Em todo o ano passado, Mato Grosso do Sul registrou 17 mortes pela doença.

O que é a chikungunya

Mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. (Foto: Arquivo Midiamax)

A chikungunya é uma arbovirose causada pelo vírus CHIKV e transmitida pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. O vírus foi introduzido nas Américas em 2013, quando provocou epidemias em diversos países.

 

Os sintomas são semelhantes aos da dengue, mas costumam ser mais intensos e duradouros. Febre alta e dores articulares marcantes são características da doença, podendo persistir por mais de 15 dias. Em mais da metade dos casos, as dores nas articulações podem se tornar crônicas e durar anos.

Além disso, a doença pode provocar complicações cardiovasculares, renais, dermatológicas e neurológicas, incluindo encefalite, mielite, síndrome de Guillain-Barré e outras condições graves. Em casos mais severos, pode haver necessidade de internação e risco de morte.

Diante de sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico para diagnóstico adequado. Os exames laboratoriais e testes diagnósticos estão disponíveis pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

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