Aconteceu na tarde desta quarta-feira (22) a primeira audiência de instrução e julgamento do andarilho que agrediu um paciente transplantado, de 44 anos, em frente a uma clínica na Avenida Arquiteto Rubens Gil de Camilo, na região do Chácara Cachoeira, em Campo Grande. O réu esteve presente e “esboçava sorrisos” durante a sessão.
A agressão ocorreu nas primeiras horas do dia 26 de janeiro. O relógio marcava 5h12 da manhã, quando o paciente aguardava a clínica abrir para ser atendido em seu acompanhamento de transplante de córnea. Em dado momento, o andarilho se aproximou e iniciou as agressões, que incluíram socos no rosto.
O paciente teve a córnea “rasgada” com a força do soco sofrido no olho esquerdo. Na data dos fatos, a vítima precisou de atendimento de emergência. Assim, o médico informou que ele teve os pontos da cirurgia rompidos e o conteúdo do globo ocular extravasou o olho.

Já nesta quarta-feira, na 4ª Vara Criminal Residual, no Fórum Heitor de Medeiros, ocorreu a primeira audiência do caso. A vítima participou por videochamada, enquanto o réu, que atualmente está preso, esteve presente com escolta policial.
Além do paciente transplantado, outra vítima agredida pelo andarilho participou da sessão.
Durante o depoimento, a vítima transplantada relembrou os momentos vividos naquele 26 de janeiro. “Não imaginei que iria acontecer nada. Eu vi que ele estava deitado, fui para o outro lado. Depois ele veio, perguntou se eu era de Nioaque, eu disse que não. Ele ficou falando alguma coisa e me deu um soco. Lembro que ele estava falando que alguém jogou vela quente nele”, relembrou a vítima.
A vítima perdeu a visão e agora aguarda por uma nova cirurgia. “Afetou o olho todo. No mesmo dia, fiz cirurgia. Não recuperei a visão e já estava enxergando bem. Os médicos disseram que eu não tenho chances de voltar. Vou fazer outra cirurgia para tentar melhorar”, disse.
‘Legalmente cego’
Durante a audiência, o médico que atende a vítima disse que a visão do paciente foi totalmente perdida, apesar dos esforços realizados após as agressões.
“A agressão atingiu justamente o olho bom. Anatomicamente, conseguimos reconstituir o olho, porém, funcionalmente, ele não recuperou quase nada. É legalmente cedo, infelizmente, não tem como recuperar pela lesão que sofreu na retina. Tudo indica que não vai melhorar a visão deste olho, mesmo a aparência estando preservada”, disse o médico.
Atualmente, a vítima está morando com um familiar. “Não consegue fazer as atividades dentro de casa, acaba se adaptando, mas ele não tem visão para subsistência sozinho. Não consegue nem ir para a cozinha, preparar duas refeições”, disse.

Sorrisos
Durante a sessão, o réu esboçava sorrisos e chegou a ser questionado pelo juiz Henrique Kaster. No entanto, alegou que estava com a boca ressecada. Já em depoimento, negou as agressões, mesmo elas tendo sido registradas por câmeras de segurança.
Ainda, afirmou que na época estava em situação de abrigo por problemas com álcool. Sobre as agressões no período da tarde, informou que teria tropeçado no pé da segunda vítima; assim, achou que ela poderia estar armada.


