25 de setembro de 2026

MS mantém superávit na balança comercial e registra US$ 2,51 bi em exportações no 1º trimestre

O desempenho do comércio exterior de Mato Grosso do Sul no primeiro trimestre de 2026 manteve a trajetória positiva da balança comercial do Estado, com exportações que somaram US$ 2,51 bilhões entre janeiro e março. Apesar de uma leve retração de 1,66% em relação ao mesmo período de 2025, o volume exportado cresceu 11,83%, totalizando 6,82 milhões de toneladas.

Os dados constam na Carta de Conjuntura do Setor Externo, elaborada pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc).

No mesmo período, as importações atingiram US$ 751,58 milhões, registrando crescimento de 10,10% na comparação anual. Com isso, o saldo da balança comercial permanece positivo em US$ 1,76 bilhão, ainda que 5,93% inferior ao observado em 2025.

O cenário reflete a força da produção sul-mato-grossense voltada ao mercado externo, especialmente no setor agropecuário, que apresentou crescimento tanto nos preços (11,11%) quanto no volume exportado (11,41%).

Na avaliação do secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Artur Falcette, o desempenho remete ao cenário internacional. “O resultado reflete um cenário internacional de pressão sobre preços de commodities, associado à elevada oferta global e à instabilidade geopolítica, que tem limitado o crescimento do valor exportado, apesar do aumento do volume embarcado”, salientou.

Agro lidera exportações

A pauta exportadora do Estado segue concentrada em produtos do agronegócio. A soja lidera com 28,32% de participação, seguida pela celulose (27,41%) e pela carne bovina (19,38%). Também se destacam itens como farelo de soja, carnes de aves e milho.

Por outro lado, as importações são puxadas principalmente pelo gás natural, que representa 24,21% do total adquirido pelo Estado, seguido por caldeiras de geradores de vapor (16,74%) e álcoois e derivados (9,65%).

A celulose, no acumulado do primeiro trimestre do ano, deixou de ser o principal produto exportado por Mato Grosso do Sul. Este papel foi assumido pela soja.

No caso das importações houve uma retomada da tendência histórica de o principal produto de importação do estado ser o gás natural, diferentemente do que ocorreu no mês anterior, quando o produto Caldeiras de Geradores de Vapor foi o principal produto de importação no acumulado do primeiro bimestre do ano.

China segue como principal destino

A China permanece como o principal parceiro comercial de Mato Grosso do Sul, absorvendo 44,84% das exportações estaduais. Na sequência aparecem Estados Unidos (8,58%), Países Baixos (4,35%) e Itália (3,0%). Bruna explica que apesar do cenário externo, houve uma maior concentração das exportações de MS para os EUA, em relação ao mesmo período do ano anterior.

A logística de escoamento da produção segue concentrada nos portos da região Sul e Sudeste. O Porto de Paranaguá lidera com 40,83% das exportações, seguido pelo Porto de Santos (38,27%) e São Francisco do Sul (9,37%).

Interior concentra exportações

Entre os municípios, Três Lagoas se mantém como o principal exportador do Estado, com 18,94% do total. Também se destacam Ribas do Rio Pardo (12,01%), Dourados (9,87%) e Campo Grande (7,59%).

Na análise por setores, a indústria de transformação registrou queda tanto nos preços (-3,0%) quanto no volume exportado (-2,68%). Já a indústria extrativa apresentou comportamento distinto, com forte redução nos preços (-45,29%), mas crescimento expressivo no volume exportado (42,36%).

Em contrapartida, além da agropecuária, o segmento de outros produtos também apresentou desempenho positivo, com alta de 7,16% nos preços e 34,97% no volume.

A cotação média do dólar em março de 2026 foi de R$ 5,23, com leve alta de 0,59% em relação a fevereiro. Na comparação com março de 2025, houve queda de 8,96%.

Tendência de crescimento

A análise da série histórica, indica que Mato Grosso do Sul mantém um padrão consistente de superávits comerciais desde 2015, com exportações significativamente superiores às importações, impulsionadas principalmente por commodities agrícolas e produtos industriais.

Rosana Siqueira, Comunicação Semadesc
Foto de capa: Chico Ribeiro/Arquivo
Interna: Mairinco de Pauda/Semadesc

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