26 de setembro de 2026

Líderes europeus reconhecem plano de Trump para Ucrânia, mas cobram ajustes

Líderes europeus e de países como Canadá e Japão afirmaram neste sábado, 22, que o plano de paz do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, serve de base para negociações que visam ao fim da guerra da Rússia na Ucrânia, mas que necessita de “trabalho adicional”.

A declaração é parte dos esforços para obter um acordo mais vantajoso para Kiev antes da espécie de prazo final dado por Trump, que espera uma resposta até a próxima quinta, 27, Dia de Ação de Graças nos EUA.

Reunidos à margem da cúpula do G20, representantes da União Europeia e de países como França, , Itália, Reino Unido e Canadá emitiram uma declaração em que afirmam que “a versão inicial do plano de 28 pontos dos EUA inclui elementos importantes que serão essenciais para uma paz justa e duradoura”

 

Ainda assim, eles afirmam haver preocupações “com as limitações propostas às  da Ucrânia”. Na declaração, que inclui também Holanda, Espanha, Finlândia, Japão e Noruega, os países afirmam, por exemplo, que “fronteiras não devem ser alteradas pela força”, em referência ao território do leste ucraniano, que, segundo o plano, deveria ser cedido à Rússia.

Os líderes parecem buscar um equilíbrio de elogios a Trump para tentar pôr fim aos combates, com o reconhecimento de que, para Kiev, alguns dos termos da proposta são inaceitáveis. O plano de 28 pontos foi rascunhado pelos EUA em conjunto com Moscou e é bastante favorável à Rússia, na visão de analistas.

Os representantes se reuniram depois que o presidente Volodmir Zelensky disse, na sexta, que seu país enfrentava a escolha entre perder sua dignidade e liberdade ou o apoio de Washington. Ele apelou aos ucranianos pela união, prometendo nunca trair a Ucrânia, e rejeitou o plano americano.

O primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou ter deixado explicado a Trump, em uma longa conversa telefônica também na sexta, que a Europa precisa fazer parte de qualquer processo para pôr fim à guerra.

“Se a Ucrânia perder esta guerra e possivelmente entrar em colapso, isso terá um impacto na política europeia como um todo, em todo o continente europeu. E é por isso que estamos tão comprometidos com esta questão”, disse Merz.

O presidente francês, Emmanuel Macron, corroborou a posição do alemão ao dizer que o plano “é positivo porque propõe a paz e reconhece elementos importantes em questões de soberania e garantias de segurança”, porém “precisa ser revisto, porque, antes de mais nada, não foi negociado com os europeus”. Segundo ele, há pontos que “exigem uma consulta mais ampla”.

Presidente da Comissão Europeia cobra ‘trabalho adicional’ em rascunho

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou apoio neste sábado, ao plano apresentado pelos Estados Unidos para cessar a guerra na Ucrânia, mas observou que o texto é preliminar e demanda esforços complementares.

“Acolhemos os contínuos esforços dos EUA para trazer paz à Ucrânia. O rascunho inicial do plano de 28 pontos inclui elementos importantes”, disse von der Leyen em post na sua rede social X. Ao mesmo tempo, ela afirmou que o trabalho “exigirá trabalho adicional”.

Segundo a líder europeia, a comissão está pronta para trabalhar em um acordo que garanta uma paz sustentável, e tem certeza sobre “o princípio de que as fronteiras não devem ser alteradas pela força.”

Von der Leyen também alertou que as limitações propostas às Forças Armadas ucranianas, que deixariam o país vulnerável a futuros ataques, causam preocupação. Outro ponto destacado pela líder foi a necessidade de autorização dos integrantes da União Europeia e da Otan para implementar pontos do acordo relacionados a estes dois organismos.

Enquanto os líderes se apressavam para elaborar uma resposta coordenada ao plano de paz de Trump, a Ucrânia antecipou que realizaria negociações com funcionários de alto escalão dos EUA, na Suíça.

“A Ucrânia jamais será um obstáculo à paz, e os representantes do Estado ucraniano defenderão os legítimos interesses do povo ucraniano e os fundamentos da segurança europeia”, afirmou um comunicado de Kiev.

Zelenski acrescentou em discurso: “Trata-se de muito mais do que os pontos específicos deste ou daquele documento. Devemos garantir que em nenhum lugar da Europa ou do mundo prevaleça o princípio de que crimes contra pessoas e a humanidade, contra Estados e nações, possam ser recompensados e perdoados.”

Conselheiros de segurança nacional da França, Alemanha, Reino Unido e Itália devem participar dessa reunião com representantes dos EUA e da Ucrânia neste domingo, 22, em Genebra, para discutir a proposta do plano, segundo autoridades que participam da cúpula do G20.

Trump deu prazo para retorno de Zelensky, mas depois moderou discurso

Na sexta, Trump desafiou a Ucrânia, ao dizer que Zelensky teria até quinta-feira para aprovar seu plano de 28 pontos, que exige que o país ceda território, aceite limites às suas Forças Armadas e renuncie às ambições de ingressar na Otan. “Em algum momento, ele terá que aceitar algo que ainda não aceitou”, disse o americano.

Neste sábado, porém, ao ser questionado por jornalistas, o republicano afirmou que o plano não era a sua “oferta final à Ucrânia”. “Estamos tentando acabar com isso. De uma forma ou de outra, temos que acabar com isso”, disse Trump.

Em sua declaração, os líderes ocidentais afirmam estar “preocupados com as limitações propostas às Forças Armadas da Ucrânia, que deixariam o país vulnerável a futuros ataques”. “Reiteramos que a implementação de elementos relacionados à União Europeia e à Otan exigiria o consentimento dos membros da UE e da Otan, respectivamente”, diz o texto.

O presidente russo, Vladimir Putin, descreveu o plano como a base para uma resolução do conflito, mas Moscou pode se opor a algumas propostas do acordo, que exige que suas forças se retirem de algumas áreas que capturaram.

O perigo para Zelensky ficou evidente quando o presidente ucraniano fez um pronunciamento à nação para preparar a população para alguns dias difíceis. “Agora, a Ucrânia pode enfrentar uma escolha muito difícil: ou perder a dignidade ou correr o risco de perder um parceiro importante”, disse o ucraniano. “Lutarei 24 horas por dia, 7 dias por semana, para garantir que pelo menos dois pontos do plano não sejam negligenciados: a dignidade e a liberdade dos ucranianos.”

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