Campo Grande confirmou 14 casos de raiva em morcegos em 2026, o maior número registrado nos últimos cinco anos. Enquanto os registros da doença aumentam, a vacinação antirrábica de cães e gatos alcançou somente 16,73% da meta, cerca de 53 mil animais.
Embora Campo Grande não registre casos recentes de raiva em cães e gatos, a circulação do vírus entre morcegos mantém o alerta das autoridades de saúde. Esses animais podem transmitir a doença a outros mamíferos, o que reforça a importância da vacinação dos animais domésticos.

A vacinação antirrábica de cães e gatos em Campo Grande registra queda no percentual da meta atingida nos últimos anos. Em 2024, foram imunizados 115.938 animais, o equivalente a 34,43% da meta de 336.727. Em 2025, o número caiu para 71.516, ou 21,24% do total previsto.
Neste ano, a campanha começou em 7 de julho, com a meta de vacinar 322.566 animais, sendo 202.206 cães e 120.360 gatos. Até 16 de outubro, 53.961 animais haviam sido imunizados, o equivalente a 16,73% da meta. Com isso, ainda faltam 268.605 cães e gatos para atingir o objetivo.
Em Mato Grosso do Sul, os dados parciais do painel eVaccine Pets, atualizados em 16 de outubro, mostram que 270.336 cães e gatos haviam sido vacinados em 2026, o equivalente a 27,59% da meta estadual.
No ano passado, o painel registrava 457.185 animais imunizados, ou 44,23% da meta. Em 2024, eram 401.081, correspondentes a 38,8% do objetivo previsto.

Enquanto a vacinação de cães e gatos está abaixo da meta, Campo Grande confirmou 14 casos de raiva em morcegos em 2026, o maior número dos últimos cinco anos. O total também supera as 11 ocorrências registradas durante todo o ano passado.
O histórico mostra oscilações nos registros ao longo dos anos. Foram quatro casos em 2021, seis em 2022 e sete em 2023. Em 2024, o número caiu para seis, mas voltou a subir em 2025, quando chegou a 11 confirmações.
MS já vivenciou surto de raiva

O último caso de raiva humana em Campo Grande foi registrado em 1968. Entre cães e gatos, a ocorrência mais recente foi em 2011, quando um cão contraiu a doença após contato com um morcego contaminado. Antes disso, o registro anterior havia sido feito em 1988.
Mais de uma década depois, os dois municípios continuam com metas de vacinação antirrábica para cães e gatos. Dados do painel eVaccine Pets, atualizados em 16 de outubro, mostram que Corumbá havia imunizado 22.286 animais, sendo 17.393 cães e 4.893 gatos. O total corresponde a 67,37% da meta de 33.082 animais.
Em Ladário, a meta de vacinação é de 7.512 cães e gatos. No entanto, o painel eVaccine Pets não apresentava dados de doses aplicadas até 16 de outubro.
A vacina antirrábica é obrigatória para cães e gatos em todo o território nacional. Para receber a dose, os animais devem ter pelo menos três meses de idade e estar saudáveis. Fêmeas prenhes ou em período de amamentação também podem ser vacinadas, desde que sejam manuseadas com cuidado para evitar traumas ou estresse.
Se o animal tiver sido vermifugado recentemente, a orientação é respeitar um intervalo mínimo de dez dias entre o uso do vermífugo e a aplicação da vacina.
Em Campo Grande, a vacinação gratuita está disponível no CCZ (Centro de Controle de Zoonoses) e na Subea (Superintendência de Bem-Estar Animal). A Subea também oferece o serviço por meio de um consultório móvel, que percorre diferentes bairros da Capital, conforme cronograma divulgado pela Prefeitura.
O que fazer ao encontrar um morcego

Ao encontrar um morcego, mesmo que pareça morto, o morador não deve tocá-lo. O cuidado deve ser redobrado se o animal estiver caído, for encontrado durante o dia ou apresentar comportamento incomum.
A recomendação é manter distância, afastar crianças e animais de estimação e, se possível, isolar o local com um balde ou uma caixa virada sobre o morcego, sem encostar nele. Em seguida, deve-se acionar o serviço de recolhimento do CCZ.


