Se for eleito senador, Reinaldo Azambuja (PL) diz que não votará a favor de nenhum ponto da regulamentação da reforma tributária que considere prejudicial a Mato Grosso do Sul. “Do jeito que está, ela é prejudicial ao Mato Grosso do Sul. E tudo que for prejudicial ao nosso Estado, com certeza, não terá o meu apoio”, afirmou o ex-governador em entrevista neste domingo (4), dia do primeiro turno, ao lado da mulher, Fátima Azambuja.
Na mesma conversa, ele listou o que pretende priorizar no Congresso: a retomada da ferrovia Malha Oeste, a hidrovia do Rio Paraguai e o reajuste da tabela SUS, a lista de valores que o Ministério da Saúde paga a hospitais e clínicas por atendimento. A parte da entrevista sobre a estratégia de centro-direita, a candidatura de Flávio Bolsonaro e a apuração ao lado de Riedel e Contar foi registrada na matéria sobre o voto do candidato, publicada pela manhã.
Ferrovia está parada desde dezembro
“Nós precisamos acelerar a retomada da ferrovia, que foi abandonada, nós precisamos organizar essa questão da hidrovia do Rio Paraguai, nós precisamos organizar o fortalecimento da saúde pública através do reajuste da tabela SUS”, disse.
A Malha Oeste, que liga Corumbá ao interior de São Paulo, está sem trem comercial há 307 dias. O último rodou em 1º de dezembro de 2025, como A Crítica mostrou em setembro. A concessão anterior terminou em 30 de junho, e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) promete publicar o edital do novo leilão até o fim de 2026.
No Rio Paraguai, a concessão do trecho sul da hidrovia também está parada: o leilão foi adiado para o primeiro semestre de 2027, e a análise no Tribunal de Contas da União foi interrompida por falta de consenso entre Brasil, Paraguai e Bolívia. Azambuja já havia defendido a dragagem de três pontos do rio e a volta dos trens em agosto.
Bancada com Tereza Cristina
“Primeiro, um olhar pelo Mato Grosso do Sul, porque o Senado é a casa do equilíbrio federativo. Só tem três por estado”, afirmou. Cada estado tem três senadores, e neste domingo estão em disputa duas das três cadeiras de Mato Grosso do Sul. A terceira é da senadora Tereza Cristina (PP), com mandato até 2031.
Azambuja disse que pretende atuar ao lado dela e de Capitão Contar, se o colega de partido também for eleito. “Eu não tenho dúvida que, tendo Tereza Cristina, Capitão Contar e Reinaldo, terão uma bancada que vai olhar primeiro pelos problemas vivenciados por nós, sul-mato-grossenses”, disse.
Reforma tributária e gasto público
A reforma tributária foi aprovada pelo Congresso em 2023, e parte das regras ainda depende de leis complementares e regulamentações. Segundo Azambuja, essas normas que passarem pelo Senado precisam ser analisadas pelos interesses do Estado. Ele não detalhou quais pontos considera prejudiciais.
O candidato também defendeu corte de gastos federais e novas reformas estruturais. “O Brasil está muito caro para os brasileiros e brasileiras e nós precisamos reformar o Brasil”, afirmou.
Críticas ao Judiciário
Azambuja criticou decisões e resoluções da Justiça Eleitoral que, na avaliação dele, vão além do que a lei define, e também as decisões monocráticas, tomadas por um único ministro sem passar pelo colegiado do tribunal. “Acho que se a lei existe, ela existe para ser cumprida para todos”, disse. “O Executivo executa, o Legislativo legisla e o Judiciário só julga quando tem conflito. Eu espero que a gente possa restabelecer o Poder Judiciário cumprindo o papel constitucional.” As declarações são a posição política do candidato.
Ele voltou a defender o fim da reeleição para cargos do Executivo, posição que diz sustentar desde o mandato de deputado federal. Azambuja governou Mato Grosso do Sul por dois mandatos seguidos, de 2015 a 2023, e neste domingo trabalha pela reeleição de Eduardo Riedel (PP).
Balanço de oito anos de governo
O ex-governador usou parte da entrevista para defender a própria gestão e a de Riedel. “O Estado cresceu, desenvolveu, é um dos estados que mais cresce, reduziu pobreza, tem programas sociais, tem desenvolvimento, tem geração de emprego”, afirmou. Ele citou a regionalização da saúde e obras nos 79 municípios. Os números de crescimento e de redução da pobreza são declarações do candidato e não foram detalhados por ele.
Apuração a partir das 16h30
A votação em Mato Grosso do Sul vai até as 16h no horário local, 17h em Brasília, e quem estiver na fila nesse horário ainda vota. Azambuja disse que, meia hora depois, estará com Riedel e Contar, as famílias e pessoas próximas na mesma casa, à espera dos números. Ele não informou o endereço. “Vamos aguardar a melhor das pesquisas, que é essa do dia de hoje, que é das urnas”, afirmou.
Dez candidatos disputam as duas vagas
Concorrem ao Senado em Mato Grosso do Sul, além de Azambuja, Capitão Contar (PL), Soraya Thronicke (PSB), Vander Loubet (PT), Roberto Oshiro (Novo), Beto do Movimento (PSOL), Daniel Junior (Agir), Luiz Lemes (DC), Valderi Garcia (PCO) e Valter da Comagran (PRD). Não há segundo turno: os dois mais votados são eleitos para mandato de 2027 a 2035. Nas pesquisas de setembro, Azambuja e Contar apareceram isolados na frente.
Ao governo, Riedel disputa com Fábio Trad (PT), Delcídio do Amaral (PRD), João Henrique Catan (Novo), Lucien Rezende (PSOL), Renato Gomes (DC), Jeferson Bezerra (Agir) e Daniel Lemes (PCO). Para vencer no primeiro turno, precisa de mais da metade dos votos válidos, que excluem brancos e nulos. Esta matéria reproduz a entrevista de um candidato; os demais não foram ouvidos para este texto.

