Sobreviver a um infarto costuma representar um marco na vida do paciente. Depois do susto da doença, porém, não é apenas o coração que começa a precisar de mais cuidados. O medo de sofrer um novo “ataque do coração” pode fazer com que atividades que costumavam fazer parte da rotina do paciente passem a ser vistas como uma forma de insegurança.
“Muitos pacientes ficam preocupados e aderem muito bem ao tratamento no primeiro ano; depois, os pacientes começam a abandonar as medicações, diminuem o nível de rigor com os exercícios físicos e a alimentação. Essa é uma doença que não estanca no primeiro evento; o paciente vai ter chance de ter outros a vida toda, mas, bem medicado e bem conduzido, essa chance é muito menor. É importante ressaltar que, apesar de o tratamento ser eficaz e da recuperação da confiança, o paciente deve acompanhar o tratamento para sempre, porque ele pode estar sujeito a um novo evento”, explica o especialista.

Segundo o médico, é importante diferenciar o cuidado necessário após um evento relacionado à doença cardiovascular de um medo que começa a impedir o paciente de viver normalmente. A retomada deve ser individualizada e seguir as orientações e condições clínicas de cada pessoa.
“Existem vários protocolos para devolver a pessoa à sua vida corriqueira, protocolos de orientação de atividades físicas que começamos a fazer ainda no hospital, com a fisioterapia, e depois se estendem pós-alta; e o paciente deve seguir atividade física regular. É importante ressaltar que, se o paciente for bem tratado na fase aguda do infarto, ele tem uma chance enorme de voltar a ter uma vida saudável, mesmo depois de um infarto mais extenso”, diz o coordenador.
“Normalmente, um infarto pequeno sem grande repercussão, em uma semana, o paciente volta às atividades corriqueiras. Para atividades mais intensas, geralmente em 30 dias, [é o] período em que ele está apto a voltar a todas as atividades de rotina”, explica o médico.
Durante o processo de recuperação, a reabilitação cardiovascular tem um papel importante na vida do paciente vítima de infarto. Um dos meios é a fisioterapia, que pode auxiliar na retomada gradual dos esforços e na recuperação da capacidade funcional. Outra forma de ajudar na recuperação é o acompanhamento psicológico que impacta na forma como o paciente lida com o medo e a insegurança após a doença.
Além da recuperação, diversas mudanças na rotina são fundamentais para reduzir o risco de novos episódios de doenças cardiovasculares, como a alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos orientada, controle de doenças como a hipertensão e o diabetes, além do acompanhamento médico e do uso de medicamentos.
Tratamento avançado
O avanço de tratamentos cardiológicos também mudou o cenário para quem enfrenta essas doenças. Novas técnicas, medicamentos e estratégias de tratamento ampliaram as possibilidades de recuperação e controle das doenças, permitindo que muitos pacientes tenham uma vida mais próxima da rotina que tinham antes do diagnóstico.

“A notícia boa é que essa doença é totalmente previsível e prevenível, desde que as pessoas se alimentem melhor, evitem as coisas que sabemos que fazem mal. E, mesmo depois de um evento desse, a cardiologia consegue diminuir muito a chance da pessoa sofrer um novo evento. A cardiologia evoluiu muito; nós conseguimos diminuir bastante a mortalidade por causa das doenças cardiovasculares, desde que as pessoas façam o tratamento. Fazendo isso, ela vai estar protegida e com a chance mínima de outros eventos”, finaliza o cardiologista.
Setembro Vermelho
O Setembro Vermelho é uma campanha de conscientização sobre a saúde do coração e os cuidados para prevenir as doenças cardiovasculares, que estão entre as principais causas de morte no mundo. A iniciativa reforça a importância de manter hábitos saudáveis e de fazer acompanhamento médico regularmente.
A campanha também lembra que receber um diagnóstico de doença cardiovascular não significa abrir mão de uma vida ativa. Com tratamento adequado e acompanhamento profissional, muitos pacientes conseguem retomar atividades físicas, trabalho, lazer e manter uma boa qualidade de vida.

