22 de outubro de 2026

Presos por desviar R$ 4 milhões da saúde, médicos são processados por ‘estourar’ conta de banco

Presos desde o início de agosto por desvios de R$ 4 milhões em contratos de saúde, os médicos Robson Rooselvelt Ferreira Aguilar e Bianca Fernandes Leite Aguilar são alvo de execução judicial por dívida de R$ 70.013,58 com o Sicoob.

Eles são donos da Policlínica Rota Bioceânica – antiga Prontomed – (CNPJ 26.927.847/0001-00), no centro de esquema que recebeu milhões por exames ‘fantasmas’ da prefeitura de , revelado pela Operação Auditus II, deflagrada no dia 13 pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção).

Conforme o processo que tramita no TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul), no mesmo período em que recebia milhões pelos desvios, a clínica utilizava o cheque especial da conta no valor de R$ 50 mil.

Dessa forma, a juíza da 1ª Vara de , Flávia Simone Cavalcante, dias antes da prisão dos médicos, determinou a intimação de Robson e Bianca para quitar os débitos no prazo de 15 dias.

Desvio de milhões com exames ‘fantasmas’

O MP sustenta que os proprietários Robson Roosevelt Ferreira Aguilar e Bianca Fernandes Leite Aguilar, juntamente com a gerente administrativa Tatiane Barbosa de Souza Grubert, teriam atuado em conjunto com os ex-secretários de Nioaque, Márcia Cristiane Missioneira Jara, da Saúde, e Vagner Alves Ribeiro Guimarães, de Governo, para direcionar licitações e contratos em favor da empresa.

O esquema, segundo a investigação, começava antes da própria licitação. A Prontomed teria participado da elaboração das cotações que davam aparência de competição ao processo. Um dos elementos apontados é que Tatiane teria produzido ou providenciado orçamentos de empresas concorrentes, inclusive com documentos e assinaturas que, segundo o MP, eram fraudulentos.

Para o Gecoc, a Prontomed teria sido utilizada para receber recursos públicos referentes a serviços que, em parte, seriam fictícios ou não comprovados. O documento menciona falsificação de assinaturas de pacientes e profissionais de saúde, registros duplicados, inclusão de pessoas falecidas e incompatibilidades entre pacientes e procedimentos registrados.

Segundo o documento, depois que a Prefeitura de Nioaque fazia os pagamentos à Prontomed, Robson e Bianca Aguilar movimentavam valores a partir da conta bancária da empresa, realizando transferências para Tatiane Grubert. Ela, por sua vez, sacaria dinheiro ou faria novas transferências, com parte dos valores chegando aos ex-secretários investigados. A decisão menciona repasses de R$ 10 mil, R$ 65 mil e R$ 100 mil, entre outros.

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