1 de outubro de 2026

IA ajuda polícia a transformar clássico retrato falado em imagem realista

Durante décadas, o retrato falado foi associado ao desenho feito a lápis por um profissional que tentava transformar uma descrição em imagem. Hoje, a Polícia Científica de Mato Grosso do Sul usa ferramentas digitais e inteligência artificial para dar mais realismo ao resultado, mas o ponto de partida continua sendo uma conversa detalhada com a vítima ou testemunha.

O processo ganhou destaque após a divulgação do retrato falado de um homem suspeito de estuprar uma jovem de 19 anos em Paranaíba. A imagem foi produzida com auxílio de tecnologia e divulgada na tentativa de identificar o suspeito.

Segundo o perito papiloscopista Orivaldo Mendonça Junior, o uso da inteligência artificial representa uma nova etapa de uma técnica que existe há mais de um século.

“O retrato falado é uma técnica já centenária, desde o século XIX, 1880, que iniciou esse desenho. Então a gente parte de um desenho que antes era mais rudimentar, mais manual, para uma técnica agora mais informatizada”, explica.

A evolução, segundo o perito, passou por diferentes fases. Primeiro vieram os desenhos feitos à mão. Depois, surgiram os sistemas com montagem de características faciais, conhecidos como identikit, que usavam combinações de elementos como olhos, nariz, boca e cabelo. Com o avanço da tecnologia, essas peças foram substituídas por imagens reais e softwares de edição.

“Hoje eu trabalho com fotos reais, com pessoas, com elementos faciais reais. Eu consigo produzir uma foto que chegue mais próxima do real, para que a gente consiga se aproximar de um possível suspeito”, afirma.

Apesar do nome chamar atenção, a inteligência artificial não cria sozinha o rosto do suspeito. Ela é usada como uma ferramenta de aprimoramento da imagem. “Não é produzido na inteligência artificial, mas a gente consegue dar aquele refinamento final, textura de pele, sombra, iluminação, para que essa foto fique o mais próximo real”, explica Orivaldo.

Ou seja, a tecnologia ajuda a deixar a imagem mais natural e compreensível para quem vai receber aquela informação. A construção do rosto, porém, depende das características relatadas por quem presenciou o crime.

Antes da tecnologia – O trabalho começa muito antes do computador. A entrevista com a vítima é considerada uma das etapas mais importantes do processo.

O perito explica que a equipe precisa conduzir a conversa com cuidado, principalmente porque muitas vezes a pessoa está tentando lembrar detalhes de uma situação traumática. “Não é simplesmente perguntar como é, mas cada elemento tem um jeito de se perguntar”, diz.

Segundo ele, a equipe utiliza conhecimentos da área de psicologia e memória para evitar induções e ajudar a pessoa a recuperar informações. “O trauma também afeta nossa cognição e nossa memória, então eu preciso retomar da vítima, sem haver um novo trauma, as características do sujeito”, afirma.

Durante a entrevista, os profissionais procuram identificar características marcantes. Em vez de pedir apenas uma descrição geral, a equipe busca detalhes específicos, como formato dos olhos, sobrancelhas, nariz ou outras características que tenham chamado atenção.

A gente não quer produzir uma imagem idêntica. A gente quer produzir um modelo, uma imagem fictícia, mas que retrate o mais próximo possível”, explica.

Outra mudança trazida pela tecnologia é a possibilidade de realizar entrevistas e produzir retratos falados à distância.

Segundo Orivaldo, a Polícia Civil trabalha em uma metodologia online para que delegacias do interior também tenham acesso ao serviço, mesmo sem estrutura especializada. “A gente consegue que um caso lá de uma cidade do interior, que talvez não tenha estrutura adequada, consiga também ter acesso a essa ferramenta”, termina…. veja mais em https://www.campograndenews.com.br/brasil/cidades/ia-ajuda-policia-a-transformar-classico-retrato-falado-em-imagem-realista

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