11 de outubro de 2026

Indígenas querem debate com Fux sobre projeto milionário da hidrovia do Rio Paraguai em MS

Conselho Terena e Associação Guató protocolaram manifestação no STF

O Conselho do Povo Terena e a Associação da Aldeia Indígena Guató da Barra do São Lourenço foram até o STF (Supremo Tribunal Federal) e protocolaram manifestação contra a concessão milionária da hidrovia do Rio Paraguai. Os indígenas de Mato Grosso do Sul pedem ao Supremo o ingresso no Recurso Extraordinário com Agravo e querem audiência com o ministro Luiz Fux sobre o projeto da hidrovia.

Além disso, pedem o reconhecimento da competência administrativa do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para promoção do licenciamento ambiental com elaboração dos estudos.

Manifestação no STF

Representados pelo advogado Maurício Terena, os povos indígenas apontaram que auditoria realizada sob a relatoria do ministro Augusto Nardes “revelou deficiências estruturais” no processo de concessão.

Ademais, ressaltaram que o TCU (Tribunal de Contas da União) constatou “a inexistência de mecanismo institucionalizado que viabilize o controle social da navegação na Hidrovia Paraguai–Paraná”.

O órgão também “identificou inconsistências nos levantamentos hidrográficos realizados antes e após as intervenções de dragagem, comprometendo a confiabilidade das informações técnicas que subsidiam a execução e a fiscalização dessas obras”.

Ao Midiamax, o advogado disse que o próximo passo é “pedir uma audiência com o ministro Luiz Fux para poder falar um pouco sobre esse processo e fazer com que as comunidades consigam o êxito no ingresso do processo no Supremo Tribunal Federal”.

Então, destacou que um dos problemas do projeto é a falta da participação dos povos indígenas. “A gente está começando a se organizar para justamente essa participação qualificada e também para fazer com que o respeito ao meio ambiente seja garantido.”

Frentes problemáticas, apontam indígenas

Assim, apontam três frentes contra a hidrovia e possíveis problemáticas da concessão:

  • A primeira trata da fiscalização sobre o Tramo Norte do projeto:
    • “Inexistência de canal institucionalizado que viabilize o controle social da navegação na Hidrovia Paraguai–Paraná”;
    • “O TCU identificou fragilidades nos levantamentos hidrográficos realizados antes e depois das intervenções de dragagem”.
  • A segunda trata da governança regulatória fragmentada no Tramo Sul:
    • “Inexistência de documentação técnica consolidada capaz de demonstrar a consistência da modelagem econômico-regulatória”;
    • “Dependência jurídica de acordo internacional ainda pendente de internalização pelos Parlamentos do Brasil, Paraguai e Bolívia, circunstância que comprometia a própria base normativa da futura concessão”;
    • “Ausência de estudo concorrencial atualizado apto a justificar tecnicamente as restrições previstas no edital licitatório”.
  • A terceira trata do diagnóstico sistêmico da política hidroviária federal:
    • “O Tribunal reconheceu que a política nacional de hidrovias permanece marcada pela fragmentação da governança pública, pela ausência de planejamento integrado entre os órgãos federais envolvidos”.

Cronograma

Com as atualizações de prazos, o cronograma da concessão em Corumbá foi alterado. Agora, o leilão está previsto para ocorrer no primeiro semestre de 2027.

Anteriormente, o ministério confirmou o processo do leilão para o segundo semestre de 2026. No entanto, as novas previsões são:

  • Retomada das tratativas com o TCU: 2º semestre de 2026, após avanço das discussões e consolidação do acordo entre os países envolvidos;
  • Publicação do edital: 2º semestre de 2026;
  • Leilão: 1º semestre de 2027.

O projeto prevê dragagem do rio, que deve tomar a maior parte do investimento. Além disso, o ministério projeta que as concessões hidroviárias prestem serviços essenciais para o funcionamento da navegação, como operação 24 horas, controle do tráfego e das condições do rio, sistemas de sinalização e balizamento, monitoramento ambiental, ações de segurança e manutenção da infraestrutura. Fonte: Midiamax

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