8 de agosto de 2026

Apesar de obras, BR-163 segue com pontos críticos e cobrança de deputados

Relatório indica avanço em duplicações, mas parlamentares apontam riscos em acessos e cruzamentos

A concessionária Motiva Pantanal apresentou nesta quarta-feira (25), na Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul), um balanço dos primeiros meses à frente da BR-163, com promessa de investimentos bilionários e avanço nas obras, mas ainda sob pressão por problemas antigos na rodovia.

A reunião foi convocada pelo deputado estadual Junior Mochi (MDB) e reuniu diretores e equipe técnica da concessionária, além de parlamentares que acompanham a concessão, entre eles Mara Caseiro (PSDB), Roberto Hashioka (União) e Pedro Kemp (PT). O encontro marcou a primeira prestação de contas após a repactuação do contrato, assinada em 2025.

Segundo os dados apresentados, cerca de R$ 1 bilhão deve ser investido apenas em 2026, dentro de um pacote que prevê R$ 9,3 bilhões ao longo de 29 anos de concessão.

No relatório técnico exibido aos deputados, a concessionária aponta avanço físico nas obras, com frentes de duplicação em cidades como Campo Grande, Jaraguari e São Gabriel do Oeste. Em alguns trechos, a execução já supera o previsto para o período, enquanto outros ainda seguem em ritmo inicial.

Entre os principais números apresentados estão 22 quilômetros de duplicação em andamento, além de faixas adicionais, marginais, acessos e implantação de estruturas como pontos de parada para caminhoneiros e passagens de fauna. Só neste ano, os investimentos somam cerca de R$ 1 bilhão, com maior concentração na ampliação da capacidade da rodovia.

Apesar do discurso de avanço, o tom da reunião deixou claro que a cobrança continua. Junior Mochi afirmou que o momento exige mais do que ajustes contratuais e cobrou resultados práticos. “Não há por que continuar avançando apenas com soluções contratuais. O que queremos é que a parceria funcione de fato”, disse.

Deputado estadual Junior Mochi (MDB) convocou a reunião (Foto: Renan Kubota)

O parlamentar também apontou pontos críticos que ainda preocupam, como o aumento do tráfego pesado em regiões industriais e cruzamentos considerados perigosos. Um dos exemplos citados foi o acesso próximo a um frigorífico em São Gabriel do Oeste, que recebe entre 50 e 70 carretas por dia. “Não podemos esperar acontecer uma tragédia para depois buscar solução”, afirmou.

Outro problema destacado foi o cruzamento entre a BR-419 e a MS-338, onde há desnível e risco para motoristas. Segundo Mochi, situações como essa exigem intervenção urgente.

Do lado da concessionária, o diretor-presidente Nelson Soares Neto destacou o impacto econômico da concessão e a expectativa de ampliação da arrecadação. “Foram quase R$ 35 milhões destinados para distribuição entre os municípios contemplados. Com os investimentos previstos, a estimativa é chegar a aproximadamente R$ 75 milhões por meio do ISS (Imposto Sobre Serviços)”, afirmou.

Ele também ressaltou a geração de empregos vinculada às obras. “Hoje temos 653 colaboradores próprios, além de cerca de 170 terceirizados. E, com os investimentos, estimamos cerca de 2.270 empregos indiretos”, disse.

Diretor-presidente da Motiva Pantanal, Nelson Soares Neto (Foto: Renan Kubota)

Outro ponto abordado foi a arrecadação de pedágios, que registrou aumento expressivo após a repactuação do contrato. Segundo a concessionária, a alta de mais de 90% na receita se deve, principalmente, a mudanças contábeis que passaram a reconhecer integralmente os valores tarifários, e não a um crescimento real da arrecadação.

Na prática, o ganho efetivo foi de cerca de 1,2%, influenciado pelo reajuste tarifário aplicado em 2025. Fonte: Campo Grande News

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