26 de setembro de 2026

Celulose deve turbinar empregos até 2032 e lidera nova fase de crescimento em MS

Megaprojetos de Suzano, Arauco, Bracell e Eldorado impulsionam investimentos bilionários e elevam economia

A escassez de mão de obra qualificada ainda desponta como um dos principais desafios para a indústria de celulose em Mato Grosso do Sul, em meio ao crescimento da produção impulsionado por uma onda de investimentos bilionários de grandes empresas que instalaram ou ampliaram operações no Estado.

A avaliação de especialistas do setor é de que o mercado de trabalho continuará aquecido até 2032, quando deve se encerrar o atual ciclo de novos projetos. A Eldorado aguarda a maturação desse movimento e deve anunciar a ampliação da unidade de produção em Três Lagoas por volta de 2030, segundo fontes do setor ouvidas pelo Campo Grande News.

O presidente do SINPACEMS (Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose de Mato Grosso do Sul), Elcio Trajano Junior, avalia que o momento é extremamente positivo para o setor no Estado, mesmo diante dos desafios, principalmente relacionados à escassez de mão de obra qualificada.

Sem estimar um número exato, o dirigente afirma que o setor enfrenta um déficit de profissionais qualificados, reflexo do ritmo acelerado de crescimento da região e da competição por trabalhadores especializados.

“Por isso, além de gerar empregos, as empresas têm investido cada vez mais em formação, capacitação e valorização das pessoas para preparar profissionais e acompanhar o desenvolvimento do chamado Vale da Celulose”, afirma.

Ainda assim, os esforços têm sido insuficientes para atender à demanda, e algumas indústrias apontam dificuldade para atrair trabalhadores qualificados para o Estado.

“Hoje, a cadeia florestal já está entre as que mais geram empregos formais em Mato Grosso do Sul e tem sido protagonista na abertura de novas vagas”, acrescenta Trajano Junior.

A tendência, segundo o dirigente, é de que a demanda por profissionais permaneça elevada nos próximos anos, impulsionada pelos investimentos em novas fábricas, pela expansão das operações florestais e pelo aumento da produção.

Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), baseados em estudo de 2024, indicam que, até 2032, a expansão da cadeia de papel e celulose pode gerar cerca de 93 mil novos empregos no Estado, considerando pelo menos quatro novos empreendimentos do setor no período analisado. Os cálculos levam em conta aproximadamente 24 mil empregos diretos e outros 69 mil indiretos.

“Hoje, a cadeia florestal já está entre as que mais geram empregos formais em Mato Grosso do Sul e tem sido protagonista na abertura de novas vagas”, acrescenta Trajano Junior.

A tendência, segundo o dirigente, é de que a demanda por profissionais permaneça elevada nos próximos anos, impulsionada pelos investimentos em novas fábricas, pela expansão das operações florestais e pelo aumento da produção.

Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá), baseados em estudo de 2024, indicam que, até 2032, a expansão da cadeia de papel e celulose pode gerar cerca de 93 mil novos empregos no Estado, considerando pelo menos quatro novos empreendimentos do setor no período analisado. Os cálculos levam em conta aproximadamente 24 mil empregos diretos e outros 69 mil indiretos.

Megaprojetos consolidam polo global

A fábrica mais recente em operação é a da Suzano, que ampliou a produção no Estado. Com capacidade para produzir cerca de 2,55 milhões de toneladas por ano, a unidade começou a operar em 2024, em Ribas do Rio Pardo, e é considerada a maior linha única de produção de celulose de fibra curta do mundo.

Esse posto, no entanto, pode ser superado com a chegada da Arauco. A empresa chilena prevê iniciar as operações do Projeto Sucuriú no segundo semestre de 2027, em Inocência. A fábrica terá capacidade estimada de 3,5 milhões de toneladas por ano e representa o primeiro investimento industrial da companhia no Brasil, com aporte de cerca de R$ 25 bilhões. No pico das obras, o empreendimento deve empregar até 14 mil pessoas.

Outro megaprojeto previsto para o Estado é o da Bracell, com início de construção estimado para 2026 em Bataguassu. O investimento é calculado em cerca de R$ 16 bilhões.

Somados, os projetos contribuem para consolidar Mato Grosso do Sul como um polo global da celulose, transformando a economia regional.

Para completar esse ciclo de investimentos, a Eldorado Brasil retomou o plano de expansão para instalar uma segunda linha de produção em sua fábrica de Três Lagoas. O chamado Projeto Vanguarda 2.0 prevê entre R$ 25 bilhões e R$ 30 bilhões em investimentos, incluindo a construção de uma nova linha industrial, a expansão das florestas de eucalipto e a implantação de uma ferrovia ligando a fábrica ao município de Aparecida do Taboado.

Enquanto aguarda a maturação dos investimentos das concorrentes em Mato Grosso do Sul, a Eldorado Brasil Celulose estrutura seu plano de expansão após o fim do litígio envolvendo a holding J&F Investimentos, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da JBS, e a multinacional Paper Excellence, de capital asiático.

A disputa pelo controle da Eldorado começou em 2017 e se tornou um dos maiores litígios societários da história empresarial brasileira. O conflito foi encerrado em maio de 2025, quando a J&F pagou cerca de US$ 2,7 bilhões para recomprar a fatia de 49,41% da Paper Excellence e voltar a deter a totalidade da companhia após quase oito anos de disputa.

Segundo fontes do setor ouvidas pelo Campo Grande News, a retomada do plano de expansão da Eldorado, inicialmente prevista para 2025 — deve ocorrer por volta de 2030. A avaliação é de que o mercado precisa de tempo para absorver os investimentos bilionários já em andamento, sobretudo em relação à oferta de mão de obra e à logística. Em dezembro do ano passado, o BNDES aprovou R$ 1,05 bilhão para a Eldorado construir uma ferrovia de 86,7 km entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado para escoamento da produção de celulose.

A ampliação da unidade deve mais do que dobrar a atual capacidade de produção da empresa, hoje em cerca de 1,8 milhão de toneladas por ano. A nova linha poderá ter capacidade superior a 2,6 milhões de toneladas anuais.

Estudo da Tendências Consultoria aponta que a indústria de celulose deve liderar a economia de Mato Grosso do Sul em 2026 e concentrar os investimentos da região Centro-Oeste até 2030. A estimativa é de que cerca de R$ 131 bilhões sejam aplicados no setor nesse período.

Segundo os economistas da consultoria, a produção de celulose no Estado deve crescer 17% em 2026, revertendo a retração de 1,3% registrada em 2025. A análise é de que o setor será um dos principais responsáveis pelo avanço do PIB sul-mato-grossense, projetado em 1,2% neste ano. Fonte: Campo Grande News

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