26 de maio de 2026

No velório da filha, José relembra assassino: “tinha zelo diferente com ela”

Rapaz de 20 anos matou a namorada de 18, procurou a PM e confessou o crime

Na madrugada em que a filha foi morta, a vida de José Domingues, de 35 anos, também parou. À reportagem do Campo Grande News, na capela onde se despediu de Beatriz Benevides da Silva, 18 anos, ele resumiu o que sente em poucas palavras: “Parece que estou num sono profundo”.

4ª vítima de feminicídio em Mato Grosso do Sul, Beatriz Benevides foi assassinada na madrugada desta quarta-feira (25), no Bairro Novo Oeste 2, em Três Lagoas, a 327 quilômetros de Campo Grande. O namorado, Wellington Patrezi Batista Pereira, 20 anos, confessou o crime.

O velório aconteceu na Capela Pax Mundial, em Campo Grande. É ali que José tenta juntar forças para falar da menina que, há menos de dois meses, tinha ido morar com o pai cheia de planos. “Meu coração está despedaçado. Ela queria morar comigo e foi. Morava em Corumbá e ia fazer dois meses que estava comigo. Conseguiu emprego num posto de gasolina, estava amando, ia comprar as coisas dela”, conta.

Segundo o pai, Beatriz falava com entusiasmo do relacionamento. “Ela dizia que tinha um ‘namorido’ que queria casar. Perguntou se tinha problema ele ir depois para Três Lagoas. Eu disse que não. Ele veio um mês depois.” Antes mesmo de conhecê-lo pessoalmente, José conversou com o rapaz por telefone. “Perguntei o que ele queria com ela realmente”.

Quando o jovem chegou a Três Lagoas, ficou uma semana na casa do pai de Beatriz. O casal aguardava a desocupação do imóvel alugado onde passaria a morar. “Ele ficou lá em casa. Era tranquilo, não apresentava comportamento estranho. Tinha zelo, um cuidado diferente com ela. Eu achava que era uma pessoa maravilhosa. Sem eu falar nada, ele mesmo falou que ia levar ela no serviço e buscar. Ela mudou de horário, acordava um pouquinho mais tarde, ele fazia o pão, levava pra ela na cama”, lembra.

No sábado passado, a família inteira ajudou na mudança. “Estava todo mundo empolgado. Ajudamos a levar as coisas. Estávamos felizes porque ela estava feliz”.

José fala da filha com orgulho. “Ela tinha 18 anos, cabecinha no lugar, pensando em crescer. Chegava em casa, me chamava para tomar tereré. Eu ganhava um beijo dela”. Beatriz deixa três irmãos. “Eu falava para eles que não precisava ser formado, mas tinha que ser igual à irmã: cabeça no lugar e ter a educação que ela tinha”.

Entre uma lembrança e outra, o pai tenta compreender o que aconteceu. “Como teve capacidade de fazer isso com minha filha?” Mesmo devastado, ele diz que não cultiva ódio. “Eu não desejo mal a ele, porque não vai trazer minha filha de volta. Mas quero que ele pague pelo que fez. Eu queria entender da onde surgiu tanta raiva. Cadê a empolgação que estava dele vir pra cá? E ela arrumou tudo para ele. Eu estava tratando ele igual filho”.

O pai relata que, quando recebeu a notícia, não imaginava que era Wellington: “Achei que tinha sido um acidente, um assalto, que ela tava numa UPA, alguma coisa assim. Aí eu liguei até para ele, mas o celular já estava na polícia e desligaram. Quando cheguei na delegacia, descobri que quem tinha matado minha filha era ele. Eu estava cuidando do cara que ia tirar a vida da minha filha”, lamenta.

A mãe, Thaiany Benevides dos Santos, de 32 anos, mora na Capital e contou à reportagem que sempre foi muito companheira de Beatriz. “Ela era cúmplice, falava tudo pra mim, não escondia nada”. Sobre o assassino, afirma que a filha sempre falava bem dele. “Nunca reclamou de nada. Sempre conversei, perguntava se ele a tratava bem e ela falava ‘ele me trata bem, mãe’. Mas, ela estava com um psicopata, que fingia com todo mundo”, diz.

O caso – À polícia, Wellington Patrezi Batista Pereira afirmou que matou a namorada após discussões constantes. Em depoimento ao delegado Gabriel Sales, ele disse que o casal brigava por “coisas banais” da casa e do relacionamento. O casal é de Corumbá.

Na terça-feira (24), um trabalhador montou o armário comprado pelos dois no apartamento, no Bairro Novo Oeste 2, em Três Lagoas. Segundo o rapaz, Beatriz não teria gostado do serviço. Houve nova discussão quando ele foi buscá-la no trabalho. Já em casa, a briga continuou.

Wellington relatou que, em meio ao desentendimento, Beatriz pediu que ele deixasse o imóvel. Ele afirmou que tentou pegar a chave, foi mordido no braço e, nervoso, a enforcou com as duas mãos até que ela perdesse a consciência. Por volta das 3h55, o jovem procurou o quartel da Polícia Militar e confessou o crime. Os policiais foram até o apartamento na Rua Buriti e encontraram Beatriz já sem sinais vitais. Fonte: Campo Grande News

Pai e mãe de Beatriz durante velório. (Foto: Marcos Maluf)

Populares da Semana

Negado habeas corpus a gerente suspeito de participar do desaparecimento de servidora

Foi mantida a prisão do gerente José Romero, suspeito...

Missão da FAB chega ao Brasil com 17 pessoas resgatadas de terremoto na Turquia

O avião da Força Aérea Brasileira (FAB) com 17...

Mulher é presa com quase 400 quilos de maconha que saiu de Guaíra

Uma jovem de 18 anos foi presa na noite...

Réu por provocar série de abortos em MS há mais de 10 anos segue sem condenação

Com primeiro caso relatado em outubro de 2010 e o...

Alems terá reunião para discutir projeto de crédito para agricultura familiar em MS

A Alems (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul)...

Artigos Relacionados

Categorias Populares