5 de junho de 2026

Brasil mantém pior posição histórica em ranking de corrupção

O Brasil obteve 35 pontos no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), ficando na posição 107 entre 185 países avaliados. É o segundo pior índice da série histórica, atrás apenas de 2024, quando registrou 34 pontos. Mesmo assim, a variação de um ponto ainda está na margem de erro do levantamento e a posição no ranking se manteve. O relatório foi publicado nesta terça-feira (10).

O indicador é mantido pela organização Transparência Internacional, que atua por “um mundo em que governos, empresas e o cotidiano das pessoas estejam livres da corrupção”. A 107ª posição é compartilhada com o Sri Lanka. A primeira colocada na na lista é a Dinamarca (89) e os índices mais baixos são da Somália e do Sudão do Sul, ambos com nove pontos.

Tanto a média global quanto a das Américas são de 42 pontos. O Brasil mantém-se abaixo dessa média desde 2015. Nos quatro anos do governo de Jair Bolsonaro (PL), a nota ficou em 38. Até hoje, o recorde positivo foi de 43 pontos, feito alcançado nos anos de 2012 e 2014.

Na divulgação dos resultados, a organização cita dois escândalos de corrupção que marcaram 2025: as fraudes em descontos associativos no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e as suspeitas de emissão de cédulas de crédito fraudulentas por parte do Banco Master.

Quem determina os pontos de cada país?

Para chegar ao resultado, o estudo aciona 13 fontes independentes. A percepção avaliada não é da população em geral, mas de especialistas e executivos. Eles avaliam questões como suborno, desvio de dinheiro público e uso do cargo público para obter benefícios pessoais.

“Para uma fonte ser incluída no IPC, é necessário que ela garanta a qualidade e adequação de sua abordagem metodológica. Por essa razão, cada fonte deve ser
proveniente de uma instituição profissional que registre claramente a forma como coleta seus dados e sua abordagem de mensuração”, esclarece a nota metodológica. Entre as fontes estão o Banco Africano de Desenvolvimento, o jornal The Economist, o Banco Mundial, o Fórum Econômico Mundial, universidades e consultorias de risco.

No relatório, a organização associa a nota baixa a países onde jornalistas são assassinados após denunciarem casos de corrupção: “Mais de 90% desses assassinatos ocorreram em países que obtiveram menos de 50 pontos no IPC 50, grupo que abrange Brasil, Índia, México, Paquistão e Iraque, países especialmente perigosos para jornalistas cobrindo casos de corrupção”.

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