26 de setembro de 2026

Exportações de Mato Grosso do Sul batem recorde histórico e somam US$ 10,7 bilhões em 2025

Principal ativo de exportação sul-mato-grossense atualmente, a celulose puxou a alta nas vendas internacionais do Estado

Mato Grosso do Sul encerrou 2025 com o maior valor de exportações da sua história, alcançando US$ 10,7 bilhões em vendas externas. O resultado supera o recorde anterior, registrado em 2023, quando o Estado exportou US$ 10,6 bilhões e representa crescimento de 7,51% em relação ao ano de 2024.

Os dados estão na Carta de Conjuntura do Comércio Exterior elaborada pela Assessoria Especial de Economia e Estatística da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), com base nas informações do ComexStat, divulgadas pelo Governo Federal.

A pauta exportadora sul-mato-grossense segue concentrada em três grandes cadeias produtivas. A celulose liderou as exportações em 2025, com participação de 28,98%, consolidando-se como principal produto e com perspectiva de crescimento nos próximos anos, impulsionada pelos elevados investimentos industriais em curso.

A soja aparece na sequência, com cerca de 22% do total exportado, seguida pela carne bovina, que respondeu por aproximadamente 17%. “Essas três cadeias são hoje a base das exportações de Mato Grosso do Sul e têm enorme relevância para a geração de renda, empregos e divisas”, ressaltou o secretário Jaime Verruck, titular da Semadesc.

Na avaliação do secretário, o resultado foi alcançado em um cenário internacional adverso, e a principal boa notícia foi a capacidade de daptação da economia estadual.

“Em 2025 tivemos discussões e restrições comerciais importantes impostas pelos Estados Unidos, nosso segundo principal mercado para a carne bovina, além de impactos sobre a citricultura, ferroligas, café e laranja. Isso trouxe reflexos relevantes para Mato Grosso do Sul, mas conseguimos reagir e superar esse cenário, batendo recorde de exportações. As vendas externas totalizaram US$ 10,7 bilhões em 2025″, revela Verruck, que completa.

“Conseguimos realocar produtos para outros mercados e manter o fluxo normal de produção, inclusive com ajustes na pauta, como no caso da celulose, que deixou de ser direcionada ao mercado americano”, explicou. O principal destino das exportações segue sendo a China, com 48,57% de participação, seguida pelos Estados Unidos.

Melhorias no Rio Paraguai garantiram logística de exportação do minério sul-mato-grossense (Foto: Bruno Rezende/Secom/Arquivo)

Na análise por município, Três Lagoas manteve a liderança como maior exportador do Estado, concentrando 19,68% do total, impulsionada pela indústria de celulose. Ribas do Rio Pardo aparece em segundo lugar, com cerca de 11%, ultrapassando Dourados e Campo Grande, também em função da atividade florestal e industrial.

“É importante lembrar que, diferentemente da celulose, a soja tem origem bastante diluída, estando presente em mais de 60% dos municípios do Estado, o que explica essa diferença de concentração regional”, concluiu Jaime Verruck.

Logística apoia aumento das exportações

O desempenho positivo das exportações também foi sustentado pela logística de escoamento da produção. O Porto de Santos foi o principal canal de saída das mercadorias, respondendo por cerca de 38% do total exportado, com forte utilização do transporte ferroviário por meio da Malha Norte.

Paranaguá concentrou aproximadamente 33% das exportações, principalmente via transporte rodoviário de soja, enquanto São Francisco do Sul respondeu por cerca de 12%, com perfil mais voltado às proteínas animais. Já Corumbá participou com cerca de 5% do total exportado.

Nesse contexto, o secretário Jaime Verruck chama atenção para o desempenho do setor mineral. “Com a manutenção do calado do rio ao longo de 2025, foi possível ampliar a produção mineral. O Estado bateu recorde de exportação de minério de ferro, com volume superior a 8 milhões de toneladas, reforçando a importância desse segmento para a economia sul-mato-grossense”.

 

Importações

Já do lado das importações, o total acumulado em 2025 foi de US$ 2,8 bilhões, o que representa retração de 3,4% em relação ao ano anterior. O principal produto importado foi o gás natural, item estratégico da pauta estadual.

“Houve uma contração no volume importado de gás natural, o que inclusive impactou nossas finanças estaduais”, observou o secretário.

Na sequência, destacam-se as máquinas destinadas à indústria de papel e celulose e o cobre, reflexo da presença de uma indústria consolidada de fios de cobre no Estado.

Marcelo Armôa, Comunicação Semadesc
Foto: Álvaro Rezende/Secom/Arquivo

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