Além de tentar controlar o jogo do bicho em Mato Grosso do Sul, o clã Razuk tinha planos de expandir o ‘negócio familiar’ para Goiás, conforme indicou o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) ao deflagrar a 4ª fase da Operação Successione, na terça-feira (25).
Willian Ribeiro de Oliveira teria influência no Poder Executivo de Goiás e seria o braço da organização criminosa no estado vizinho — no qual teria o jogo do bicho comandado pelo empresário Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Conforme a investigação, Ribeiro recebia propina em troca de informações sigilosas de sistemas restritos da segurança pública, como levantamento de veículos, dados e pessoas. Além disso, fazia contatos políticos de interesse da organização criminosa.
O empresário também mantinha contato com o major aposentado Gilberto Luiz dos Santos — alvo de fases anteriores da Successione — para arquitetar a expansão da organização criminosa. Segundo o Gaeco, o grupo estaria disposto até a ‘bater de frente’ com os rivais goianos.
Além disso, a família ainda teria precisado ‘lidar’ com o grupo paulista MTS, que tentou ‘se criar’ no Estado após o desenrolar da operação Omertà, em 2019, que mirou nos ‘Name’.
Investir na expansão dos ‘negócios’
Além disso, a investigação aponta um investidor não identificado, que estaria interessado em financiar a empreitada mediante aporte de R$ 30 milhões. Para o Gaeco, isso demonstra “o poder e a obstinação” da organização criminosa em expandir a atuação para além de MS.
Willian Ribeiro ainda teria solicitado um estudo de rentabilidade das atividades do jogo do bicho em Goiás e pediu a indicação de uma empresa na área da construção civil para participação em procedimentos licitatórios “aparentemente fraudulentos”.
Ele teria recebido o nome de uma empreiteira que mantém diversos contratos em Mato Grosso do Sul, a qual seria de confiança de Roberto Razuk.
- Por fim, Willian ainda teria a função de resolver questões referentes às apreensões policiais desfavoráveis ao grupo criminoso. Para isso, ele fazia intervenções na Sefaz (Secretaria de Fazenda de Mato Grosso do Sul), assim como realizava pagamentos através de sua empresa, a WR Indústria e Comércio de Eletrônicos Eireli.
Família nega planos de expansão
Nota assinada pela família Razuk (Roberto, Neno, Rafael e Jorge Razuk) alega que as acusações são falsas. Conforme o Gaeco, o grupo seria chefiado por Neno Razuk.
“É falso e inexistente qualquer plano para desbancar grupo de jogo do bicho de SP e Goiás. Será provado o absurdo dessa alegação. Esse fato já consta de processo judicial, com regular defesa apresentada”, diz o texto.
Também negam que qualquer ato de violência praticado ou planejado, em MS ou em outro estado. “Nossa família não se envolve com qualquer espécie de violência, roubos ou práticas criminosas”, afirma.
Gaeco deflagra quarta fase da Operação Successione
Na terça-feira, 25 de novembro de 2025, o Gaeco/MPMS (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado, do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) deflagrou a quarta fase da Operação Successione, contra uma organização criminosa que explora jogos ilegais.
Foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 27 mandados de busca e apreensão nos municípios de Campo Grande, Corumbá, Dourados, Maracaju e Ponta Porã. Alvos também foram identificados no Paraná, em Goiás e no Rio Grande do Sul.
Em dezembro de 2023, o Gaeco identificou que o grupo tentou assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande, após a derrocada da família Name na Operação Omertà, em dezembro de 2019.
- O deputado estadual Neno Razuk (PL) — filho de Roberto Razuk — é apontado pelos promotores como líder da organização criminosa que contava com policiais militares como ‘gerentes’ do grupo que controlava o jogo do bicho no Estado.
Os mandados foram cumpridos em endereços dos pais de Neno, do chefe de gabinete dele e de Rhiad.

Veja a lista completa de alvos de prisão:
- Rhiad Abdulahad, advogado;
- Roberto Razuk, empresário e ex-deputado estadual;
- Rafael Godoy Razuk, filho de Roberto;
- Jorge Razuk Neto, filho de Roberto;
- Sérgio Donizete Balthazar, empresário;
- Flávio Henrique Espíndola Figueiredo;
- Jonathan Gimenez Grance (o ‘Cabeça’), empresário;
- Samuel Ozório Júnior, comerciante;
- Odair da Silva Machado (o ‘Gaúcho’);
- Gerson Chahuan Tobji;
- Marco Aurélio Horta, chefe de gabinete de Neno Razuk;
- Anderson Lima Gonçalves, sargento da Polícia Militar de MS;
- Paulo Roberto Franco Ferreira;
- Anderson Alberto Gaúna;
- Willian Ribeiro de Oliveira, empresário;
- Marcelo Tadeu Cabral, empresário e suplente de vereador em Corumbá;
- Franklin Gandra Belga;
- Jean Cardoso Cavalini;
- Paulo do Carmo Sgrinholi;
- Willian Augusto Lopes Sgrinholi. Fonte: Midiamax


