7 de maio de 2026

Em MS sobra energia, mas falta estrutura para oferta do excedente

Governo pediu providências, como a inclusão do Estado nos próximos leilões de transmissão

Em outros tempos, a chegada de grandes empresas poderia causar preocupação com a oferta de energia. Mato Grosso do Sul está longe desse gargalo, mas enfrenta outro problema relacionado ao setor. O processo industrial das grandes fábricas de celulose e usinas de álcool de cana produz energia de sobra, enquanto suas turbinas funcionam, e parte disso se perde porque falta infraestrutura de transmissão para receber esse excedente que poderia ser distribuído.

Em outra abordagem da matriz elétrica, há também a necessidade de ampliação da rede para novos empreendimentos, como a irrigação do cultivo da laranja, e ainda apoio aos pequenos, em um projeto que está sendo elaborado pela Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação).

O Governo do Estado já relatou o gargalo à Secretaria de Energia do MME (Ministério de Minas e Energia) e pediu providências, como a inclusão de MS nos próximos leilões de transmissão, estrutura organizada pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico). Hoje, o Estado está na chamada cota zero para leilões de transmissão, explicou o titular da Semadesc, Jaime Verruck. Isso significa que as grandes empresas têm excedente de energia gerado por suas turbinas, mas não terão como colocá-lo no mercado.

Secretário da Semadesc em entrevista ao Campo Grande News (Foto: Arquivo)

A Suzano, por exemplo, criou rede e consegue distribuir a energia que sobra da queima de biomassa para produzir celulose até a subestação Mimoso, em Ribas do Rio Pardo, onde ela ingressa nas linhas que atendem o sistema nacional. A Arauco, que está construindo sua unidade em Inocência, fará um linhão até Ilha Solteira (SP), na divisa com o estado, mas também será preciso haver melhor condição de recebimento de oferta de energia.

A Bracell, em processo de licenciamento da sua fábrica em Bataguassu, terá que construir uma rede de 155 km até Ivinhema e, igualmente, não terá a certeza de que haverá condição de fornecer essa energia, por falta de capacidade das redes de transmissão e das subestações. Essa energia chega por linhas particulares e, ali, é rebaixada nas subestações para a Energisa fornecer aos consumidores ou vai para consumo em todo o país.

Verruck menciona o caso da Bracell porque já foi tratado no MME. O plano de investimentos para quem vencer o leilão para investir naquela região prevê aplicação de recursos para 2032, gerando uma longa lacuna quando a fábrica for ativada. Essas grandes indústrias, pelas dimensões das turbinas, chegam a produzir 400 MW de energia renovável, sendo cerca de metade excedente e ofertada ao sistema nacional.

“Você tem produção de energia limpa, tem capacidade de colocar na rede, de disponibilizar. Aí, nós temos um crescimento da geração do Estado, que é muito positivo, e esse é hoje um gargalo de conexão de grandes empreendimentos para vendedores de energia”, analisou. Conforme ele, há interessados em investir no setor, mas a União precisa abrir os leilões para ampliação da transmissão.

Na nota técnica que entregou ao ministério, o Executivo estadual menciona que vivencia “expressivo crescimento industrial e agroenergético”, citando os setores de celulose, biomassa e energia solar, condição que gerou “forte expansão da oferta de energia elétrica e da geração distribuída” e aponta que são necessárias “soluções operativas de curto prazo para mitigar risco de colapso nas três regiões em relação a novos negócios”, mesmo que o atendimento seja em caráter provisório até soluções definitivas. As regiões destacadas são as divisas com São Paulo e Paraná e a fronteira com a Bolívia.

Há ainda municípios mencionados nas notas, como Rio Brilhante, Iguatemi e Chapadão do Sul, onde há tanto excesso de oferta de energia de indústrias quanto de energia fotovoltaica, a energia solar. O pedido é de linhas de transmissão e subestações. A falta de estrutura para adicionar energia nas redes de transmissão está represando investimentos na geração, segundo Verruck.

Irrigação e pequeno produtor – Se, por um lado, há a demanda das grandes indústrias, por outro, também há pedidos para a ampliação do fornecimento de energia, a fim de impulsionar novos setores, como a citricultura, que precisa de irrigação. Nesse caso, a infraestrutura é atribuição da Energisa.

Conforme o secretário, a concessionária recebeu quantidade recorde de pedidos de novas ligações: 1.300. Ele cita como exemplo a Cutrale, que receberá uma rede saindo de Campo Grande rumo a Sidrolândia, onde planta 5 mil hectares de laranja, uma empreitada de R$ 3 milhões a ser repartida entre empresa e concessionária, conforme o secretário.

Esse é um setor em expansão no Estado após a praga atingir as plantações em São Paulo. Outro cultivo em expansão é o do milho, para o fornecimento a fábricas de biocombustíveis e que igualmente precisará de irrigação.

Verruck informou que, no ano passado, para dimensionar seus investimentos, a Energisa procurou a pasta para saber os empreendimentos listados e hoje é considerada parceira no caminho de encontrar formas de agilizar o fornecimento. Chegou-se a um orçamento de R$ 800 milhões em rede, disse. “Estamos emparceirados, não tem ninguém jogando contra”, resume o secretário sobre a ampliação da oferta de energia.

Diferente das empresas que podem custear investimentos em rede para atender à irrigação ou movimentar máquinas, por exemplo, o governo está mapeando pequenos produtores que precisam de ajuda no acesso à energia para ampliar suas atividades, como uma leiteria, um picador de pasto para o gado, máquinas para processar alimentos e granjas. Para esses, haverá auxílio para conexão à rede trifásica. O volume destinado e a quantidade de pessoas beneficiadas serão definidos até o começo do ano que vem pela equipe da Semadesc, quando está previsto o anúncio do projeto. Fonte: Campo Grande News

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