7 de maio de 2026

Grupo paulista desbanca sheiks e compra usinas em MS por R$ 1,5 bilhão

Uma empresa genuinamente brasileira, a Cocal Agroindústria, pertencente à família paulista Garms, com longo histórico no setor de usinas de cana, deixou para trás os sheiks do petróleo do fundo de investimentos Mubadala e comprou duas das três usinas da Raízen em Mato do Grosso do Sul.

A Cocal, que tem duas usinas no estado de São Paulo, vai desembolsar R$ 1,543 bilhão pelas usinas Passa Tempo e Rio Brilhante, ambas no município sul-mato-grossense de Rio Brilhante. As duas unidades, com capacidade anual para processamentos seis milhões de toneladas de cana, estavam na mira da Atvos, que já tem três outras usinas em Mato Grosso do Sul.

Desde 2021 as duas usinas vendidas agora pertenciam à Raízen, do Grupo Cosan, controlado pelo bilionário Rubens Ometto. Desde o começo do ano ele tentava se desfazer das unidades e em junho chegou a ser anunciado que elas estavam prestes a ser vendidas para os sheiks árabes da Atvos.

Até 2021 as duas usinas pertenciam grupo francês Louis Dreyfus Company (LDC). Ou seja, em um período de quatro anos elas passam a ter o terceiro controlador.

Mas, apesar da venda das duas unidades, a Raízen continua com 25 usinas de cana no país, sendo uma em Mato Grosso do Sul, no município de Caarapó, onde a empresa do grupo Cosan está investindo desde 2023 R$ 1,3 bilhão para produção do chamado etanol de segunda geração.

A venda das duas usinas de Rio Brilhante foi confirmada em comunicado ao mercado divulgado nesta sexta-feira (29). Conforme documento, R$ 1,32 bilhão são referentes aos ativos – o equivalente a R$ 220 por tonelada –, enquanto os R$ 218 milhões restantes correspondem aos investimentos em manutenção de entressafra, que serão assumidos pela Cocal.

Também em comunicado oficial ao mercado, a Cocal confirmou as aquisições. Segundo a companhia, com as duas usinas, a capacidade produtiva do grupo sobe de 10,3 milhões de toneladas para 16,3 milhões de toneladas por safra.

“O quadro de colaboradores diretos será expandido, saltando de 5,3 mil para 7,7 mil profissionais”, complementa a Cocal, que até então controlava duas unidades, em Paraguaçu Paulista e Narandiba, no oeste do estado de São Paulo.

“Com a expansão proporcionada por esta aquisição no estado do Mato Grosso do Sul, manteremos o nosso compromisso com colaboradores, parceiros, arrendatários e fornecedores, buscando resultados ainda mais expressivos para todos”, completa o comunicado da família.

FREIO
Além de acabar com o risco de fechamento de alguma das usinas da Raízen em Mato Grosso do Sul, a venda das duas unidades à tradicional família Garms, que há décadas integra a Unica, freia o aumento do poder dos sheiks árabes no setor.

Em Mato Grosso do Sul, os sheiks do petróleo, por meio da Atvos, já controlam as usinas Santa Luzia, em Nova alvorada do Sul; a Eldorado, no município de Rio Brilhante; e da usina de Costa Rica, no município com o mesmo nome. Além disso, têm outras cinco unidades nos estados de Goiás, Mato Grosso e São Paulo.

Caso o negócio com os árabes fosse concretizado, eles passariam a controlar seis das 19 usinas de etanol e açúcar de Mato Grosso do Sul, onde 916 mil hectares foram cupados com cana-de-açúcar na safra que está em andamento.

A previsão é de que em Mato Grosso do Sul sejam produzidas 50,5 milhões de toneladas de cana nesta safra, que começou em abril. Todas as plantas geram eletricidade, somando 2 milhões de MWh de abril a dezembro. Doze delas injetam o excedente para a rede nacional de energia elétrica.

DINHEIRO DO PETRÓLEO
Os árabes entraram no setor sucroenergético de Mato Grosso do Sul há pouco mais de dois anos. No começo de 2023 o fundo de investimentos Mubadala Capital anunciou investimentos da ordem de R$ 3 bilhões ao longo de três anos nas três usinas do grupo Atvos em Mato Grosso do Sul.

Por conta destes aportes, em setembro daquele ano as usinas, que pertenciam ao grupo Odebrecht, conseguiram superar o estágio de recuperação judicial em que se encontravam desde 2019.

Ao final do investimento de R$ 3 bilhões no Estado, eles prometiam aumentar a capacidade de produção de cana em mais de três milhões de toneladas nas três unidades no Estado, onde estão empregadas em torno de quatro mil pessoas.

Em Grosso do Sul, a cana-de-açúcar está presente em 48 municípios. Mas, quase um terço (32%) da área plantada está justamente nos três municípios onde os árabes estão presentes e onde pretendiam comprar mais duas usinas (Rio Brilhante, Nova Alvorada do Sul e Costa Rica).

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