O caso da execução de Rogério Campos de Moraes, de 46 anos, em 26 de agosto de 2023, em Campo Grande, foi arquivado pela Justiça de Mato Grosso do Sul. A PCMS (Polícia Civil de Mato Grosso do Sul) não identificou os suspeitos do crime após quase dois anos de investigação.
A investigação realizada pela 7ª Delegacia de Polícia não obteve êxito em confirmar a autoria do homicídio e da tentativa de homicídio de dois homens de 40 e 48 anos, que estavam com Rogério em um Fiat Palio na Vila Sobrinho.
O inquérito policial era acompanhado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) que pediu o arquivamento após um ano de apuração sem qualquer prova que levasse aos suspeitos. A 2ª Vara do Tribunal do Júri decidiu pelo encerramento das investigações no último dia 12 de agosto.
Naquele feriado de Aniversário de Campo Grande, há dois anos, Rogério e as outras duas vítimas saíam do Estabelecimento Penal de Regime Aberto e Casa do Albergado de Campo Grande, do qual eram internos, e foram surpreendidos pelo atirador.
A perícia encontrou 32 cápsulas no local do crime. A vítima morreu com oito tiros. Os outros dois ocupantes do carro foram socorridos para a Santa Casa de Misericórdia e sobreviveram.
A ficha criminal das três vítimas não consta no processo judicial.
Após o crime, a PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) recebeu três denúncias de homicídio, no Jardim Panamá, no bairro Santo Antônio e na Vila Sobrinho. As duas primeiras eram falsas, o que fez os policiais acreditarem em trote ou tentativa de atrapalhar o trabalho dos agentes.
Polícia não conseguiu identificar autor e MPMS pediu arquivamento
O caso foi registrado pela Depac-Cepol (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário do Centro de Polícia Especializada), no bairro Tiradentes, e foi distribuído após o feriado para a 7ª Delegacia de Polícia, no Jardim Panamá.
No primeiro depoimento, o homem de 49 anos que acompanhava Rogério disse aos policiais que ele havia comentado que tinha uma dívida de R$ 150 mil, sem dar detalhes. Porém, o colega não soube informar o motivo da execução.
Ele e o outro homem pegaram carona com Rogério na saída da unidade prisional. Os dois estavam dentro do carro quando a vítima viu uma moto Honda Hornet azul e perguntou aos colegas.
Rogério chegou a tentar fazer uma ligação pelo telefone celular, mas o trio foi surpreendido pelo atirador. Já a segunda vítima disse que conhecia Rogério superficialmente e não sabia o que poderia ter levado ao homicídio.
Na delegacia, a ex-esposa de Rogério não soube dizer se haveria algo que motivasse o crime. Os dois foram casados por oito anos e tiveram uma filha. O homem tinha ainda uma filha adolescente em outro relacionamento.

Menos de um mês depois da execução, investigadores obtiveram imagens de câmeras de segurança no bairro. Porém, o material não permitiu a identificação do atirador, que conduzia uma motocicleta.
Outras diligências foram feitas, mas os policiais não conseguiram novas provas para confirmar a autoria. Em junho de 2025, quando o inquérito já tinha mais de um ano, o MPMS pediu o arquivamento.
“É certo que o grande lapso temporal para a conclusão do feito conspurca eventual aplicação da lei, ante a diminuição da consciência dos elementos de prova. Não há como este órgão ministerial oferecer denúncia, pois para o oferecimento da inicial acusatória é necessária a identificação do autor e a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, critérios esses que o presente caso não atende em sua totalidade”, escreveu a promotora substituta Lívia Carla Guadanhim Bariani.
Na peça, Lívia ressaltou que, caso a Polícia Civil obtenha novas provas, o inquérito pode ser reaberto. “Ressalva-se, contudo, a possibilidade de novas investigações e eventual desarquivamento”, frisou.
O arquivamento foi homologado pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos, da 2ª Vara do Tribunal do Júri. Na decisão, ele cita trecho do Código Penal que garante ao MP a prerrogativa de arquivar investigações policiais.

