O juiz Evandro Endo decretou a prisão preventiva da comerciante Letícia Vieira Pires, 27, acusada de assassinar o oficial de Justiça aposentado Gesualdo Xavier, 67, o “Xaxá”.
Em audiência de custódia nesta quarta-feira (24), o magistrado citou a extrema violência praticada por Letícia, que matou Gesualdo com facadas no pescoço dentro do carro, o arrastou até a vegetação e depois ateou fogo ao corpo.
O crime ocorreu segunda-feira (22) e o corpo de Gesualdo foi encontrado no dia seguinte na margem da BR-163, entre Dourados e Douradina. Segundo a Polícia Civil, Letícia teria matado Gesualdo para ficar com R$ 84 mil da venda de uma caminhonete S10 pertencente à vítima.
Dona de uma conveniência na Avenida Hayel Bon Faker, área central de Dourados, Letícia também teria negociado a venda de um apartamento inexistente para o oficial de Justiça aposentado. Pressionada para entregar o apartamento ou devolver o dinheiro, Letícia teria planejado o assassinato.
Informalmente, segundo o SIG (Setor de Investigações Gerais), a comerciante confessou o crime. Entretanto, durante interrogatório na delegacia, ela se manteve em silêncio.
“Observo que o delito foi cometido com extrema violência, por meio de golpes de faca no pescoço com posterior carbonização da vítima e desova às margens de uma rodovia. Por esse motivo, a conduta concreta desborda de qualquer situação pessoal favorável”, afirmou o magistrado.
Segundo entendimento do magistrado, a prisão é necessária para garantir a ordem pública devido à periculosidade concreta da conduta de Letícia, “não sendo possível a concessão de medidas cautelares diversas da prisão”. Evandro Endo também determinou a quebra de sigilo telefônico da comerciante.
Roupas com sangue –
A polícia foi atrás de Letícia, que seria a última pessoa a estar com o aposentado antes do desaparecimento. Na casa dela, foram encontradas roupas sujas de sangue. Alguns pertences do aposentado, entre os quais o celular e uma corrente de ouro, também foram apreendidos na casa e na conveniência.
Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, o chefe do SIG, delegado Erasmo Cubas, disse que inicialmente a comerciante negou envolvimento no crime, mas apresentou várias contradições. Por fim, confessou, informalmente, que havia matado Gesualdo Xavier.
Segundo o delegado, Letícia Vieira Pires vendeu a caminhonete S10 do aposentado em uma garagem de Dourados e recebeu o pagamento em sua conta através de PIX. Supostamente, o dinheiro seria parte do apartamento que ela estaria negociando com ele. Entretanto, o imóvel não existe.
Pressionada por Gesualdo a devolver o dinheiro, Letícia decidiu matá-lo. Para colocar o plano em prática, convidou o aposentado a ir com ela até Campo Grande, para supostamente resolver a pendência do apartamento. No caminho, o matou a golpes de faca e tentou queimar o corpo, para eliminar vestígios.
O Ford Ka foi abandonado por ela no cruzamento das ruas João Vicente Ferreira e Toshinobu Katayama, na área central. O carro tem manchas de sangue dos ferimentos causados pelos golpes de faca. – CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS



