8 de maio de 2026

Risco de volta da dengue tipo 3 acende alerta e pode gerar nova epidemia em Campo Grande

O ressurgimento do sorotipo 3 da dengue acendeu alerta para uma nova epidemia no Brasil. Inativo por mais de 15 anos, a possível reintrodução do vírus representa, hoje, a maior preocupação das autoridades em saúde pública de Campo Grande. Em 2023,  registrou o maior pico de mortes dos últimos dois anos, com 42 óbitos.

Mesmo sem registros da dengue 3 no Estado, Veruska Lahdo, superintendente de Vigilância em Saúde da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde), destaca que as ações serão voltadas para evitar a reintrodução do vírus e, por consequência, uma nova epidemia neste ano.

“Desde o ano passado vem ocorrendo a circulação da dengue 3 no país, que não circula em Campo Grande há 15 anos. Quando um vírus é reintroduzido após anos, o risco de uma nova epidemia é alto, mas por enquanto o cenário está tranquilo”, explica.

Segundo a superintendente, a última grande epidemia ocorreu na época em que o sorotipo 3 da dengue estava em circulação em Campo Grande.

Além disso, outro fator que acende alerta são as mudanças geradas pela instabilidade climática. Com altas temperaturas e períodos chuvosos, a expectativa é que o número de criadouros aumente. Para 2024, a OMS (Organização Mundial da Saúde) aponta para a combinação entre calor e chuvas intensas, provocadas pelo El Niño.

Campo Grande notificou 579 casos de dengue em 2024

No primeiro mês do ano, Campo Grande notificou 579 casos, cenário positivo, se comparado ao mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizados mais de 1.200 casos da doença.

“O período mais crítico para a doença costuma ocorrer entre os meses de março e junho. Em 2022, quando houve um pico de casos, o aumento foi identificado justo nesse período”, ressaltou.

Para evitar que os casos positivos evoluam para óbitos, a superintendente explica que foram adotadas medidas como abertura da sala de situação, para combate das arboviroses, além de investir na capacitação em manejo clínico aos profissionais de saúde.

“A capacitação do profissional em manejo clínico é o que previne que o caso evolua para óbito. Saber identificar uma pessoa com dengue e o risco de agravamento pode impactar na redução dos casos graves”, diz.

Maioria dos focos de dengue está nas residências

Em Campo Grande, sete bairros concentram o maior número de casos e seguem no radar da Sesau: Los Angeles, Noroeste, Centro Oeste, Núcleo Industrial, Parati, Nova Campo Grande e Rita Vieira. “Todo o trabalho do controle de vetores como fumacê, bomba costal, são direcionadas nessas regiões com maior número de casos e óbitos. Além das visitas de rotina nas casas para evitar os focos”, explica a superintendente.

Veruska Lahdo explica que mesmo sem um motivo aparente, as regiões críticas costumam se repetir todos os anos. Segundo ela, isso se deve à falta de conscientização por parte da população, uma vez que o maior percentual de focos são registrados nas residências.

“Existem pontos estratégicos que exigem mais atenção, como ferros-velhos, terrenos baldios, floriculturas, borracharias. No entanto, nesses bairros a grande maioria dos focos são encontrados nas casas, o que indicia que é preciso investir na conscientização da população”, ressalta.

Vacinação pode ‘frear’ possível epidemia

Em meio ao risco de uma nova epidemia, o início da vacinação em massa contra a dengue surge como a melhor alternativa para frear o cenário de risco. Prevista para ser iniciada ainda neste mês, a campanha vacinal terá como público-alvo crianças e adolescentes entre 10 a 14 anos, grupo de risco para a doença.

Ainda não há previsão para a data exata da chegada das doses e nem o quantitativo destinado a Campo Grande, mas segundo Veruska Lahdo, seriam necessárias 150 mil doses para imunizar todo o público-alvo.

“A vacina está passando pelo controle do instituto de qualidade, o que ocorre com todas as vacinas introduzidas no SUS (Sistema Único de Saúde), por isso ainda não temos essa informação, mas deve chegar em breve”.

Lahdo esclarece que não há previsão que o público-alvo seja ampliado ainda este ano devido à capacidade de produção do laboratório. No entanto, a vacina do Instituto Butantan contra a dengue está próxima de ser encaminhada à  (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o que pode resultar na ampliação do público-alvo.

“O Ministério da Saúde nos repassou que a estratégia para 2024 é imunizar crianças de 10 a 14 anos, caso o laboratório consiga entregar mais doses, esse público pode ser ampliado”.

O ciclo completo de imunização é atingido com as duas doses e a Qdenga apresentou, nos ensaios clínicos, ter eficácia geral de 80,2% contra a dengue causada por qualquer sorotipo após 12 meses da segunda dose. A vacina também reduziu as hospitalizações em 90%. Segundo o laboratório Takeda, a vacina garante imunização contra a dengue por até cinco anos.

A vacinação em massa é desenvolvida pela Sems (Secretaria Municipal de Saúde), em parceria com o laboratório japonês Takeda, que desenvolveu a vacina Qdenga. O imunizante já está disponível na rede privada de saúde e tem imunidade completa em duas doses, sendo que a segunda deve ser aplicada após três meses da primeira. Fonte: Midiamax

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