25 de setembro de 2026

Pantanal secando: Corumbá perdeu o maior número em superfície de água do País

A maior planície alagada do mundo está secando: em 37 anos, o Pantanal perdeu 81,7% da superfície de água, o bioma que mais sofreu redução do Brasil. O solo pantaneiro em Mato Grosso do Sul é um dos mais ameaçados, a retração de água foi tamanha (57%), que Corumbá liderou o ranking dos municípios que mais secaram nas últimas três décadas.

Os dados são do MapBiomas Água, iniciativa multi-institucional que envolve universidades, ONGs (Organização não governamental) e empresas de tecnologia, focado na conservação e manejo sustentável dos recursos naturais, como forma de combate às mudanças climáticas.

Depois de Corumbá, os municípios com maiores percentuais de redução de água entre 1985 e 2022 foram Cáceres (MT), Poconé (MT), Aquidauana (MS) e Vila Bela da Santíssima Trindade (MT).

Em 2022, a superfície de água anual do Pantanal aumentou pela primeira vez desde 2018. Contudo, a especialista em conservação do WWF-Brasil (World Wide Fund for Nature), Helga Correa, explicou ao Campo Grande News que o bioma ainda passa por um período seco, porque a diferença da superfície de água com a média da série histórica é de 60,1%.

“Existe uma tendência concentrada de redução de água no Pantanal, foi o bioma brasileiro que mais perdeu quantidade de água. Apesar de o ano passado ter tido um alívio, não significa que a situação esteja boa. Fazendo uma analogia à temperatura de uma febre por exemplo, em que a média seria 36 ºC, e o Pantanal em 2021 chegou nos 40ºC, e em 2022, pode considerar que a febre chegou aos 39,5ºC. Então continua menor que a série histórica”, apontou.

Esta tendência na redução da água pantaneira representa perigo não só à flora da região, como à fauna e o modo de vida das comunidades tradicionais locais. Os peixes que já estão ameaçados de extinção, como o pacu, jaú e pintado, podem desaparecer a longo prazo, assim como o maior mamífero da América Latina e um dos maiores símbolos do Pantanal, a onça-pintada.

“A existência do Pantanal como a gente conhece, com sua biodiversidade, com as comunidades tradicionais, ela está intimamente conectada com a presença da abundância de água. É fundamental para o modo de vida pantaneiro, fundamental para espécies que dependem desse alagamento para poder se reproduzir. Pensa quanto o Pantanal recebe de visitas anualmente por conta do ecoturismo, da pesca esportiva. A atividade agrícola e industrial também fica comprometida com restrição de água. Então a tendência de redução de água acende um alerta que chama para nossa ação”, alertou Helga.

Entre os principais causadores da seca crescente, está o desmatamento. Helga explica que a área desmatada ao redor das nascentes e ao longo dos rios contribui para a questão do assoreamento e na qualidade da água no geral.

Em uma área desmatada, a água pluvial passa muito rápido pela vegetação e causa as enchentes, principalmente nas nascentes. Helga explica que eventos climáticos extremos, de muitas chuvas, estão previstos dentro das mudanças climáticas, mas o desmatamento faz com que as enchentes cheguem em um nível que o solo não é capaz de suportar.

“Então tem inundações rápidas, num período que não está preparado para enfrentar. Mas isso não significa que ao longo do ano vão ter mais águas, é um volume concentrado em enchente. Então logo após um período de enchente, pode ocorrer uma seca”, ressaltou.

A consequência iminente da seca no Pantanal é justamente a aceleração das mudanças climáticas, gerando um ciclo degenerativo que precisa ser interrompido.

“Importante ressaltar que também cada vez que o Pantanal fica mais seco, ele fica mais suscetível às queimadas, eventos que colaboram com a emissão de gases do efeito estufa, que vão alimentar a aceleração das mudanças climáticas. A questão da água no Pantanal movimenta um mecanismo que se a gente não fizer nada para modificar, a tendência é que a gente tenha cada vez mais o agravamento da redução de água, que colabora para as consequências das mudanças climáticas”, salientou Helga.

Para conter este quadro, a especialista em conservação reitera a manutenção das florestas nativas e interrupção imediata do desmatamento. Além de restaurar as regiões que já foram degradadas.

“Não é uma situação fácil, de imediato a gente pensa que essa questão do desmatamento é fundamental e eliminar o desmatamento não só do Pantanal. Restaurar aquilo que já foi desmatado em áreas de quantidade de água é uma estratégia que também permite que a gente melhore a situação”, disse.

“Como a gente vai explicar para as gerações futuras que o maior felino da América do Sul desapareceu da área do Pantanal? Como a gente deixou que uma das maiores planícies inundáveis do mundo fosse degradada? Acho que é injustificável, a ação depende da gente saber quão grave está esse cenário”, completou Helga.

Brasil – De acordo com o MapBiomas Água, o ano passado foi o primeiro, desde 2013, em que a superfície de água no Brasil ultrapassou a barreira dos 16 milhões de hectares. Ao todo, o País ainda tem em torno de 6% da superfície e 12% do volume de toda a água doce do planeta.

A superfície de água em reservatórios oficiais (monitorados pela Agência Nacional de Águas, ANA) em 2022 também foi a maior dos últimos dez anos: 3.184.448 hectares, 12% a mais que a média da série histórica. Eles respondem por 22% da superfície de água no Brasil; os outros 78% são rios e lagos e pequenas represas.

Contudo, quase três em cada quatro sub-bacias hidrográficas (71%) perderam superfície de água nas últimas três décadas, ou seja, 1,5 milhão de hectares. E mesmo com o aumento geral da superfície de água no País em 2022, um terço (33%) delas ficaram abaixo da média histórica no ano passado. – CREDITO: CAMPO GRANDE NEWS

Populares da Semana

Deputados querem auxiliar Judiciário para reverter decisão sobre pedágio

Os deputados estaduais vão ingressar no processo que trata...

Dr. Genésio representa Câmara na entrega de cheques de R$ 1,5 milhão para entidades

  O presidente da Câmara de Veadores de Iguatemi, Dr....

Eldorado – Conferência Pública sobre Saneamento Básico e Coleta Seletiva

Pensar no futuro é agir agora! No dia 28 de...

Mato Grosso do Sul contabiliza 60 ocorrências por afogamento em 2024

Dados divulgados pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMMS), ao Correio do...

Aliados de Beto Pereira entregam 3.200 fraldas geriátricas no Lar São Francisco

O deputado federal Beto Pereira destinou verbas para a...

Vereador Neninha prestigia grande reunião de Paulo Corrêa na Capital

No maior evento da campanha até o momento, o...

Brasil promulga acordo de livre comércio entre Mercosul e EFTA

O Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e...

Médico do HC da USP de Ribeirão Preto é afastado após ironizar paciente com sobrepeso

Guilherme Lourenço Monteiro, médico residente do Hospital das Clínicas...

Conselho do MPF tem 3 votos para manter Gonet à frente do caso Master

O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) tem...

ASSENTAMENTO NOSSA SENHORA AUXILIADORA COMPLETA 27 ANOS DA SUA FUNDAÇÃO.

Hoje celebramos os 27 anos do Assentamento Nossa Senhora...

Informativo rampa náutica do Centro Náutico Marinas

O Município de Guaíra por intermédio da Secretaria Municipal...

Artigos Relacionados

Categorias Populares