Mesmo em ano mais letal da pandemia de Covid-19, Mato Grosso do Sul registrou recorde no saldo de empregos gerados em 2021.
De janeiro a dezembro do ano passado, o resultado entre contratações e demissões foi de 36.287, o maior acumulado registrado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) desde 2003.
O saldo é resultado da diferença entre 288.585 contratações e 252.298 desligamentos no mercado de trabalho formal de Mato Grosso do Sul.
Em todo o ano de 2020, o acumulado de empregos gerados foi de 6.437 e, em 2019 – ano anterior à pandemia –, o resultado foi de 12.599 postos de trabalho. Antes de 2021, o melhor resultado para o Estado havia sido aferido em 2010, quando MS chegou a 28.088 contratações a mais que demissões.
Para o doutor em Economia Michel Constantino, o comportamento do mercado de trabalho em 2021 foi uma reação ao ano anterior e à mudança do mercado formal, principalmente com a adoção do trabalho remoto.
“Como em 2020 tivemos restrições e fechamentos, principalmente no setor de serviços, tivemos muita gente sendo demitida. Então, a gente volta em 2021 com força, tendo esse resultado histórico por isso”, analisa Constantino.
“Além disso, tivemos alguns marcos importantes, como a mudança de regras trabalhistas, como o trabalho remoto, em home office, em que algumas pessoas passaram a trabalhar exclusivamente neste formato. Tivemos ainda benefício [programa de manutenção de empregos] para manter pessoas empregadas. Tudo isso reduziu custos e aumentou a possibilidade de novas contratações”, complementa.
No acumulado do ano passado, o setor que mais gerou empregos com carteira assinada foi o de serviços. Foram 113.180 admissões e 98.881 desligamentos, saldo de 14.299.
Na sequência: comércio, com a geração de 11.112 vagas; construção, com 3.713 postos; agropecuária, com 3.632 empregos; e indústria, com 3.531 novas vagas.
O Estado ocupa o 16º lugar no País na geração de empregos formais no ano. O estoque de pessoas trabalhando com a carteira assinada em MS fechou 2021 em 559.542, crescimento de 6,93% ante o número de empregados formais em dezembro de 2020, quando o estoque era de 523.255.
QUEDA
Apesar do número recorde no acumulado de 2021, o saldo de empregos registrados em dezembro ficou negativo. A retração foi de -4.342 postos de trabalho, resultado de 18.709 admissões e de 23.051 desligamentos.
De acordo com os economistas, dezembro é um mês atípico, em que as empresas promovem ajustes em seus quadros de pessoal, o que tem como consequência a perda de postos de trabalho, que vão se recompondo no decorrer do ano seguinte. Anualmente, os estados registram saldos negativos no mês de dezembro.
“Tivemos durante todo o ano saldos positivos e, quando chega dezembro, existem mudanças jurídicas em relação ao contrato de trabalho. Muitas empresas se ajustam em dezembro, entre demissões e contratações para o início do novo ano. E houve o avanço da Covid-19, principalmente da variante Ômicron, e tinha aquela dúvida se fechariam as empresas, principalmente o setor de serviços e de turismo, ficou aquela dúvida. E, com isso, o empresário acaba ficando com medo e fazendo esses ajustes”, explica Constantino.
Para o titular da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro), Jaime Verruck, mesmo com saldo negativo para o mês, há o que comemorar.
“Ainda assim, o Estado acumulou no ano uma geração de 36,2 mil novas vagas. Nos serviços, os segmentos que mais tiveram contratações nos últimos 12 meses foram os de atividades administrativas [com 4.064 vagas a mais], alojamento e alimentação [2.622 vagas a mais] e educação, com mais 1.617 vagas”, informa.
Todos os setores apresentaram saldos negativos no último mês de 2021, sendo a maior retração registrada no setor de serviços (-2.268), indústria (-897), construção (-573), agropecuária (-317) e comércio (-287).
O economista Marcio Coutinho ainda destaca que a queda das contratações temporárias e o fim desses contratos também influenciam no resultado negativo. “A contratação temporária pode ser explicada para o segmento de serviços, uma vez que os saldos em outubro e novembro foram positivos”, detalha.
No mês de dezembro 2021, Mato Grosso do Sul está em 15º lugar entre as unidades da Federação na geração de empregos formais.
PERSPECTIVAS
Para este ano, as expectativas dos analistas do mercado de trabalho é de que as contratações continuem acima das demissões. O economista Michel Constantino acredita que como há um aumento de casos da variante Ômicron com letalidade menor, os setores devem continuar em ritmo acelerado de recuperação.
“Apesar do número de casos, não há uma letalidade alta, o número [de óbitos por Covid-19] é três vezes menor do que o das variantes anteriores. Se essas informações ficarem mais claras, há uma perspectiva positiva para 2022: os empresários continuarão contratando. Os empresários vão esperar janeiro e fevereiro, mas em março a tendência é de que voltem a contratar mais e seja um ano novamente positivo”, ressalta.
De acordo com Marcio Coutinho, as eleições devem impactar o ritmo de criação de empregos neste ano.
“Fazer projeções não é tarefa fácil, porém, sou um otimista por natureza. Se você observar o histórico do saldo de empregos formais de 2010 a 2015, o mesmo se apresenta em uma decrescente, em que em 2010 o saldo era de 28 mil e em 2015 era negativo em 11,5 mil. A partir desta data, observa-se um crescimento ao longo do tempo, sendo afetado em 2020 em função da pandemia. Em 2021, o saldo é importante. Apesar de os números estarem em uma crescente, penso que neste ano de 2022 o estoque tende a permanecer nos níveis atuais, em função de estarmos em um ano de eleições”, finaliza.
fonte: correio do estado

